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Morteiros – 25 de abril e 15 de maio – dois pesos duas medidas

Rui Calisto

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Caldas da Rainha não foi brindada, no dia 25 de abril, com a costumeira saraivada de morteiros, que, por todos os anos no pós-1974, anunciavam a chegada da liberdade, ou, se quiserem, a destituição do Estado Novo.
Rui Calisto

A justificativa – que me chegou aos ouvidos – foi a de que, “os morteiros incomodam a paz e o sossego dos caldenses” e, por isso, foram suprimidos do calendário das comemorações.

Porém, qual não foi o meu espanto, quando, às 00:15 horas, do dia 15 de maio, os meus ouvidos captaram os rebentamentos comemorativos do Dia da Cidade, por 15 minutos, de modo contínuo e, porque não dizer, incomodativo à paz e ao sossego dos residentes em Caldas da Rainha.

As duas datas são importantes. A primeira para todo o território nacional e a segunda para o concelho das Caldas da Rainha. Ambas devem ser comemoradas com pompa, circunstância e entusiasmo.

A primeira aponta à conquista da liberdade do povo português (e de um desmedido avanço no crescimento político-social da nação), em detrimento de um governo reconhecidamente ditatorial que, por 48 anos, levou a maioria da população à miséria cultural e social.

A segunda toca o coração de todos os caldenses, pois, é a data em que se celebra Caldas da Rainha, e onde se homenageia a Rainha D. Leonor, fundadora do burgo, nos, já muito longínquos, finais do século XV.

Simbolicamente faz-se, também, a solene inauguração da nova época balnear, com a abertura do Hospital Termal (era, também a data de abertura do Balneário das Águas Santas, mas, este, coitado, devido a uma série de indecências políticas, foi encerrado há muito).

Em remotas épocas dizia-se em altos brados: “Nenhum caldense, de corpo e alma, é capaz, nesse dia, de faltar às comemorações”.

Mas, e quanto à antemanhã do dia 25 de abril? Caldas da Rainha não aceita o início das comemorações por parte do ribombar dos morteiros? O que se passou? Qual o peso e qual a medida para decidir o que permanece e o que acaba?

Como reage o povo caldense a essa supressão? O que tem a Assembleia Municipal a dizer? E o executivo camarário? Qual, realmente, a postura política, que sobressai nas Caldas da Rainha, no que trata às comemorações do 25 de abril?

Será que somos um concelho de livre expressão, porém, transportamos todos os principais defeitos do Estado Novo no nosso ADN?

Caldas da Rainha é uma cidade livre? Vivemos em plena democracia? Será que podemos “trazer outro amigo também”?

“Não me obriguem a vir para a rua gritar”, pois o farei, acreditando que o Ideal de abril vingará enquanto existir a autonomia e a espontaneidade de cada indivíduo. 25 de abril, sempre!

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