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Caldense Jorge Mangorrinha desenvolve projeto “Fado à La Carte”

Francisco Gomes

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O Jornal das Caldas entrevistou Jorge Mangorrinha a propósito do projeto “Fado à La Carte”, cujo espetáculo de apresentação está proposto à autarquia caldense, mas que desde agosto passado espera agendamento. A partir de poemas seus, que contam uma refeição completa, desde as entradas à conta, os dez temas têm música de Tiago Machado e a voz de FF, dois artistas do panorama musical e teatral.
Jorge Mangorrinha

Jornal das Caldas – Como surgiu o projecto “Fado à La Carte”?

Jorge Mangorinha – Este projecto decorre de um outro, “Viagens do Fado”, que foi integrado na candidatura de Idanha-a-Nova a “Cidade Criativa” da UNESCO, em 2015, portanto, concebido neste contexto desde 2014 e apresentado no Centro Cultural Raiano, dois anos depois, sob o signo do “Fado sem Fronteiras”. A partir desse primeiro disco, Idanha patrocinou a gravação de “Fado à La Carte”, no ano passado, e entendeu-se que este novo projeto podia fazer a ponte entre aquela “Cidade Criativa” e uma outra que se candidatasse ao mesmo galardão, por exemplo Caldas da Rainha.

JC – E o que falta?

JM – Falta a assunção formal do interesse que nos foi dado verbalmente para a organização de um espetáculo, neste caso inédito. Há outros locais que manifestaram interesse, mas dado que esta é a terra de origem de um dos três elementos principais do projeto, aguardamos, então, até que a vontade política se decida e a burocracia se ultrapasse.

JC – Como é que se estrutura a sequência dos temas?

JM – Tive a ideia de escrever poemas que, no seu conjunto, dão sequência a uma refeição à portuguesa. Foi um desafio para mim, como autor, e para o Tiago Machado, como compositor, para que, através das palavras e da música, se elevasse ao estatuto de canção o ato de degustação. Os poemas surgiram primeiro, escritos numa semana de inverno do início de 2017, e a composição musical também foi feita muito rapidamente através do talento do Tiago. A voz foi a melhor que poderíamos ter tido, porque o FF é um cantor com uma notável versatilidade, tal como se pôde recentemente assistir nas Caldas. A gravação decorreu no verão desse ano, com os melhores instrumentistas, designadamente da Fundação Calouste Gulbenkian.

JC – Estes projectos, mais a sua participação, como autor, no Festival RTP da Canção, em 2015, e o estudo que fez sobre a Eurovisão, mesmo antes de se saber que Portugal o venceria e o organizaria em Lisboa, abriu-lhe o campo de atuação pública, para além do que se lhe conhece em termos profissionais e cidadania. Mas será que a música sempre lhe esteve directa ou indiretamente associada?

JM – Familiarmente. E em termos formativos, frequentei a Academia dos Amadores de Música, em Lisboa. Há poucos anos, comecei a escrever para alguns compositores, e o convite para escrever uma canção para o Festival aconteceu por volta das “Viagens do Fado” e do estudo sobre a Eurovisão.

JC – Já escreveu, por exemplo, para José Cid, Ana Laíns, Teresa Radamanto, Vânia Fernandes, Rão Kyao, Ricardo Ribeiro, Paulo de Carvalho e Ivan Lins. O que é que musicalmente gostaria de fazer mais?

JM – Eu não sou profissional das canções. Faço-as por impulso, porque me apetece escrever ou porque tenho um tema de que gosto e quero explorar em termos poéticos para uma canção.

JC – E as Caldas poderiam fazer parte das suas canções?

JM – Nas Caldas há matéria-prima, desde maestros, instrumentistas e vozes notáveis. Há o Conservatório. Há o Centro Cultural e Congressos. Eu tenho ideias, mas não sei se terei cidade para que, politicamente, entendam a mais-valia da aposta na criação e nos recursos locais face ao gasto na importação de outros nomes.

JC – Mas são apostas incompatíveis?

JM – Não, o que importa é não secundarizar os recursos que o concelho e a região têm, para além de que urge dar uma gestão diferenciada aos espaços culturais e urbanos da cidade. O novo e o inédito fazem toda a diferença no posicionamento competitivo das cidades.

JC – E o seu futuro?

JM – Ajudar a que um fado triste se torne num fado alegre.

Fado à La Carte

Autor: Jorge Mangorrinha

Produtor e Compositor: Tiago Machado

Intérprete: FF

Jorge Mangorrinha é professor universitário e quadro dirigente da Câmara Municipal de Lisboa. Formado em Arquitetura, em História (ramo Património), em Urbanismo e em Turismo, desde a licenciatura ao pós-doutoramento. Frequentou a Academia dos Amadores de Música. Autor multifacetado.

Tiago Machado é professor, músico e produtor, com formação em piano pela Escola de Música do Conservatório Nacional. Como compositor, cria obras para muitos artistas, como Mariza, para quem compôs “Ó Gente da Minha Terra”, um dos temas mais popularizados. “Soundlapse” é a sua estreia em disco.

FF é cantor e ator. Participa em diferentes programas e séries de televisão e em peças musicais. Mais recentemente, tem participado nos espectáculos “Simone” e “Zé Manel Taxista – Uma comédia com brilhantina”. O seu último disco é “Saffra”.

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