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Marcos António da Fonseca Portugal

Rui Calisto

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No próximo ano completam-se os 190 anos da morte do organista, maestro e compositor luso-brasileiro, Marcos Portugal (ou Marco Portogallo). Nascido em Lisboa, no dia 24 de março de 1762, iniciou os estudos de música aos 9 anos de idade, no Seminário da Patriarcal de Lisboa, sendo, ali, aluno de João de Sousa Carvalho (1745-1798) e, presumivelmente, de José Joaquim dos Santos (1747-1801).

A sua facilidade para a composição, e o seu amor pelo teatro, levam-no a criar uma obra respeitável e extensa, cultivada entre a música e as artes cénicas. No primeiro caso podemos apreciá-lo em matinas, missas, motetes, vésperas e hinos. No segundo, em óperas (bufas ou sérias), entremezes e farsas. Arquivos de vários países guardam a sua extensa produção artística, entre eles: Brasil, Itália, Inglaterra, Bélgica, Estados Unidos da América, França, Espanha e, é claro, Portugal.

O Classicismo (fase da música erudita ocidental, situada entre a segunda metade do Século XVIII e o início do Século XIX), onde está situado Marcos Portugal, apresentou-nos compositores de grande fôlego, tais como Ludwig van Beethoven (1770-1827), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Joseph Haydn (1732-1809), todos elementos da maior relevância, entre um razoável número de grandes nomes do período. Esse Ciclo iniciou-se em 1730, com o italiano Giovanni Battista Sammartini (1700-1775), encerrando-se em 1800, com o austríaco Franz Peter Schubert (1797-1828).

Devido à predileção da família real pelo seu trabalho, no ano de 1792 Marcos Portugal consegue uma bolsa da coroa portuguesa para estudar oito anos na Itália, o que lhe permitiu aprimorar-se na composição. Em 1800 estava de volta a Lisboa, onde permaneceu por alguns anos.

Enquanto, em novembro de 1807, o general Jean-Andoche Junot (1771-1813) está a preparar a invasão de Lisboa, D. João VI (1767-1826) insiste com Marcos Portugal para que o acompanhe ao Rio de Janeiro, numa viagem estratégica, elaborada pelo monarca português, para garantir a coroa, após a invasão dos franceses (Junot entrou em Lisboa no dia 30 de novembro e ainda chegou a avistar os navios que levaram a família real para o Brasil). Marcos Portugal não acata o pedido de D. João VI, decidindo manter-se em solo lusitano. Somente em 1811, acompanhado de seu irmão, o também músico, Simão Vitorino Portugal (1774-1825), ruma para o Brasil, aportando no Rio de Janeiro no dia 11 de junho.

Quando chegou à Baía de Guanabara, por lá encontrou o sublime José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), que era, à época, Mestre da Capela Real, nomeado por D. João VI. Encontrando-se esse desejado cargo ocupado, Marcos Portugal foi, então, indigitado Mestre de Suas Altezas Reais, ficando responsável pelas composições, nas mais diversas circunstâncias religiosas, sociais e políticas, em que D. João VI comparecesse. Em 1813, por mérito, obteve o cargo de Maestro do recém-inaugurado Teatro de São João.

Em 1822, D. Pedro I do Brasil (1798-1834), “O Libertador”, filho de D. João VI, oficializa a independência do país. Marcos Portugal decide não acompanhar o regresso a Lisboa da corte portuguesa, em 1821, e permanece no Rio de Janeiro.

O excelso compositor, que entretanto obteve a nacionalidade brasileira, teve as suas obras admiradas por toda a Europa, sendo reputado como um dos melhores compositores da História da Música. Morreu vítima de um terceiro ataque apoplético, a 17 de fevereiro de 1830, no Rio de Janeiro.

O “Requiem for Queen Maria I of Portugal (1816) – Dies Irae”; A “Beatissimae Virginis Mariae das Matinas (1802)”; E a “Missa Grande (1782-1790)”, são três composições belíssimas, da autoria de Marcos Portugal, que podem ser o mote para o início das homenagens a esse grande nome da música. Vamos ouvi-las!

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