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Assaltante de casa de penhores nas Caldas é o homem há mais tempo preso em Portugal

Francisco Gomes

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Um homem que está há 34 anos na prisão por vários crimes, um dos quais nas Caldas da Rainha, onde num assalto a uma casa de penhores na Rua Emídio de Jesus Coelho, no início dos anos 80, matou um transeunte e feriu um polícia após disparos de G3, é quem no país mais tempo seguido está em reclusão por decisão dos tribunais.
Delfim Sousa está na prisão há 34 anos (imagem SIC)

Estreou o novo programa da SIC, “Vidas Suspensas”, emitido na passada segunda-feira Nunca lhe foi concedida uma saída precária e só muito recentemente teve autorização para sair durante três dias da cadeia de Vale de Judeus. O canal de televisão captou esse momento, em que saiu pela primeira vez sem algemas nem guardas prisionais armados a seu lado, tendo à sua espera um táxi com duas pessoas: a mãe, de 95 anos, que vive nos arredores de Lisboa e é visita frequente, e a namorada, que conhecia apenas pelo telefone e pelo Facebook, e que, nesse dia, veio da Madeira de propósito.

Delfim dos Santos Sousa, de 62 anos, natural de Armamar, foi entrevistado pela jornalista Sofia Pinto Coelho. O homem não aparentava amargura ou arrependimento. Aliás, manteve a postura de inocência perante crimes mais gravosos, como o fez perante polícias e juízes.

O recluso 3535566, a sua identidade na prisão, tem uma lista interminável de acusações por assaltos à mão armada, mas apenas confessou o crime de recetação (receber objetos que se sabe terem sido roubados) e nunca o uso de metralhadoras nos roubos a ourivesarias, lojas de eletrodomésticos, casas de penhores e até a um comboio da linha de Sintra, que alguém fez descarrilar, para se apoderar do cofre onde estava o dinheiro das bilheteiras – cerca de cinco mil contos (perto de 25 mil euros, uma fortuna na época).

O julgamento começou nas Caldas da Rainha e juntaram-se processos noutros tribunais. Ao todo apanhou 266 anos de prisão, mas, por força da lei, a pena foi reduzida a 20, a que haveria de somar mais 14 anos de prisão efetiva por outros crimes entretanto cometidos na cadeia (tráfico de droga). Recebeu também penas por crimes de desobediência em tribunal e castigos disciplinares por posse de telemóveis e tabaco na prisão.

Na cadeia foi várias vezes apanhado com droga e pequenas armas escondidas na cela. Entrou em conflito com os guardas e os responsáveis das prisões por onde passou

O homem já havia sido destacado na imprensa nacional durante o tempo que passou preso. Rui Gustavo, do Expresso, publicou em 2009 uma entrevista que lhe fez, quando estava na cadeia de Monsanto, depois de já ter estado nas penitenciárias de Lisboa, Coimbra, Linhó e Vale de Judeus. As perguntas foram feitas por escrito, o que também aconteceu com as respostas, depois da Direção-Geral dos Serviços Prisionais ter recusado a entrada do repórter, “por razões de segurança”.

Segundo o depoimento que recolheu de um guarda-prisional, ali “tem tido um comportamento correto e não tem qualquer hipótese de traficar droga”.

A reportagem do Expresso recorda o episódio acontecido nas Caldas da Rainha: “No início dos anos 80 liderou um grupo de assaltantes de uma violência quase irracional. Num assalto a uma ourivesaria nas Caldas da Rainha, Delfim ficou à porta ao volante do carro de fuga. Quando apareceu um polícia, disparou a G3. O agente foi ferido e um homem que passava na rua morreu”. À SIC, o recluso negou: “Não participei”.

André Carapeto, jornalista de “O Crime”, também o entrevistou em 2009. Delfim Sousa começou por dizer que “não posso ser protagonista do que não cometi”, negando o assalto ao comboio em 1983, que fazia a recolha do dinheiro em todas as estações e apeadeiros entre Sintra e o Rossio.

Garantiu que foi barbaramente agredido para confessar delitos que não praticou, o que o levou a ser hospitalizado. “Por vezes à polícia não lhe interessa apanhar os responsáveis dos crimes mas sim fazer vítimas”, comentou.

“Fui acusado de crimes que não cometi”, declarou, revelando que mesmo dentro da prisão foi penalizado por tráfico interno de droga, alegando que apenas consumia haxixe e heroína. “Alguém tinha de ser responsável”, voltou a dizer à SIC.

No Correio da Manhã, em 2010, um ex-inspetor que o prendeu duas vezes recordou que, numa delas, montou vigilância para o capturar no bairro da Pontinha, onde morava um dos elementos do seu gangue. “Quando chegou o Delfim fui direito a ele e mandei uma rajada de metralhadora a um metro da cabeça. Deitou-se logo no chão. Lá prendi o perigoso Delfim. Nesse dia fiquei-lhe com o chapéu, um boné preto de veludo, e escrevi lá a data”.

Com um filho e cinco netos, Delfim Sousa está preso desde 25 de março de 1983. Deverá em breve acabar de cumprir a pena. Diz que quando sair definitivamente quer ter “uma ocupação laboral”, mas não sabe qual. “Tenho de ver o que o Fundo de Desemprego tem para me oferecer”, disse à SIC.

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