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Mar da Foz do Arelho é perigoso por causa dos agueiros

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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O capitão do Porto de Peniche alertou para o perigo dos agueiros ao longo do mar da praia da Foz do Arelho, pois são as correntes que se formam pela água que retorna da costa ao mar e têm a força e velocidade para enrolar os banhistas e afastá-los da costa.
O capitão do Porto de Peniche ensinou como reagir se for apanhado por um agueiro

A realidade do mar da praia da Foz do Arelho, os cuidados a ter na prevenção de afogamento entre crianças e adolescentes, os riscos associados à exposição solar e workshops de Suporte Básico de Vida foram os temas do seminário “A Criança e o verão” organizado pela equipa da VMER – Viatura Médica de Emergência e Reanimação e pelo serviço de Pediatria da unidade das Caldas do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) que esgotou o auditório da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório.

O capitão do Porto de Peniche alertou para a incidência de agueiros, ou correntes de retorno, ao longo domardapraia da Foz do Arelho. “São línguas de água misturada com areia cuja força pode arrastar um banhista, levando-o para zonas mais afastadas da praia”, disse Serrano Augusto, sublinhando que muitos dos afogamentos são motivados por estas correntes de retorno. “Se for apanhado por um agueiro, mantenha a calma, não tente lutar contra a corrente, porque apenas se irá cansar e tente flutuar até que venha ajuda”, explicou o comandante da capitania, acrescentando ainda que perante esta situação, “o banhista deve deixar-se ir até ao limite flutuando e acenar para pedir ajuda, e nadar paralelamente até deixar de se sentir o efeito da corrente e depois com o auxílio da ondulação regressar à costa”.

Serrano Augusto foi um dos oradores do seminário “A Criança e o verão” que decorreu no passado dia 10 no auditório da UniãodasFreguesiasde Caldas da Rainha -Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório Coto, organizado pela equipa da VMER – Viatura Médica de Emergência e Reanimação e pelo serviço de Pediatria da unidade das Caldas do Centro Hospitalar do Oeste (CHO).

Segundo este responsável, nem sempre é fácil identificar um agueiro, mas há sinais que podem denunciar uma corrente perigosa. “Normalmente a zona onde corre o agueiro tem uma cor mais acastanhada e pode também haver menos espuma à superfície porque há menos ondas a quebrar”.

O capitão do Porto de Peniche disse que a zona da praia do Mar da Foz do Arelho é perigosa porque tem muitos agueiros. “Existem três zonas de retorno bem identificadas que devem ser evitadas, os quais os nadadores salvadores daquela concessão têm conhecimento”, adiantou.

Na zona da aberta é “impensável pensar em tomar banho por causa das correntes que aí existem e pelos perigos que podem estar associados ao banho”, alertou o representante da Autoridade Marítima Nacional, sublinhando que são correntes que atingem “velocidades muito grandes que é impossível contrariar”.

O responsável preveniu também para os fundões tanto no mar como dentro da Lagoa de Óbidos que são perigosos e aconselhando a evitar os saltos para a água.

O comandante disse que os banhistas devem preferencialmente “procurar as zonas vigiadas”. “Temos o privilégio na praia da Foz do Arelho de ter uma zona grande e com várias concessões”, apontou, alertando que para os saltos no pontão que está interdito e que as pessoas “sistematicamente teimam em ir para cima”. “Aquele cais não inspira confiança, existem outros editais na lagoa preocupantes, nomeadamente a jusante das estacas onde há um grande fundão”, referiu.

O capitão do Porto de Peniche revelou que no ano passado houve um reforço de nadadores salvadores na praia da Foz do Arelho, onde foi criada mais uma concessão. Existe também mais um nadador salvador na zona da Lagoa e para esta época balnear, que iniciou a 17 de junho, a capitania criou nomardapraia da Foz do Arelho mais dois postos de socorro com quatro nadadores salvadores.

Apesar de trinta e seis pessoas terem morrido por afogamento em Portugal desde 1 de janeiro, 18 das quais no mar, Serrano Augusto revelou que na área de jurisdição da Capitania do Porto de Peniche, que compreende a linha de costa entre a foz do rio Sizandro, a sul, e a pirâmide do Bouro, a norte, a Lagoa de Óbidos e as Ilhas Berlengas, não registou nenhum afogamento.

Basta haver água para uma criança se afogar

Além de conhecer a realidade do mar da região Oeste, Sandra Nascimento, presidente da direção da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), alertou o público presente para os cuidados a ter na prevenção de afogamento entre crianças e adolescentes não só no mar mas em piscinas familiares, tanques e poços.

“Acontece em ambientes familiares, quando menos se espera e por vezes com um adulto por perto”, disse Sandra Nascimento. “Não é preciso mar ou piscina. Um balde ou um alguidar pode representar um risco para as crianças”, acrescentou.

Recordou o caso de uma criança que morreu na água de um balde que a mãe esqueceu-se de esvaziar, para salientar que “a criança pode desequilibrar-se e cair, uma vez que a cabeça é proporcionalmente maior e mais pesada e o peso provoca desequilíbrio quando se inclina”.

Nunca deixar a criança sozinha no banho, despejar a água da banheira logo que termine o banho e guardar a tampa fora de alcance, despejar a água de baldes ou outros recipientes (por exemplo, piscinas insufláveis), guardar recipientes e piscinas insufláveis virados para baixo no exterior (para não encherem com água de chuva), foram alguns conselhos deixados pela oradora.

Alertou ainda para a importância de colocar barreiras físicas e vedações nas piscinas e poços (110 cm de altura no mínimo e 9 cm no máximo entre aberturas), vigilância permanente e não deixar objetos e brinquedos na piscina.

Sandra Nascimento falou da campanha lançada o ano passado “A Morte por Afogamento é Rápida e Silenciosa”, alertando que anualmente morrem 9 crianças na sequência de um afogamento. Em 13 anos houve 215 mortes por afogamento, sendo que os meses mais críticos são julho e agosto.

Apesar de o número de mortes e internamentos com crianças e jovens ter diminuído face a 2003, “continuam a ser inaceitáveis os casos de afogamentos a que assistimos todos os anos: acontecem sempre da mesma forma e são facilmente evitáveis”.

O bom tempo traz a vontade de brincar ao ar livre e os passeios em família à praia, no entanto, a força do sol pode ser demais para a pele das crianças. Como proteger as crianças do sol, sem deixar de aproveitar ao máximo o verão, foi outro tema do seminário. Sofia Ferreira e Luís Silvério falaram sobre a importância do protetor solar, utilização do boné, de evitar horas de calor, entre outros cuidados.

Cerca de 70 pessoas participaram nesta iniciativa que esgotou por completo o auditório da Junta. O coordenador dosenfermeirosdaVMER, Nuno Pedro, revelou que tiveram que recusar inscrições.

Dado o sucesso do seminário o enfermeiro disse que vão desenvolver mais atividades com diversos temas como comportamentos alimentares, a ergonomia por causa do peso das mochilas e a vacinação nas crianças. Pretendem também organizar um seminário para adultos sobre sinais de alarme no AVC e enfarte. “As pessoas muitas vezes ainda não detetam esses sinais e se for feito atempadamente pode salvar vidas”, apontou Nuno Pedro.

Workshops em Suporte Básico de Vida

No final do seminário decorreram em vários pontos do centro da cidade workshops em Suporte Básico de Vida (SBV).

Entre noções de segurança que devem cumprir e a avaliação de riscos que podem correr ao tentarem auxiliar uma vítima, os enfermeiros e formados da VMER ensinaram as manobras de suporte básico de vida: ver o estado da vítima, iniciar os procedimentos para recuperação dos sinais vitais e ligar para o 112.

O coordenador dosenfermeirosdaVMER, disse que “pretende-se com esta ação que a população esteja preparada para ajudar uma pessoa em paragem cardiorrespiratória ou uma pessoa que tenha desmaiado porque pode acontecer em qualquer altura e em qualquer sítio”. “Quanto mais precoce for iniciado, mais favorável é o prognóstico”, ressalvou, acrescentando que “há pequenas coisas que podemos fazer que pode salvar uma vida”. Deu o exemplo de uma pessoa que desmaia, se ficar de barriga para cima e se vomitar, o que acontece é que vai à boca e entra para o pulmão. Se a colocar de lado, o vómito sai. “Isto é o suficiente para salvar aquela vítima”, sublinhou.

Alertou ainda para as condições de segurança para quem aborda a vítima. “Já tenho uma em risco e não posso colocar outra em risco”, frisou.

Houve várias pessoas que pararam na rua para aprender os ensinamentos adquiridos que certamente vão ser úteis.

Marlene Sousa

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