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Chouriço e vinho tinto no Santo Antão em Óbidos atraem cada vez mais visitantes

Mariana Martinho

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O bom tempo que se fez sentir no passado dia 17 também ajudou à festa, levando milhares de pessoas a subir à ermida de Santo Antão para celebrar o dia do padroeiro, pagando as suas promessas de proteção a animais, mas a maioria tinha apenas a intenção de comer chouriço assado e beber vinho tinto, em redor das fogueiras.
O festejo junta milhares de pessoas, todos os anos, que comem, bebem e se divertem à volta de diversas fogueiras espalhadas pelo recinto

Este festejo, que mistura a componente religiosa com uma outra profana, começou logo de manhã com a chegada dos primeiros romeiros, acabando por se prolongar para o resto do dia. Mas antes de chegar à ermida de Santo Antão, que se localiza no cimo do cabeço, há que subir 150 bem esticados degraus ao longo dos quase 80 metros de altura. Ninguém desistiu, pela tradição. Houve quem carregasse os animais de estimação até à festa para lhes colocarem uma fita benzida, outros apenas levavam vinho e chouriço.

Joaquim Costa Domingos há quase quarenta anos que vem à festa de Santo Antão. “A subida é a parte mais difícil mas vale a pena o sacrifício”, sublinhou, recordando, contudo, que a primeira vez que veio à festa, a parte mais difícil foi descer, em “que vim a escorregar pelos degraus”.

Já Fábio Santos, que carregava o filho aos ombros, frisou que “vale a pena o esforço, pois o Santo Antão é muito especial para mim”, e por isso, “fiz questão de trazer cá o pequeno”, de modo, a “manter viva e a preservar esta tradição nas próximas gerações”.

Outra das participantes da festa, Maria Ermelinda, veio pela primeira vez há quase dez anos. “Os degraus com boa vontade sobem-se, pois faz parte da festa”, referiu.

Também Ilda Santos referiu que “a subida não intimida, pois com gosto tudo se consegue”. “O Santo Antão traz-me cá por questões religiosas”, comentou a caldense, cuja vinda a esta romaria já é praxe. Para além da festa e do convívio, a romeira ano após ano dirige-se à casa das promessas para buscar as fitas benzidas para colocar nos seus gatos e nos cães dos vizinhos. “Acredito na crença, pois é uma bênção para o ano inteiro”, afirmou.

A romaria a cada ano vai atraindo mais participantes. Muitos deles já ali tinham ido há muitos anos e agora regressam, como é o caso de Maria do Céu Maia, que voltou passados dez anos. “Vim aqui pelo convívio e pelo espírito de partilha que se vive aqui, sem falar da gastronomia e dos enchidos”, referiu.

Esta festa também é visitada pela primeira vez, como se passou com a jovem Verónica Ribeiro, tratando-se de uma estreia. “Não conhecia esta romaria, que já tem vários anos mas decidi vir por curiosidade”, apontou a jovem, esclarecendo que “não estava à espera desta dificuldade de subir, mas já me tinham dito que era preciso alguma resistência”.

Lá no alto, antes da diversão, passa-se pela casa das promessas, paredes meias com a capela. As promessas de boa saúde para os animais usados na atividade agropecuária ou de estimação são pagas através da compra de velas, queimadas na capela, ou bonecos em cera no caso dos pedidos de proteção para as pessoas.

Segundo o padre Ricardo Figueiredo, “esta é uma festa que reúne milhares de pessoas, nestas duas dimensões, a realidade sagrada e profana”. “É claro que aqui o Santo Antão tem uma particularidade, em que as pessoas vêm cá pedir a intercessão do padroeiro, sobretudo para animais, aproveitando depois para confraternizar e conviver”, explicou o pároco, esclarecendo que “não se faz isto só por tradição, mas porque há uma convicção e uma fé profunda e enraizada sobre o santo”.

As velas e as figuras são oferecidas ao santo e colocadas junto aos pés do mesmo. Já outros devotos optam por queimar as velas no tabuleiro, como foi o caso de João Norte, que sempre que pode vem colocar uma vela a arder na capela, pedindo “boa saúde para a família e animais, e até à data tem resultado”.

Também Francisco Reis vem à festa de Santo Antão todos os anos, com o intuito de “pedir saúde para mim e para os meus animais”. Houve quem comprasse figuras em cera para colocar junto aos pés do Santo Antão, como foi o caso de Adelina Correia, que tem animais domésticos e gosta de oferecer todos os anos a Santo Antão um animal em cera para proteção e saúde. “Faço isto pela fé e tradição”, sublinhou.

José Fernandes trouxe dois cães, a pedido da filha, “para pedir saúde e proteção para eles”.

Este ano houve ainda um dos vendedores, que todos os anos oferece chouriços à organização, que decidiu oferecer “um chouriço com 86 cm ao Santo Antão”, devido a uma promessa que fez no ano passado.

A música não faltou, prolongando a festa até ao pôr-do-sol.

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