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Comissão da Assembleia Municipal relata degradação de meios

Relatório sobre Hospital das Caldas vai ser apresentado ao ministro

Marlene Sousa

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A nova comissão do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), que foi constituída em novembro de 2017 na sessão da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha (AMCR), elaborou uma estratégia de intervenção política que irá ser apresentada numa reunião futura com o ministro da Saúde com o objetivo de impedir a continuada desagregação dos serviços hospitalares, quer em pessoal quer em meios técnicos, colocando em causa os cuidados de saúde a prestar à população.
Segundo o relatório a requalificação do serviço de urgência médico-cirúrgica não terá o resultado pretendido, se não forem realizadas intervenções na unidade de cuidados continuados e de internamento e a reorganização da urgência em termos estruturais

A comissão, constituída por nove elementos de todas as forças partidárias e dirigida pelo presidente da AMCR, Lalanda Ribeiro, com a presença da vereadora Maria da Conceição em representação da Câmara, apresentou um relatório respeitante ao resultado da audição de diversas personalidades e responsáveis dos serviços do CHO.

O relatório, a que o JORNAL DAS CALDAS teve acesso, destaca uma situação particularmente difícil na “urgência, um défice de cuidados hospitalares públicos, uma insuficiência de equipamentos hospitalares, a dispersão de recursos por diferentes unidades, camas hospitalares encerradas, a falta de camas de internamento e, por causa disso ficam em macas nos corredores das urgências e da unidade de cuidados intensivos/intermédios, respeitante a uma área com 300 mi habitantes e a dificuldade evidente em atrair profissionais qualificados para a região”.

Igualmente se verifica a “carência de recursos humanos, nomeadamente de enfermeiros e assistentes operacionais”.

Quanto ao alargamento e requalificação do serviço de urgência médico-cirúrgica das Caldas, que se encontra em obras, o documento indica que foi claramente referido que esta solução “não terá o resultado pretendido, se não forem realizadas intervenções similares na unidade de cuidados continuados e de internamento (de medicina interna) e obviamente, a reorganização da urgência em termos estruturais”.

Por isso, salientaram os elementos da comissão, “se não existir a definição de políticas que invertam realmente a atual situação de encerramento de serviços e concentrações hospitalares em nome de economias de escala levadas a um exagero incompreensível, em pouco tempo perderemos o que resta do Hospital das Caldas”.

Problemas relevantes no CHO

O relatório elaborado assinalou como um problema relevante o “serviço de urgência com a existência de doentes internados em macas na urgência quando existem camas livres noutras unidades do CHO, o que coloca em causa o tratamento do doente”. O documento refere ainda que “os médicos ultrapassam facilmente o número de horas extraordinárias previstas para o ano, sendo o conselho de administração do CHO obrigado a recorrer a serviços externos”.

Quanto à “anestesiologia”, o relatório revela que é muito preocupante a situação verificada, devido ao número de profissionais que já deixaram e se prevê que continuem a deixar de exercer funções durante o presente ano, com todas as implicações que irão provocar no normal funcionamento do Hospital das Caldas, nomeadamente na atividade cirúrgica.

A carência do número de enfermeiros é outra situação relevante. Também foi referido que existe um número de dias em débito muito significativo a estes profissionais, que ascende a muitos milhares no total da instituição, o que faz diminuir a qualidade dos serviços prestados aos utentes e provoca um ambiente de total desmotivação.

Diz ainda o relatório que a redução de médicos e enfermeiros na urgência e existência de instalações, meios e equipamentos degradados e obsoletos pode vir a encerrar a especialidade de ginecologia/obstetrícia.

Os elementos da comissão recordam que, aquando da fusão em CHO ficou claramente definido que Caldas ”iria ver transferido o serviço de ortopedia para Torres Vedras, mas que, por sua vez iria ser transferido o serviço de obstetrícia para Caldas, já que este sempre teve uma forte tradição de boa prestação de cuidados na área da saúde materno-infantil em Caldas da Rainha”

Os membros desta comissão temem ainda o encerramento da pediatria. “O número reduzido de médicos pode inviabilizar o seu normal funcionamento, bem como dos serviços de urgência pediátrica e neonatologia. Como consequência deste défice pode também conduzir ao encerramento do serviço de obstetrícia”.

O serviço de radiologia é outra área apontada no relatório, revelando que tem “três unidades a funcionarem (Caldas, Torres e Peniche) e existem somente dois médicos radiologistas”. Associada a esta questão, adianta o documento que se registou “a situação de uma doente que faleceu em dezembro de 2015, com o diagnóstico incorreto de tomografia computorizada relatada por telerradiologia”. “Perante este cenário difícil de controlar, que acarreta vários problemas e disfuncionalidades, é frequente o Manual de Boas Práticas da Ordem dos Médicos não ser cumprido”, vinca.

Revela ainda o relatório que cerca de 60% dos médicos tem mais de 55 anos, ou seja, caso queiram podem deixar de fazer urgência.

“Por se verificar a saída de médicos para a reforma, a capacidade do Hospital das Caldas da Rainha para formar novos médicos está no limite, havendo grande dificuldade para se avaliar a idoneidade dos serviços. É óbvio que a diminuição acentuada de especialistas seniores tem implicações na formação de novos médicos. Este assunto é muito importante porque os médicos deixam os hospitais do Serviço Nacional de Saúde, enquanto os privados têm as suas equipas preenchidas”.

Para os elementos da comissão do CHO, “as atuais condições de assistência hospitalar ultrapassam, em várias das suas valências, os limites mínimos de segurança aceitáveis para o tratamento dos doentes críticos”.

Foi indicado aos autarcas que é “necessário criar novas valências, nomeadamente a unidade de cuidados intensivos e o laboratório de anatomia patológica, apesar de já existir no mapa do pessoal do CHO um anatomo-patologista”.

Aos membros da comissão foi sublinhado ainda que “geralmente verificam-se situações continuadas de má gestão e organização do conselho de administração”.

A metodologia adotada para a elaboração do relatório foi a de “ouvir o maior número de intervenientes diretos credíveis com função institucional no CHO, realizando-se, para isso, três sessões, que decorreram nos dias 3 de julho, 24 de julho e 1 de agosto.

A comissão do CHO aprovou, em reunião que decorreu a 4 de setembro, levar estas questões aos grupos parlamentares da Assembleia da República, onde serão ouvidos no dia 20 de setembro.

A questão do hospital novo para a região oeste é outro assunto que a comissão quer levar ao ministro da Saúde.

A comissão é constituída por: PSD – Filomena Rodrigues e Pedro Marques; PS – Manuel Nunes e José Carlos Abegão; CDS – Manuel Isaac; CDU – Vítor Fernandes; BE – Carla Jorge; Presidente da UF de Nª. Sr.ª do Pópulo, Coto e Sª. Gregório – Vitor Marques; Presidente da UF de Sª. Onofre e Serra do Bouro – Jorge Varela. Secretária – Natércia Tempero.

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