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Equipas Comunitárias de Saúde Mental da Infância e da Adolescência vão dar consultas na área da pedopsiquiatria na Região Oeste

Mariana Martinho

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Os problemas de saúde mental são um dos mais frequentes motivos de consulta em Medicina Geral e Familiar. Devido a esta nova realidade foi assinado há cinco meses um protocolo na área de Pedopsiquiatria entre a Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Oeste Norte e o Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria), que prevê que uma Equipa de Comunitária de Saúde Mental da Infância e da Adolescência venha à região Oeste, nas primeiras terças-feiras do mês, analisar os casos de crianças com problemas de saúde mental sinalizadas pelos médicos de família. Este protocolo também prevê uma articulação entre os parceiros da comunidade para encontrar soluções para os problemas de saúde mental da população dos concelhos abrangidos pelo ACES Norte.
1- O protocolo foi apresentado na sede da Comunidade Intermunicipal do Oeste

Esta parceira entre o ACES Oeste Norte e o serviço de Pedopsiquiatria do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria) foi apresentada no passado dia 7 às entidades parceiras convidadas – Tribunal de Família e Menores, autarcas, agrupamentos escolares, elementos dos Núcleos de Apoio de Crianças e Jovens em Risco (NACJR) e das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) – na sede da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Oeste.

Assinado há cinco meses, este protocolo permite que a Equipa Comunitária de Saúde Mental da Infância e da Adolescência na Região Oeste, constituída por duas pedopsiquiatras, uma enfermeira de saúde mental e uma assistente social, venham todas as primeiras terças-feiras do mês à zona das Caldas da Rainha para analisar os casos de crianças/adolescentes com problemas de saúde mental sinalizados pelos médicos de família. Além das Caldas, a equipa comunitária de Saúde Mental da Infância e da Adolescência vai estar nas terceiras terça-feira do mês em Peniche.

Segundo Teresa Goldschmidt, uma das pedopsiquiatras que integram a equipa comunitária do oeste (Cristina Fundão, Helena Alves, Sofia Pereira e Susana Henriques) começou por dar uma breve noção do que é o serviço de Pedopsiquiatria e Saúde Mental da Infância e da Adolescência e como surgiram os primeiros contatos com a região Oeste. Foi através de reuniões que ocorriam de dois em dois meses, em Torres Vedras, que “construímos uma rede de articulação com os colegas locais, uma espécie de uma mini equipa de referenciação, que nos sinalizava os casos que vinham até nós”.

Face à inexistência de pedopsiquiatras na região, as famílias de crianças com problemas de saúde mental tinham de rumar a Lisboa, o que “fazia com que a adesão às consultas e a articulação com estruturas locais fosse pior”. Portanto, as entidades decidiram avançar com o protocolo que vai permitir às equipas comunitárias de Saúde Mental da Infância e da Adolescência na Região Oeste “não retirarem a criança do seu ambiente natural”, evitar deslocações a Lisboa, diminuir a despesa do Sistema Nacional de Saúde, permitir uma maior equidade nos acessos aos cuidados primários de saúde, contribuir para uma maior capacitação aos profissionais, através de um trabalho de consultoria e supervisão, bem como articular com a comunidade para a criação de uma rede local e proporcionar melhor adesão das crianças e família às terapêuticas.

O protocolo vai abranger a zona das Caldas da Rainha, Peniche, Torres Vedras e a Mafra. Contudo, segundo Ana Maria Pisco, diretora executiva do ACES Oeste Norte, “apenas duas freguesias do concelho de Alcobaça (São Martinho do Porto e Alfeizerão) estão inseridas no protocolo. Todas as restantes freguesias do concelho de Alcobaça e da Nazaré não estão abrangidas pelo protocolo”.

“Este é um projeto que vai para além da realização de consultas no Oeste”, sublinhou a pedopsiquiatra, adiantando que “se nós saímos dos nossos gabinetes do Hospital de Santa Maria e vimos para um gabinete no Centro de Saúde para dar consultas sem mais nada, é a melhor solução para as populações”. Além das consultas, as equipas preveem criar parcerias “mais aprofundadas com os cuidados primários de saúde e as estruturas locais”, sendo “uma mais-valia para as famílias”.

“Na área da pedopsiquiatria a intervenção é mais abrangente do que aquilo que é uma intervenção médica”, afirmou Teresa Goldschmidt. Assim o protocolo abrange crianças e jovens com baixa economia e capacidade de responsabilidade limitada, bem como agregados familiares com baixa deficiência económica e com elevados riscos psicossocial, em que para muitas famílias é “uma sobrecarga muito relevante ir a Lisboa pelo custo dos transportes, o que torna a adesão às consultas muito menor”.

Para a equipa é “muito importante que a seleção das famílias seja cuidada”, cabendo às estruturas locais e aos cuidados primários de saúde a “escolha dos casos que vamos analisar aqui no Oeste”. Através de uma seleção em função do risco psicossocial, as crianças ou jovens são reencaminhados pelos médicos de família para as consultas de pedopsiquiatria.

“O médico de família tem um papel central no ponto de vista deste protocolo”, sustentou a médica.

As consultas feitas com duas pedopsiquiatras têm previsto a duração entre 45 minutos a uma hora, o que irá corresponder a “quatro primeiras consultas e oito segundas, o que não é um número de consultas muito elevado, e por isso vamos precisar muito desse trabalho de articulação com a comunidade”. Além das consultas médicas, o protocolo prevê uma reunião comunitária mais alargada, três vezes ao ano, para serem discutidos temas de saúde mental e apresentação de projetos locais na área.

“A saúde mental na infância e na adolescência não existe sozinha e isolada de tudo resto”, adiantou a médica, acrescentando que “existe a necessidade de uma mudança global, que não passa só pela escola e pela saúde, mas por toda a comunidade, que tem de se modificar e oferecer melhores condições às famílias e às crianças”. Caso haja situações de urgência, com ideais de suicídio ativas, situações psicóticas descompensadas e perturbações no comportamento alimentar, são encaminhadas para o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

A pedopsiquiatra também alertou que não devem ser encaminhadas para este serviço as situações de dificuldades específicas de aprendizagem, pois “não são patologias do âmbito da psiquiatria da infância e da adolescência”, bem como situações em que o grande problema é psicopatologia parental e a proteção social.

Para a vereadora da câmara municipal das Caldas da Rainha, Maria da Conceição, este protocolo é “um passo muito importante para que possamos dar respostas noutro sentido à nossa comunidade”, para além dos projetos que já existem e que envolvem as famílias locais. “Felizmente temos uma rede social que envolve 60 instituições, desde a saúde às forças de segurança, entre outras”, salientou, adiantando que “ todas esta panóplia de projetos está disponível para conversar e para encontrar as melhores respostas para no dia a dia da nossa comunidade”. Também presente esteve a vereadora de Alcobaça, Inês Lopes Silva, que mostrou-se disponível para apresentar este projeto à rede social do concelho.

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