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Plano de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas pretende preparar a região para fenómenos do futuro

Marlene Sousa

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A Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCIM) deu início ao desenvolvimento do seu Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas da Região Oeste – OestePIAAC, que será apresentado ao público num seminário que terá lugar em junho de 2019. Na sessão serão apresentados os principais resultados obtidos ao longo do processo de elaboração do Plano, nomeadamente as medidas a serem implementadas e três cenários climáticos projetados até 2100, para a região Oeste.
Seminário de apresentação do início do Plano, que está a ser elaborado por uma equipa de 40 técnicos

O plano das alterações climáticas para os doze municípios é “fundamental” para preparar a região para uma “realidade cada vez mais presente”, disse Pedro Folgado, presidente do Conselho Intermunicipal da OesteCIM. “É importante que pelo menos na nossa região percebamos que alterações são essas e quais são os impactos”, adiantou o responsável no seminário inicial do OestePIAAC, que decorreu na passada quarta-feira na sede da OesteCIM.

O documento que está a ser desenvolvido por uma equipa de 40 especialistas de uma forma articulada vai “atualizar os cenários climáticos esperados no Oeste, reduzindo as incertezas associadas aos fenómenos naturais, o que é fundamental para orientar as estratégias e serviços das autarquias para resultados eficazes”, declarou.

Para Pedro Folgado, é “importante o envolvimento de todos neste processo, não só dos doze municípios que compõem a OesteCIM, mas todos os parceiros e entidades que se preocupam com esta temática aqui representados para que esta parceria funcione e todos ganhemos neste processo”.

“As alterações climáticas são um dos maiores desafios com que a humanidade se depara no século XXI, tendo os seus impactos a capacidade de fazer reverter décadas de desenvolvimento, com efeitos especialmente gravosos nos territórios”, alertou, Heitor Gomes, do CEDRU – Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano, que está a elaborar o OestePIAAC.

No que se refere ao estudo, Heitor Gomes, referiu este tem como “principal objetivo estratégico reforçar o conhecimento e a informação em matéria de mitigação das emissões e de adaptação aos efeitos das alterações climáticas” e, a partir daí, prever “a definição e implementação de medidas e ações concretas”.

Segundo este responsável, o intuito é “conhecer a realidade climática e a sua possível evolução, identificar os impactos atuais e futuros e avaliar as vulnerabilidades atuais e futuras às alterações do Oeste”. Pretendem ainda com o programa, “estabelecer o quadro de medidas de adaptação locais e intermunicipais de adaptação dos setores estratégicos e a sua integração na gestão do território e disponibilizar e disseminar conhecimento, assegurando uma estratégia comum, participada e direcionada para a implementação do Plano”.

Outro dos objetivos é “aumentar a consciencialização dos atores regionais para as alterações climáticas, os seus problemas, desafios e oportunidades”.

De acordo com o elemento do CEDRU, este é um processo que foi iniciado muito recentemente e a OesteCIM está no “pelotão da frente das comunidades intermunicipais que estão a construir e a desenvolver os seus planos de adaptação às alterações climáticas a esta escala”.

“Trata-se de um processo que no nosso país ainda está a dar os primeiros passos e nosso território precisa de ser mais resiliente a estas alterações”, sublinhou Heitor Gomes, acrescentando que “é por isso que a adaptação às alterações climáticas é um dos principais desafios para Portugal”.

“Enfrentar este desafio exigirá a integração das questões climáticas em todos os setores”, apontou, este responsável, adiantando que no final “vamos ter ações muito direcionadas para a sensibilização da comunidade escolar e estratégias muito específicas nas áreas da economia, agricultura e florestas, saúde humana, entre outras”. O Plano integrará, por exemplo, que “procedimentos nas edificações, telhados verdes no sentido de baixar temperaturas quando elas forem muto elevadas, formas de como e que áreas industriais se deve organizar o território de modo a evitar ou minimizar os impactos negativos que podem resultar de incêndios grandes”.

A equipa vai produzir três cenários climáticos até 2100 para o Oeste e Heitor Gomes revelou que “vamos ter no Oeste mais ondas de calor, mais dias de precipitação intensa e menos chuva na sua distribuição como conhecíamos ao longo do ano e mais episódios de fenómenos extremos que causarão seguramente muitos danos”.

A primeira fase de elaboração do Plano, onde já foi criado o logotipo e que termina em setembro de 2018, é no âmbito da contextualização. A segunda fase integra a avaliação de impactos e vulnerabilidades e terminará a 28 de fevereiro de 2019. Opções de adaptação, integração e gestão é a terceira fase, que estará concluída a 28 de julho de 2019 com a apresentação do relatório de resultados.

António Lopes, professor de climatologia no IGOT – Instituto de Geografia e Ordenamento do Território faz parte da equipa de elaboração do Plano. Iniciou o estudo e vai colaborar na contextualização das alterações climáticas e na cenarização do clima da região Oeste.

Para este especialista, existem basicamente três formas de lidar com as alterações climáticas. “Quanto melhor for a mitigação menos temos que nos adaptar”, apontou, revelando que “os custos de inação são muito elevados”.

Adaptação à agricultura

João Tiago Carapau, da empresa We Consultants, que também foi orador neste seminário, falou da importância de estratégias na adaptação às alterações climáticas no que concerne à economia verde: agricultura e turismo. Segundo este responsável, prevê-se “a alteração de rendimentos agrícolas em 2050 em resultado de alterações nos padrões de temperatura e precipitação”.

A tendência para um maior número de dias quentes sem grande amplitude térmica, pode, de acordo com João Tiago Carapau, ter influência negativa na formação dos pigmentos próximo da maturação que, no caso das macieiras, “afetará a coloração dos frutos”. “Pode haver um aumento de incidência de doenças como o pedrado e estenfiliose na região Oeste pois, embora se verifique uma diminuição da precipitação na primavera, continuará a observar-se a formação de orvalho e a ocorrência de dias encobertos, e favorecimento da ocorrência de pragas, como a mosca da fruta e maior desenvolvimento do fogo bacteriano”, indicou.

O OestePIAAC foi alvo de uma candidatura apresentada ao Programa Operacional de Sustentabilidade e Eficiência do Uso de Recursos (POSEUR) com uma taxa de co-financiamento de 85%.

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