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Casal caldense dá a volta ao mundo

Joana Oliveira e Tiago Fidalgo
2 de Agosto, 2016
Depois de nos termos já habituado aos olhos em bico, caraterísticos a partir do momento em que pisámos a Ásia Central, chegámos ao Tajiquistão e sentimo-nos num mundo diferente. E são várias as diferenças, muitas as novidades: mas todas elas dentro do registo asiático. As vestes são muito parecidas com as do Uzebequistão, feitas de longos vestidos e calças do mesmo tecido. Também usam lenços na cabeça, e as belas das sandálias com meias por dentro! Mas não perfazem a maioria: há já muitas mulheres a vestir roupa europeia, como lhe chamam, por entre as calças de ganga e blusas compradas nos bazares, onde corre de vento em popa a moeda local – o somoni, feito de notas fininhas de tão velhas e usadas.
Foto no famoso lago do Tajiquistão, o Iskander Kul

Também em torno de dinheiro gira o policiamento, que embora pelas ruas fora seja pouco, ou normal, permita nas estradas assistir a um maior controlo e maior corrupção: mandam os carros parar de forma aleatória e sistemática, recorrendo a um apito e um sinal vermelho. Depois, mesmo que os condutores tragam os documentos pessoais e do carro, vimos também trazerem escondida na mão direita uma nota; e é no momento em que cumprimentam o senhor agente, que lha passam para a mão de forma imediata e discreta. Depois, é vê-los levar a mão ao bolso e acenar para seguir. E muitas vezes os carros simplesmente não param, mas nada demais acontece. Limitam-se a perder 50 cêntimos. O ordenado de um oficial é tão mau que se vêem obrigados a conseguir este dinheiro por fora – argumentam.

Muitos dos carros no país são táxis não oficiais, mas utilizam em maioria as mashrutkas, os táxis partilhados em forma de pequenas vans, pequenas carrinhas. E com este método de transporte continuam sem entender o conceito de boleia ou deslocação grátis, pois os transportes funcionam da mesma forma: as pessoas mantêm-se na borda da estrada à espera que alguém que vá na sua direção as levem, a troco de uma pequena quantia.

Contudo, para turistas ou viajantes a conversa fica diferente: as quantias nem sempre são pequenas. Embora este não seja o país mais barato da Ásia central, não podemos dizer de todo que seja caro; mas aqui gostam de nos passar a perna ou connosco tentar ganhar algo mais. Inclusive um polícia perto do palácio de Dushambe, a capital, que aparentemente se aproximou de nós para saber de onde vínhamos, depressa terminou o seu discurso pedindo-nos dinheiro. Começou pelos dólares, passou para os euros e acabou o pedido na moeda local, o que educadamente nos recusámos a dar. Tudo isto em russo, porque embora o tajique seja a língua oficial, gostam de exibir o legado da União Soviética.

As casas no geral mantêm o estilo a que nos temos vindo a habituar: áreas grandes e abertas, sem mobílias, com muitas carpetes pelo chão. Os colchões para sentar (como sofá) ou para dormir (como cama) são os mesmos, feitos de tecidos lindos e com cores maravilhosas! Mas se os lavam? Nunca vimos. São muito porcos de forma geral. Mas fora das grandes cidades, são as casas de banho que mais medo metem: nem latrina, nem nada, só um buraco no chão; mesmo em casa de gente rica, numa divisão por norma feita àparte da casa principal, sendo necessário passar pelo jardim para lhe chegar. Não há autoclismo, nem lavatório, e os dejetos permanecem naquele fundo sem fim. Até o papel higiénico é escuro e diferente. E também nas ruas se vê muito lixo por todo o lado, contudo, percebemos que não há caixotes ou contentores onde as pessoas o pudessem pôr. E é de ânimo leve que atiram tudo para o chão, seja papéis, garrafas ou restos de comida.

Talvez por isso no país a água não seja potável, nem para lavar os dentes. E importa dizer que o calor é imenso. Mas pelas cidades fora, encontram-se tubos e canalizações, e maneiras a esguichar água, num verdadeiro clima de desperdício. E por isso nas estradas de terra batida e buracos se formam poças a cada esquina. E é mesmo aí que podemos encontrar locais a beber e saciar a sua sede, muitos deles com um caneco de alumínio partilhado. Por entre sorrisos, oferecem-nos sempre dizendo que é das melhores águas do mundo, saborosa e boa de beber! A arte de partilhar.

Por ser um país muçulmano, as questões relativas às mulheres mantêm-se, sendo expetável e desejável que casem e tenham filhos muito cedo, motivo pelo qual não conseguem compreender porque é que não temos um bebé connosco. Contudo, é na praia que se percebe a mudança, podendo ver-se uma mulher de biquíni tão depressa quanto se vê uma mulher coberta.

Por fim, gostam de saber o porquê de tudo, mesmo quando não tem fundamento, o que por vezes nos deixa perdidos. Chegam até a perguntar porque é que temos 25 e 26 anos ou porque é que decidimos viajar, o que em russo se torna difícil de responder. A princípio esforçávamo-nos, mas depressa aprendemos que a única resposta que não levava a mais nenhum porquê é a de que “em Portugal é assim!”.

Joana Oliveira e Tiago Fidalgo

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