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Caldas assinalou 91 anos de elevação a cidade no “Largo João de Deus”

Marlene Sousa
29 de Agosto, 2018
No passado domingo 26 de agosto, foi assinalada a elevação das Caldas da Rainha a cidade, que ocorreu em 1927, com várias iniciativas que se iniciaram no Bairro João de Deus.
O lançamento do livrinho “Conversas com História – Bairro João de Deus” marcou a comemoração da elevação das Caldas a cidade

Este ano coube à União das Freguesias de Caldas da Rainha- Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório organizar a cerimónia.

O lançamento do livrinho “Conversas com História – Bairro João de Deus” que marcou esta comemoração, conta a história do Largo João de Deus, com testemunhos, para que esta possa ser recordada. O livro tem um formato que permite acrescentar folhas, permitindo acrescentar mais registos e imagens.

Dignificou esta cerimónia o momento musical com Joaquim António (Quitó) e Orlando Trindade que tocaram vários temas. O músico Pedro Caldeira Cabral juntou-se ao grupo, onde trouxeram o som dasocarinas, instrumentomusical,feitoem cerâmica na Fábrica Rafael Bordalo Pinheiro. Tocaram ainda guitarra (variações sobre o fado).

O executivo da Junta aproveitou a ocasião para fazer uma visita à Mata (Jardim da Rainha) mostrando às pessoas a requalificação do espaço, nomeadamente a recuperação do parque das merendas e dos dois Chafarizesali existentes, que estavam vandalizados e sem grande parte dos azulejos que foram executados novamente pela Faianças Bordalo Pinheiro.

Caldas da Rainha foi elevada a cidade a 26 de agosto de 1927. Vítor Marques, presidente da União das Freguesias de Caldas da Rainha-Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, que este ano presidiu as comemorações, destacou a importância da “data”, uma vez que aconteceu porque “existia já na altura um desenvolvimento considerável na região, devido ao termalismo e à atividade desenvolvida pela comunidade caldense”, considerando que tem que ser “celebrada e festejada dignamente”.

E foi o que fez, levando este ano a celebração ao primeiro centro histórico da cidade, o Bairro João de Deus, que tem origem em torno do Hospital Termal, fundado em 1485 pela Rainha D. Leonor. “É o coração da nossa cidade. Temos o Hospital e o largo com muita antiguidade”, salientou o autarca, destacando “a requalificação do edificado num bairro tão emblemático como este”.

O autarca, quer trazer mais dinâmica a este largo, e pretende abrir a Capela Espírito Santo na altura do Natal com um presépio emblemático.

Para assinalar este dia, foi lançado o livrinho “Conversas com História – Bairro João de Deus” que resulta de uma parceria da União das Freguesias de Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório, com o Centro de Recursos Comunitário de Santa Casa da Misericórdia das Caldas (CLDS 3G) e 6 moradores do bairro, em pleno centro histórico da cidade das Caldas.

O livro surge da compilação das conversas que foram partilhadas, numa tentativa “de contar a história do Largo João de Deus, para que esta possa ser recordada e transmitida as novas gerações”.

O livrinho tem imagens e informação sobre a história do bairro, e é também composto por testemunhos importantes, que colaboraram nas “conversas com história”. Por exemplo, a janela da oficina do sapateiro do Sr. Filipe, que estava aberta todo o dia e era ali que se atendiam os clientes”. “No Bairro, no início dos anos 50 também existiu um clube de futebol. Raul Proença, o escritor e criador do “Guia de Portugal”, nasceu e viveu no Largo, na casa que se situa em frente ao antigo “Hotel Madrid”. A família Martins Pereira foi proprietária da primeira Instituição Financeira, e também ali nasceu o Sargento Adriano, que também era árbitro de futebol e tinha uma boa relação com os jovens residentes no “Bairro”. Como estas, estão muitas histórias no livrinho que “não está terminado”. “Ele tem um formato que permite acrescentar histórias”, disse, Vítor Marques, convidando os moradores “a darem o seu contributo com a disponibilidade de informação, fotografias ou outros registos que considerem importantes para complementar o trabalho realizado”.

O livro foi entregue aos moradores do bairro, e também às entidades e elementos do PSD, PS e CDS/PP que estiveram presentes.

O presidente da Assembleia Municipal, Lalanda Ribeiro, destacou o Largo João de Deus que tem “história” e que criou “um sentimento de pertença”.

O presidente da Câmara das Caldas, Tinta Ferreira que também esteve presente na cerimónia, referiu, que “tal como o passado” é no contexto das “águas e das artes que temos que nos focar e continuar inseridos”.

O autarca salientou, o grande desafio que têm pela frente, com a “reabertura do Hospital Termal”, salientando que a aposta é “continuar a contribuir para a cultura, com as variadas expressões, na música, no teatro, na escultura, pintura, cerâmica entre outros”. O presidente da autarquia sublinhou ainda que o dever é dar sequência “ao passado” e “este momento de comemoração é um assinalar dessa pujança, dessa dinâmica das Caldas, que olhando para o passado, queremos obviamente dar continuidade no futuro”.

Visita à Mata

Uma visita pelo Jardim da Rainha e ao Parque das Merendas, mostrando a intervenção que tem sido feita, fez parte desta cerimónia, onde Vítor Marques apelou às pessoas que “visitem e usufruem da Mata, porque quanto mais afluência houver menor será o vandalismo”.

Um dos momentos altos da cerimónia, foi a apresentação da recuperação do parque das merendas e dos dois Chafarizesali existentes, que estavam vandalizados e sem grande parte dos azulejos. A azulejaria que foi colocada, foi uma replica da original, executada pelo ceramista, Vítor Formigo da área de modelação das Faianças Bordalo Pinheiro.

Houve uma paragem também na zona de compostagem e deposição de resíduos provenientes do Parque D. Carlos I e Mata.

Recorde-se que as intervenções na Mata e também da zona de compostagem, tem a colaboração do Centro Especial Rainha D. Leonor.

O presidente da Junta revelou que a intervenções vão continuar a decorrer, com o objetivo de melhorar a Mata, onde vai haver uma área para jogos tradicionais. Pretende ainda no futuro, fazer um projeto de reflorestação da Mata Rainha D. Leonor.

A União das Freguesias de Caldas da Rainha-Nossa Senhora do Pópulo, recebe do Município a verba de 200 mil euros para a manutenção do Parque e da Mata, que para Vítor Marques, “é o que temos para fazer o nosso melhor”.

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