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Projeto de defesa das Berlengas preocupado com mais de mil visitantes diários à ilha

Francisco Gomes

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Compreender as principais ameaças que afetam os valores naturais das Berlengas, em terra e no mar, e definir estratégias para minimizá-las e erradicá-las, e promover a utilização sustentável da zona de proteção especial pela pesca, atividades recreativas e turismo, é o objetivo de um projeto que está a ser desenvolvido há três anos.
Em alguns dias do verão são contabilizadas mais de mil pessoas na ilha

O arquipélago tem sido alvo de trabalho articulado por uma equipa liderada pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, a Câmara Municipal de Peniche, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e a Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar.

O projeto Life Berlengas, que teve início a 1 de junho de 2014, será implementado até 30 de setembro de 2018 e é financiado pela União Europeia e pelo Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

“A ilha da Berlenga sempre se destacou pela sua mística, biodiversidade e beleza. Contudo, devido à ação humana ao longo dos tempos, ela foi perdendo alguns dos seus valores naturais. O Life Berlengas surgiu precisamente para devolver à ilha esses valores e torná-la mais próxima do que ela já foi outrora”, refere a equipa do projeto.

Segundo o Life Berlengas, foi possível observar a ilha da Berlenga a passar por várias fases. Nova sinalética, trilhos recuperados e um novo centro de visitantes, com menos chorões (plantas invasoras) e mais plantas nativas a crescer, com melhor informação sobre as aves marinhas que por ali se reproduzem e uma câmara online a filmar dia e noite um ninho de cagarra e outro de galheta, alternadamente, são já alguns dos resultados do projeto.

Entre outras ações a destacar, está a remoção do rato-preto da ilha, uma espécie introduzida que foi causando impacto nas espécies nativas e desequilíbrio do ecossistema. Esta importante ação pressupõe a continuação de uma monitorização e a implementação de medidas para garantir que a ilha permanecerá livre de roedores.

Outra das ações de relevo foi a remoção de mais de 50% do chorão que cobria a ilha (a área já removida é equivalente a quase dois campos de futebol). O chorão, introduzido outrora pelo homem, cobria as encostas da ilha, travando assim o crescimento das plantas nativas. O resultado da remoção tem-se traduzido numa recuperação de espécies nativas como erva-vaqueira-ibérica ou a escrofulária. Esta ação tem envolvido dezenas de voluntários, de várias nacionalidades, sendo que já passaram mais de 150 pessoas pela Berlenga que têm contribuído para os resultados já alcançados.

Trabalhar com os professores e crianças das escolas de Peniche tem sido também um hábito para a equipa do projeto. Durante o ano letivo que terminou, a equipa promoveu a participação de alunos do 5º ano e o resultado final foram 60 trabalhos manuais, com modelos sobre o arquipélago das Berlengas e as suas espécies, que estiveram expostos em Peniche.

Os pescadores são um dos grupos-alvo mais importantes com quem a equipa do projeto tem trabalhado. Foi com base nesse trabalho conjunto que foi possível colocar painéis de contraste nas redes de emalhar em quatro barcos de pesca, com o objetivo de reduzir a captura acidental de aves marinhas que é comum nesta área.

Mas ao longo destes três anos surgiram também dificuldades, que foram sendo ultrapassadas. A forte oposição à ação de remoção das espécies exóticas, que chegou a envolver ações judiciais, foi uma das principais. Contudo, no final a decisão foi sempre favorável ao projeto, não tendo estes percalços causado atrasos na execução das ações em curso.

Uma das ações pioneiras do projeto foi a colocação dos primeiros GPS loggers em galhetas, com o intuito de recolher mais informação acerca da sua distribuição e ocorrência no mar, mas pelo facto dos seus ninhos serem localizados em locais de difícil acesso e destas aves serem muito esquivas, este trabalho não tem sido nada fácil.

Tem sido também um desafio ajudar as principais plantas endémicas da ilha a proliferar, tentando produzi-las em laboratório. A mais visível e carismática – a armeria-das-berlengas, revelou altas taxas de contaminação e mostra taxas de germinação muito baixas, o que significa que o futuro da espécie está em perigo. Com as outras duas espécies endémicas, os resultados são mais encorajadores.

A taxa de visitação da ilha é também um problema com difícil resolução à vista. Em alguns dias do verão são contabilizadas mais de mil pessoas na ilha o que, para o Life Berlengas, “pode trazer não só problemas de segurança devido à elevada concentração em alguns locais, mas também dificuldades na gestão de resíduos e saneamento”.

De acordo com Joana Andrade, coordenadora do Life Berlengas, “este projeto tem revelado aspetos muito positivos, como a melhoria das condições de habitat para as espécies mais vulneráveis, o importante apoio dos vários agentes envolvidos na discussão do futuro e gestão desta área, a abertura dos pescadores para encontrar soluções para reduzirmos as capturas acidentais, e o fantástico trabalho de todos os parceiros do projeto, que tem sido fundamental para a boa execução do mesmo”.

Francisco Gomes

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