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Luaty Beirão considera o protesto como “um ato de cidadania” numa conversa em Óbidos

Mariana Martinho
13 de Dezembro, 2016
Depois de ter sido preso por ler um livro contra o regime, um dos 17 rostos de luta pela liberdade em Angola, Luaty Beirão, que lançou o seu livro “Sou eu mais livre, então”, pela editora tinta da China, esteve presente na Livraria da Adega, no passado domingo à tarde, numa “conversa informal” para celebrar o 1º aniversário da classificação de Óbidos como Cidade Criativa da Literatura, pela UNESCO.
Luaty Beirão falou sobre liberdade de expressão

Perante a presença de um grupo de crianças e curiosos, a vereadora da cultura da Câmara Municipal de Óbidos, Celeste Afonso, começou por referir que este projeto “deixou de ser um projeto só de Óbidos”, passando a ser uma iniciativa de um “conjunto de sonhares utópicos, que acreditam que a Utopia é apenas o processo para se ir caminhando e para se ir fazendo”.

Na apresentação, Celeste Afonso também explicou que “a classificação veio certificar o caminho que estávamos a fazer, de transformar Óbidos numa Vila Literária”. Também explicou que este projeto tem a função de “afirmar a liberdade e a liberdade de expressão, passando cada vez mais pelo projeto educativo de Óbidos”, e por isso neste primeiro aniversário a organização fez questão de convidar o ativista Luaty Beirão, para um “encontro informal sobre liberdade”.

Segundo a vereadora da cultura, “queremos que as nossas crianças tenham essa consciência e sobretudo, a capacidade de afirmar o pensamento crítico”. Como tal, ao longo de uma semana os professores do 1º ciclo do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos desafiaram as crianças a olharem para “Luaty Beirão como símbolo” e a refletir sobre liberdade. Já José Pinho, coordenador do FOLIO Mais salientou que “Óbidos Vila Literária procura afirmar a liberdade do pensamento e da crítica”.

Após a divulgação de um vídeo feito com as reflexões das crianças sobre “A Liberdade é…”, “Sou livre quando…” e “Não é liberdade…”, seguiu-se a conversa com o rapper luso-angolano, que foi acusado de tentativa de rebelião contra o regime do presidente José Eduardo dos Santos.

A conversa teve como ponto de partida as reflexões dos alunos das escolas d’Óbidos sobre “liberdade de expressão”, onde o autor admitiu que preso “sentia-se mais livre do que cá fora”.

“Sou eu mais livre, então” é o nome do diário que escreveu enquanto esteve detido na prisão em Calomboloca, numa “cela de dois metros por três”. Ainda assim, preso, Luaty Beirão admitiu que “fui privado da minha liberdade física, enquanto estava preso, mas mesmo assim houve um momento em que cheguei a sentir-me mais livre”.

O ativista declarou que entre as hipóteses que lhe foram apresentadas para ser o título da obra, decidiu libertar-se dos clichés e escolheu “Sou eu mais livre, então”.

Afinal o que é liberdade? Segundo o autor, é “uma palavra tão simples e ao mesmo tempo complexa, sendo tudo aquilo que não temos em Angola”. Além disso, sublinhou que a “simples produção de uma ideia é confrontada com violência, ameaças e até morte, tornando impossível de respirar e experimentar o conceito dessa palavra tão bonita”.

De acordo com Luaty Beirão, a “liberdade plena não existe em sítio nenhum”, exemplificando com casos onde existem injustiças praticadas através dos “sistemas económicos e das escolhas políticas / económicas”. Ou seja, “estamos a falar de um pequeno universo onde a liberdade é uma palavra praticamente inexistente”, sustentou o ativista.

Mesmo preso e em protesto durante 36 dias, o autor recordou que “sempre fui um privilegiado. Eu sentia que nós estávamos a ter um empurrão na nossa luta, pela liberdade e pelos direitos fundamentais”, de forma a “libertar aquela gente das grilhetas do medo”.

Para Luaty Beirão, “a liberdade é algo que se conquista cada dia em Angola, e essa luta faz-me sentir pleno e livre”.

Questionado sobre ser um símbolo de luta, Luaty Beirão afirmou que “não gosto desses títulos e eu nunca pensei que o regime fosse tão estúpido e obtuso, ao ponto de me deixar fazer 36 dias de greve de fome”. Como tal, considera-se “tão insignificante como indivíduo, que eles criaram a história de que somos muito fortes. Eles é que nos fizeram heróis. Aquilo que eu fiz, foi um ato de cidadania”.

Barbara Bulhosa, diretora da editora Tinta da China, também presente no encontro, explicou que a “editora defende todos os projetos que me parecem independentes”, tendo muito em comum com o projeto que está ser desenvolvido em Óbidos”. Além disso, considera que “os livros são o principal meio para transmitir ideias e discutir”.

Mariana Martinho

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