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Workshop com a jornalista Rita Montez sobre finanças pessoais

“Um bom orçamento pode salvar as contas”

Mariana Martinho

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Paga-se a prestação da casa, do carro, as contas e depois resolve-se a despesa do telemóvel, as compras do supermercado, entre outras. Ainda a lista das despesas vai a meio e o dinheiro parece já não chegar para fazer face a todas as despesas. Nesse sentido, a jornalista Rita Montez deu algumas dicas e conselhos de “Como gerir as nossas finanças pessoais?”, num workshop que decorreu no passado dia 2, na sede da Associação Coração com Vida, nas Caldas da Rainha, aconselhando a elaborar um “bom orçamento familiar” para conseguir identificar todos os gastos a efetuar.
A sessão decorreu na sede da Associação Coração com Vida

A área das finanças é “extensa” mas “com pequenos truques conseguimos baixar algumas despesas”, disse a jornalista convidada. Contudo, começou por sublinhar que “todos nós aprendemos a fazer contas na escola, mas muitos poucos aprendem a gerir ou a saber lidar com coisas mais complexas, como uma simples abertura de um crédito”.

Primeiro aconselhou a elaboração de um plano orçamental para “perceber quando e onde gastamos o dinheiro”, sendo posteriormente “mais fácil perceber onde poder cortar”.

O principal ponto da gestão financeira pessoal é “colocar tudo em ordem”, ou seja, saber o tamanho das dívidas, o prazo para pagamentos, qual o rendimento real, os gastos fixos e outros detalhes das finanças. Ainda o controlo dos gastos, exigindo que todas as saídas de dinheiro sejam contabilizadas, que “pode parecer chato, mas é necessário”.

A jornalista deu como exemplo o simples café, que “bebemos todos os dias”, pois “pode ter impacto no seu orçamento”. Afinal, mesmo sendo uma quantia pequena, segundo Rita Montez, “se pensarmos a longo prazo, um ano, por exemplo, esse valor passa a ser significativo”, mais precisamente €219.

Para Rita Montez, “contabilizar todos esses gastos permite-nos saber onde é mais fácil diminuir, cortar, substituir e adequar de acordo com sua realidade”. Além disso é necessário estabelecer algumas estratégias para poupar ou reduzir as faturas, planear e definir prioridades, cuidados a ter com os créditos e o que fazer em caso sobre endividamento.

“O orçamento é a base de tudo”

Um “bom orçamento” deve identificar em primeiro lugar as receitas, e posteriormente contabilizar as despesas fixas e as variáveis. Por último, apurar a situação líquida familiar através da subtração de todas as receitas com as despesas.

Além disso esse orçamento pode ser mensal ou então anual.

Para ajudar a elaborar o orçamento, Rita Montez recorre às aplicações grátis que ajudam a planear e a controlar os gastos, como é o caso da “Mint, You need a budget, Wally, Home budget”, entre outras. Igualmente alertou para que “deixar de lado uma percentagem para imprevistos”, como reparações e manutenção da casa e carro.

“O ideal é ter um fundo de emergência que permite viver, pelo menos, entre três e seis meses sem qualquer rendimento”, salientou Rita Montez.

Algumas das dicas que deu foi manter as torneiras sempre bem fechadas, verificar regularmente se não há fugas, procurar sempre pagar a tempo para evitar juros e multas, juntar a maior quantidade de roupa possível e passá-las de uma só vez, evitar os banhos demorados, preferir o duche, não deixar a televisão ligada sem necessidade, entre outras.

Deve-se “planear e definir as prioridades”, como pagar as dívidas, criar o hábito de economizar e ter uma reserva financeira, planear o futuro, pagar o crédito habitação, pensar na família, e continuar a poupar e aproveitar a vida.

Relativamente ao crédito, “não tem de ser necessariamente mau” pois “não há problema em financiar a compra de alguns bens, mas se o gasto com prestações já consome mais do que 30% do orçamento, está na hora de estabelecer como prioridade a redução desta dívida”.

Segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal, só em 2017 a instituição destacava a existência de “uma percentagem significativa de famílias com níveis de endividamento muito elevados face aos seus rendimentos em vários estratos”, pois emprestaram cerca de 15 mil milhões de euros às famílias portuguesas.

A jornalista também explicou que “muitas vezes as famílias não caem numa situação de rutura financeira de um dia para o outro”. Por norma, é uma “situação que começa com sinais tímidos de falta de controlo de orçamento mas que vai evoluindo, como se tratasse de uma bola de neve”.

“Sinais tímidos de falta de controlo de orçamento”

Para evitar chegar a uma “situação limite”, a jornalista aconselha a estar “atento aos primeiros sinais de descontrolo do orçamento familiar e tomarmedidas para travar o descalabro financeiro”.

Nesse sentido, alertou para o caso da conta ordenado, em que se deve evitar o uso do valor muitas vezes oferecido pelo banco, “uma vez que as taxas de juros são normalmente muito elevadas”. Relativamente ao cartão de crédito, aconselhou que se pague a fatura integralmente na data do vencimento.

Em caso de sobreendividamento, “fenómeno que causa instabilidade nas famílias não só a nível financeiro, mas também a nível social e emocional”, faz com que as pessoas entrem em situação de incumprimento. Nesse sentido, o primeiro passo e o “mais importante a fazer é dirigir-se ao banco onde contraiu o crédito, expor o problema e tentar renegociar algumas condições contratuais e chegar a acordo sobre um plano de pagamentos compatível com o vencimento”.

Mas se não conseguir entrar em acordo com o banco, Rita Montez alertou para a existência de outras alternativas possíveis como a suspensão do recurso ao crédito, redução dos gastos, elaboração de um orçamento rigoroso sustentável, consolidação dos créditos, através do contacto apoiado/mediado com os credores por forma a negociar planos financeiros adequados e sustentáveis. Em último caso, pode solicitar insolvência.

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