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Câmara anuncia em lançamento de livro sobre o bairro

Obras de regeneração urbana vão melhorar Bairro das Morenas

Francisco Gomes

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Numa ação de promoção do sentimento de pertença e conservação do espaço envolvente, realizou-se na tarde do passado sábado, no parque infantil do Bairro das Morenas, um encontro com vista à apresentação e entrega do livrinho “Conversas com História - Bairro das Morenas” aos moradores daquele bairro. A ocasião foi aproveitada para o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha anunciar investimentos que visam melhorar as condições deste bairro, cujos moradores rejeitam ser um dos mais degradados da cidade.
Moradoras no Bairro das Morenas com o livrinho

O “Conversas com História” dedicado ao Bairro das Morenas é o terceiro livro desenvolvido pelo Centro de Recursos Comunitário da Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha – CLDS 3G, depois dos lançados sobre o Bairro de São Cristóvão e o Largo João de Deus. O objetivo é fortalecer o sentimento de pertença e identidade dos moradores ao seu bairro.

Neste caso, a obra foi realizada com a colaboração de oito moradores do bairro (Zé Maria, de 78 anos, João Maria, de 74 anos, Maria Eugénia, de 70 anos, Manuel Rocha, de 67 anos, Esmeralda Rocha, de 67 anos, José Martins, de 52 anos, Teresa Cidade, de 47 anos, e Luís Machado, de 45 anos) e da União de Freguesias das Caldas da Rainha – Santo Onofre e Serra do Bouro. Foram relatadas histórias do bairro, para ficarem num pequeno livro e serem recordadas e transmitidas às novas gerações e a novos moradores que ali se possam instalar.

Localizado a sudoeste do concelho das Caldas da Rainha, o Bairro das Morenas faz estrema com o concelho de Óbidos, a Salgueirinha, o Bairro Santo António, a linha férrea, o Monte Olivett e Quinta do Pinheiro Manso.

Em finais da década de 30, início da década de 40 do século passado, esta povoação era denominada por Casal da Junqueira, onde a população caldense habitualmente ia comprar leite e queijo aos moradores, que viviam quase exclusivamente da agricultura.

Residiam ali cerca de quinze pessoas e o bairro teve algumas dificuldades de desenvolvimento devido à falta de acessibilidades, que eram em terra batida e que, com a água da chuva, se transformavam em lama. Ainda assim era pelo local que passavam as pessoas que viviam em povoações do concelho de Óbidos (o que ainda hoje acontece).

Só em 1961 é que passou a designar-se como Bairro das Morenas, abrangendo uma área maior do que a atual. Aos poucos apareceram algumas infraestruturas, como um parque infantil e um palco para festas. Chegou a existir uma coletividade – o Grupo Desportivo Morenense – que apenas durou quatro anos. Também existiu um grupo de pescadores.

Há 45 anos não havia água no bairro. Foram os moradores que fizeram um peditório para angariar dinheiro, que depois entregaram à Câmara para fazer a ligação necessária dos ramais.

Lalanda Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal, recordou que no início dos anos 80, quando foi presidente da Câmara, foram comprados terrenos para permitir aos moradores adquiri-los a preços simbólicos, de modo a se conseguir a legalização de muitas casas do bairro, que estavam construídas de forma clandestina.

Foram instalados cafés, mercearias e outros espaços comerciais. Nos finais da década de 90 foram construídas novas urbanizações e o espaço considerado como Bairro das Morenas tem vindo a diminuir, já que foram dados outros nomes às novas zonas, cujos moradores não se sentem como fazendo parte do bairro, o que causa alguma mágoa aos residentes mais antigos.

Entretanto o bairro passou a dispor de um jardim de infância (onde havia uma escola primária feita em pré-fabricado, na qual à noite existiam cursos destinados à alfabetização de adultos) e da escola básica de Santo Onofre.

A história do bairro relatada no livro não está fechada, podendo ser acrescentados mais contributos que sirvam para complementar o trabalho realizado.

Melhorar a curto prazo

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, anunciou que está previsto o projeto de reabilitação urbana da cidade contemplar o bairro.

“É cerca de meio milhão de euros em intervenções nas ruas e passeios na zona central”, indicou. Estão a ser feitos os projetos, para serem lançados em concurso no próximo ano e serem executados em meados de 2020.Também será feita a requalificação do parque infantil, grande parte em piso sintético, numa intervenção que se insere na reabilitação de outros parques infantis na freguesia.

De acordo com o presidente, “quando interviermos nas ruas, também os moradores poderão ficar motivados para melhorar as habitações, como aconteceu em outras zonas da cidade”.

Tinta Ferreira reconheceu que “falta uma colectividade, algo que fizesse com que as pessoas do bairro tivessem um espaço associativo”, mas destacou a qualidade do jardim de infância e da escola básica integrada.

Jorge Varela, presidente da União de Freguesias das Caldas da Rainha – Santo Onofre e Serra do Bouro, revelou que a junta vai antecipar-se à reabilitação de espaços públicos “porque há uma situação que não pode esperar mais – as duas ruas que conduzem do centro do bairro até à EBI de Santo Onofre não têm passeio, o que faz com que as crianças circulem na estrada. Vamos avançar com a construção de uma calçada”.

Para o autarca, derivado do passado clandestino do Bairro das Morenas, “criou-se um preconceito em relação ao bairro que hoje em dia não faz sentido, e temos vindo a trabalhar para que em breve as pessoas digam com orgulho que são do Bairro das Morenas”.

Após a apresentação do livro, entregue a cada morador presente, seguiu-se um lanche-convívio.

Esmeralda Nobre, 68 anos

“Nasci, cresci, casei e tive aqui as minhas filhas. Tenho muito orgulho neste bairro. Antigamente diziam muito mal do bairro. As pessoas não queriam meter os filhos nesta escola, mas temos o essencial para viver e não saía daqui para lado nenhum. Temos um terreno livre que era onde se faziam as festas e precisávamos de mais uma diversão para os jovens, porque só há o parque infantil e não serve para, por exemplo, jogarem à bola”.

Sónia Enxuto, 42 anos

“É o melhor bairro que existe nas Caldas, em termos de afetividade. A meu ver não falta nada. Há harmonia e camaradagem entre as pessoas. É o principal. As pessoas ao virem para cá ficam com outra perspetiva e acabam com os preconceitos. O bairro tem vindo a crescer com pessoas de fora, que não voltam a sair e até trazem mais pessoas”.

Francisco Venâncio, 15 anos

“Gosto de viver aqui porque é tranquilo e pacífico, mas acho que faltam atividades para a juventude. Os jovens passam aqui pouco tempo e vão para outro sítio, por exemplo, jogar à bola, uma vez que não há parque desportivo, que era uma coisa boa se fosse construído. Se houvesse apareciam mais jovens, porque haveria mais motivos de convívio”.

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