Autarcas, acompanhados por bombeiros, bateram porta a porta para reunir verbas para os soldados da paz. A iniciativa é realizada anualmente e uma vez mais notou-se a preocupação em ajudar os bombeiros. Simbolicamente foram entregues cheques gigantes à corporação por cada presidente das doze juntas de freguesia das Caldas da Rainha.
Para além do dinheiro, houve outras ofertas: comida para o convívio que se seguiu à entrega dos cheques e a própria animação musical, com artistas a oferecerem o seu trabalho em prol dos bombeiros, numa festa no quartel dos bombeiros que mostrou a boa relação da população com os soldados da paz. Participaram Rebeca e bailarinas, Acordes no Páteo (com Melanie Russo) e a tuna académica da ESAD.CR.
“Fizemos o que nos competia, que era angariar o mais possível para os bombeiros, que quando nós precisamos estão logo prontos para nos socorrer”, manifestou Virgílio Filipe, presidente da Junta de Freguesia de Vidais, que foi o porta-voz dos restantes colegas. “Quando se fala dos bombeiros todos dão um donativo, mais ou menos, ninguém nos fecha a porta”, contou.
Ao montante angariado junto das populações foi acrescentado um donativo na ordem dos 22 mil euros da Câmara Municipal. O comando dos bombeiros também ajudou, assim como os operacionais que fizeram parte das equipas de combate a incêndios florestais entre junho e outubro, que prescindiram das gratificações ao fim de semana e entregaram à associação humanitária 9500 euros. Tudo somado chega aos 124 mil euros (menos 4500 do que no ano passado, um ano difícil devido aos fogos florestais e daí um contributo maior, e mais 7 mil do que há dois anos).
Agradecem os 109 elementos do corpo ativo que dão resposta a cerca de 55 mil habitantes. “Todo este dinheiro que está aqui serve para as obras, para o equipamento e para outras coisas. Se não houvesse este contributo se calhar não podíamos ter todos os bombeiros equipados e com viaturas novas”, declarou Abílio Camacho, presidente da associação humanitária dos bombeiros.
Nelson Cruz, comandante dos bombeiros, sublinhou que apesar deste ano “ter sido mais fácil no que diz respeito aos incêndios florestais, tivemos muito trabalho na mesma”, o que se comprova pelos números desde janeiro até agora: 218 mil pessoas transportadas para consultas e tratamentos hospitalares, 6 mil vítimas socorridas em acidentes e doenças súbitas e mais de 130 incêndios combatidos no concelho e no país.
O comandante aproveitou para mostrar a sua insatisfação: “Estou indignado com a forma como estamos a ser tratados por este governo. Quer acabar com o voluntariado mas nós não deixamos”.
A corporação caldense tinha participado na véspera com sete veículos e trinta elementos no protesto que juntou milhares de bombeiros em protesto em Lisboa.
Também o presidente da Câmara critica a postura do governo perante os bombeiros. “O país não tem capacidade para ter bombeiros profissionais em todos os concelhos. O orçamento das autarquias não comportaria esse investimento. Só com o voluntariado e a dedicação dos bombeiros é que é possível ter uma equipa capaz de agir sem sobrecarregar em demasia o estado, que devia era dar o seu contributo para que as associações de bombeiros voluntários tenham as melhores condições possíveis”, frisou Tinta Ferreira, que defendeu a criação de um incentivo ao voluntariado, através de valorização do tempo que cada um dedica à corporação.
Valores dos donativos
A-dos-Francos: 5.600,00 euros; Alvorninha: 6.0700,00 euros; Carvalhal Benfeito: 3.500,00 euros; Foz do Arelho: 3.250,00 euros; Landal: 3.600,00 euros; Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório: 22.593,65 euros (Coto 2.050,00 euros + São Gregório 3.239,56 euros); Nadadouro: 4.060,00 euros; Salir de Matos: 8.000,00 euros; Santo Onofre e Serra do Bouro: 13.950,00 euros (Santo Onofre 10.250,00 euros + Serra do Bouro 3.700,00 euros); Santa Catarina: 6.259,69 euros; Tornada e Salir do Porto: 9.934,98 euros; Vidais: 5.000,00 euros; Câmara Municipal das Caldas da Rainha: 22.000,00 euros; Comando e corpo combatente: 9.545,00 euros.
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