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Entrevista a Rui Gonçalves candidato do CDS-PP à Câmara das Caldas

“As entradas da cidade carecem de profunda reformulação, tendo em vista uma imagem apelativa para quem nos visita”

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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A cerca de um mês das eleições autárquicas, o Jornal das Caldas continua com as entrevistas aos candidatos à presidência da Câmara Municipal das Caldas da Rainha.
ui Gonçalves só se envolve em combates em que acredita

O atual vereador do CDS-PP na Câmara das Caldas, Rui Gonçalves, é candidato à presidência pelo partido nas próximas eleições autárquicas.

Rui Gonçalves, de 60 anos, arquiteto e militante do CDS-PP desde 2014, não concorda com o rumo que o concelho está a levar com a gestão social-democrata revelando que é preciso “quebrar a letargia deste sistema em que estamos mergulhados”.

Para o candidato do CDS-PP, é urgente “restabelecer uma imagem urbana condizente com o conceito de cidade termal, nomeadamente no que respeita à limpeza e manutenção do espaço público”. “O desleixo tem sido a palavra de ordem”, sublinhou.

JORNAL DAS CALDAS: Nas últimas eleições autárquicas em 2013 o CDS-PP viveu expetativa com um resultado muito à pele e sofrido. No entanto conseguiu que Manuel Isaac mantivesse o lugar de vereador e na Assembleia asseguraram os mesmos dois elementos do mandato anterior. Acredita que este é o seu tempo e do seu partido?

Rui Gonçalves – Só me envolvo em combates em que acredito e o convite da Comissão Política para me candidatar, surgiu porque estamos imbuídos do mesmo espírito, de que este é o nosso tempo.

J.C.: Rui Gonçalves tomou os destinos de vereador da Câmara das Caldas no início do ano, quando Manuel Isaac renunciou ao mandato. Que balanço faz do seu papel e considera-se uma forte oposição?

R.G. – Faço um balanço positivo, em que tenho agido em estrita conformidade com a minha consciência e sempre em função daquilo que julgo serem os interesses da população caldense e do concelho no seu todo. Não me compete avaliar o grau de oposição que tenho feito, essa compete aos caldenses, que dirão de sua justiça no dia 1 de outubro. É assim que nos regemos em democracia.

J.C.: Concorda com o rumo que o concelho está a levar com a gestão social-democrata?

R.G. – Se concordasse, não seria oposição. Somos oposição porque pensamos diferente e temos visões distintas de quem está no poder. Não esperei que fosse diferente do que está a ser, porque não era possível com as mesmas pessoas, fazer de outra forma. Anormal, seria o contrário.

Penso mesmo que neste mandato há aspetos em que a gestão autárquica piorou, por exemplo no controlo partidário da vida do concelho, seja pela colocação de pessoas de confiança pessoal ou partidária, ou pela atribuição de subsídios sem critérios definidos, que aliás temos vindo repetidamente a exigir, sem que sejam estabelecidos, ou ainda nos excessivos ajustes diretos, sem que na maioria dos casos se perceba porquê, resultando daqui, que nem todos os fornecedores têm as mesmas oportunidades.

Este controlo partidário, resultante de excessivos anos da mesma força partidária e das mesmas pessoas no poder, levam à natural acomodação, tratando a vida municipal como uma extensão da vida partidária. Isto é do sentimento público. Estamos perante uma forma enviesada de fazer política, com que não concordo de todo. Isto prejudica o funcionamento e o desenvolvimento do concelho. É por isso importante quebrar a letargia deste sistema em que estamos mergulhados.

J.C.: Que mudanças gostava de ver implementadas?

R.G – É necessário reequilibrar o tratamento dado às freguesias. Também neste mandato se adotou uma política de vantagem das freguesias urbanas em relação às outras, ou se quisermos, com uma descriminação mesmo entre as duas freguesias urbanas. É urgente reequilibrar e valorizar em pé de igualdade, as freguesias não urbanas, seja nas políticas como nos investimentos. Recordo o exemplo da definição das ARU(s) – Áreas de Reabilitação Urbana, em que as forças da oposição em conjunto, com os presidentes de Junta, tiveram um papel fundamental, para que as freguesias não urbanas fossem inseridas no processo de que inicialmente tinham sido afastadas. É necessário tomar em consideração o valor do território rural, como recurso fundamental para o desenvolvimento socioeconómico do concelho e isso não tem sido considerado.

J.C.: – Na apresentação da sua candidatura, Rui Gonçalves disse que se candidatou à liderança da autarquia porque já há bastante tempo que estuda as várias matérias relacionadas com o concelho e tem um projeto e estratégia para o seu futuro. Qual é a sua prioridade para o Concelho das Caldas da Rainha.

R.G. – Há muito percebi que era fundamental o estabelecimento de um “Modelo de Desenvolvimento” para o concelho, que seja sustentável e isso só será possível, se estiver alicerçado nos seus recursos endógenos. Nós temos a água protagonizada pelo mar, a Lagoa, mais assoreada do que nunca, mas até temos rio, embora poluído e mal tratado, mas ele existe. A água termal, sem qualquer utilidade nos últimos anos, mas é a nossa principal riqueza natural e até barragem, que a funcionar normalmente, teria muito mais potencial e aproveitamento em prol da agricultura, do que aquele que tem atualmente. E são estes recursos que têm sido desperdiçados e são fundamentais para o desenvolvimento socioeconómico do concelho.

J.C.: – A maior parte das câmaras municipais em Portugal atravessam dificuldades financeiras. Como é que estão as finanças da autarquia das Caldas? Considera que há dinheiro mal gasto?

R.G. – Pelos resultados que conhecemos, continuam com margem e são estáveis. A questão não é o presente, mas o futuro e é para o futuro, que um autarca deve ter o seu olhar e pensamento sempre atentos, prevendo e planeando a forma de desenvolver o seu território, no sentido da sua sustentabilidade financeira. Considero que isso só é possível com a captação de investimento, gerador de riqueza e criador de emprego, porque só desta forma se garante o aumento de receita, sem se aumentar a base de impostos. E é isso que não está a ser feito e a ser considerado. Há de facto uma perspetiva imediatista na gestão financeira, com despesas que são feitas sem se perspetivar o futuro. Falemos de um exemplo concreto. Quando é necessário recorrer a um empréstimo bancário de 1,5 milhões de euros, para um fim tão básico, como alcatroar ruas e estradas, estamos a subverter aquilo que é efetivamente investimento. Endividamo-nos injustificadamente. Se o estivéssemos a fazer, por exemplo para requalificar uma chamada zona industrial, urbanisticamente vergonhosa, em Parque Empresarial moderno e apelativo, tal como o CDS-PP vem a propor desde há anos, de forma a aumentar a capacidade de atração de potenciais investidores, então estaríamos a planear o futuro. Se estivéssemos a investir numa verdadeira política de captação de investimento, então sim, estaríamos a olhar para o futuro, mas não. Mas há outros exemplos. Se há alguns anos, os gestores do Município tivessem percebido que o lugar natural do Teatro da Rainha, era no CCC – Centro Cultural de Congressos, onde desde o início deveria estar, hoje e nos próximos anos, não estávamos a aumentar o endividamento em mais cerca de 1,5 milhões de euros, para a construção de uma nova infraestrutura de cariz cultural, para albergar o Teatro. Estes são apenas alguns exemplos que demonstram que estamos a viver uma perspetiva errada.

A captação de investimento, é uma competição permanente entre territórios, neste caso municípios, que exige uma dedicação atenta do gestor municipal, porque é o único caminho para o desenvolvimento socioeconómico sustentável, rumo ao futuro.

É urgente construir um concelho amigo do investidor, que não tem sido.

J.C.: Caldas da Rainha tem-se afirmado nos últimos anos com a realização de diversos eventos e iniciativas com bastante projeção, como por exemplo o Oeste Lusitano, Feira dos Frutos, iluminação de Natal. Estes eventos são sustentáveis? E podem sê-lo no futuro?

R.G – Os eventos são uma forma de atrair pessoas à cidade e como tal são importantes, principalmente quando estão diretamente relacionados com uma área da economia local, como é a Feira dos Frutos, se contribuir para a divulgação e desenvolvimento da agricultura. Esse deve ser sempre o objetivo primeiro deste tipo de certames. Ainda está longe de atingir esse objetivo. O que não podemos, é continuar a subverter a temática da feira, transformando-a muito mais num festival musical, principal motivo de atração de pessoas, do que aquilo que é de facto o seu tema. Neste caso, o investimento feito no cartaz de animação, é claramente excessivo, relativamente a tudo o que devia ser a principal atividade da feira.

Quanto ao retorno dos eventos em causa, uma questão fundamental para avaliar da sua sustentabilidade e continuidade, é desconhecido, porque nunca foi avaliado, apesar de várias vezes termos alertado para essa necessidade, existindo instituições na região que o fazem de forma científica e profissional. Claro que isto é fundamental, ou andamos a fazer investimentos errados.

J.C.: Qual é a sua estratégia para o relançamento do termalismo das Caldas?

R.G. – Os dados estão lançados, com a concessão feita ao Município e a posição do CDS-PP é pública e conhecida desde há muito. Consideramos errada a forma como se perspetiva a subconcessão do Hospital Termal e Balneário Novo ao Montepio. Sempre defendemos que a entidade deveria ter experiência comprovada na área do termalismo e capacidade financeira para alavancar, não só o início de atividade, como o cumprimento do protocolo de concessão do estado central ao Município, tendo em vista a edificação de um novo complexo termal, capaz de competir com outros destinos termais em Portugal e no mundo. Em simultâneo, consideramos o Hospital Termal numa dimensão patrimonial e museológica, mantendo uma atividade termal compatível, mas não única.

Não concordamos com a solução agora preconizada, pela falta de experiência na área e pela falta de capacidade financeira. Além de que consideramos ilegal a forma de negociação direta que foi utilizada para a subconcessão, sem um concurso, como aconteceu no caso dos Pavilhões do Parque, ou também relativamente ao restaurante do parque, património em igualdade de circunstâncias.

J.C.: O Grupo Visabeira já anunciou que vai transformar os Pavilhões do Parque num Hotel de luxo que recria o universo de Bordallo Pinheiro nas Caldas da Rainha. A empresa deverá nos próximos tempos apresentar o projeto definitivo da unidade hoteleira. Rui Gonçalves, mostrou o seu desagrado com os desenhos apresentados no estudo prévio. Sendo arquiteto que tipo de projeto propõe para o Hotel?

R.G. – Também é pública a nossa posição relativamente ao “estudo prévio” apresentado. Manifesta indícios e intenções com que não concordamos e como tal, julgamos ser altura para nos manifestarmos, acautelando o futuro projeto a ser então motivo de análise e aprovação. Estamos a falar concretamente de um elemento de ligação, previsto entre os Pavilhões e o antigo casino / casa da cultura, que se apresenta claramente “concorrente” com os edifícios que interliga e relativamente a uma nova construção proposta de raiz, que iria ocultar definitivamente o “céu de vidro”, retirando-lhe a função material e sensorial, pelo eixo de ligação visual estabelecida entre o Hospital Termal e o Parque e vice-versa. Consideramos essa intromissão claramente descabida.

J.C.: Quais são os principais problemas das Caldas da Rainha que gostava de ver resolvidos e qual a sua prioridade para o concelho?

R.G. – Há medidas que importa tomar no imediato, que são mesmo urgentes, com vista a restabelecer uma imagem urbana condizente com o conceito de cidade termal, nomeadamente no que respeita à limpeza e manutenção do espaço público. O desleixo tem sido a palavra de ordem.

As entradas da cidade carecem de profunda reformulação, tendo em vista uma imagem apelativa para quem nos visita e tê-la-ão. Por outro lado é necessária a imediata implementação de medidas permanentes de limpeza do espaço público em geral e manutenção dos mais diversos equipamentos, inclusive do mobiliário urbano, que embora em alguns casos seja recente, está em claro processo de degradação. Consideramos que a atual imagem, não beneficia a cidade em geral e o comércio em particular.

Marlene Sousa

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