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Ana Paula Harfouche apresenta livro “Políticas de Saúde”

“Este livro tem muito do pensamento do Professor Adriano Moreira”

Marlene Sousa
19 de Julho, 2016
Ana Paula Harfouche, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), apresentou no dia 14 de julho, no Museu do Hospital e das Caldas, o seu livro “Políticas de Saúde - Fundamentação, Prioridades, Opções e Resultados”. Francisco Gomes, chefe de redação do JORNAL DAS CALDAS, apresentou o livro. Descreveu e analisou a obra destacando a sua importância porque “há que encarar a política de saúde como uma política social, que não é imune ao cenário de profundas transformações políticas, económicas e sociais, ao longo dos anos”. A cerimónia foi presidida por Adriano Moreira, amigo da autora que como doutorada em Ciências Sociais (especialidade de Administração Pública) e professora auxiliar convidada do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas teve a oportunidade de colaborar com o Professor Catedrático.
Francisco Gomes, chefe de redação do Jornal das Caldas, Antonio Curado, diretor-clínico do CHO, Professor Adriano Moreira e Ana Paula Harfouche, presidente do conselho de administração do CHO

Na sua intervenção, Ana Paula Harfouche, expressou a sua admiração por Adriano Moreira: “ao longo da nossa vida passam pessoas que nos marcam de tal forma que nunca mais as esquecemos”, disse a autora. A “originalidade e a singularidade do pensamento” do Professor “ajudaram-me a acreditar na esperança e também me ensinaram que os sonhos e a Lei dos Compromissos morais não custam dinheiro”.

Recordou que na crise académica de 1969, em que contrariamente aos diretores de todas as outras Universidades, o Professor Adriano Moreira tomou o partido dos estudantes e todo o corpo docente o acompanhou. Pagando, todavia, posteriormente a fatura politica com a sua demissão”.

Este livro tem muito do pensamento do Professor Adriano Moreira, essencialmente o que se encontra no seu livro Ciência Política, obra obrigatória para as muitas gerações de alunos que não se esquecem do que dizia na primeira aula”.

Segundo, a autora, este livro resulta de vários trabalhos e estudos científicos efetuados desde 2003 e que vão “ganhado forma e gerando conhecimento abrindo o pensamento a formas alternativas de gerar conhecimento”. “Procura concretamente a verdade com recurso à informação próxima do momento das reformas realizadas”, adiantou, a administradora do CHO.

“Não esperem encontrar soluções mágicas neste livro, mas esperem que vos ajude a tomar decisões informadas porque se exigem fundamentadas, enquadradas, obviamente pelas margens da política que as enforma”, disse, Ana Paula Harfouche.

O livro está estruturado em quatro grandes dimensões: Fundamentação; prioridade e opções; resultado da avaliação destas prioridades e opções; e conclusões e reflexões sobre estes acontecimentos.

No capítulo três, encontram-se os “primeiros modelos inovadores nos hospitais após a criação do SNS. No capítulo quatro, é detalhada a empresarialização dos Hospitais e a filosofia que a enquadra dando, pela primeira vez, aos gestores e administradores hospitalares oportunidade para utilizar as regras e instrumentos do setor privado. “E especifica-se as diversas vagas de empresarialização até à 6ª vaga ocorrida em 2011/2013, as quais incluíram o modelo de fusão de unidades hospitalares, curiosamente, sendo o CHOeste objeto dessa fusão o único que permaneceu no regime filosófico e administrativo anterior”.

As políticas de maiores financiamentos prospetivas que acompanharam “estes novos modelos organizativos e a evolução do C.P. subjacente a estas políticas orçamentais, governativas e culturais” são também analisadas.

Francisco Gomes começou por explicar que a obra chama a atenção para a necessidade da política ter em conta outras áreas transversais. “A economia, por exemplo, é uma referência para a eficiência e otimização dos recursos. As expetativas dos cidadãos para com os deveres do Estado, em função dos impostos que pagam, justificam a gestão fundamentada – mas ao mesmo tempo também explicada e transparente – da saúde, simultaneamente uma preocupação individual, uma preocupação política (até pelo cumprimento da Constituição) e uma preocupação ligada ao bem-estar e coesão social. Daí a necessidade da conceção de modelos de prestação de cuidados eficientes e sustentáveis”.

Ao abrir este livro encontramos uma frase enigmática: O Serviço Nacional de Saúde “tem muito passado pela frente por descobrir”. O jornalista deu a sua interpretação: “Por vezes vemos algo enraizado no passado como desadequado aos dias de hoje e como algo negativo. Contudo, o que importa é saber tirar proveito e dar o devido valor de cada experiência no passado.

Já se deram conta do quanto as dúvidas nos levaram para a frente? Quando temos dúvidas, somos levados a descobrir novos caminhos, aceitar desafios, explorar, procurar conhecimento, aprender com a experiência dos outros”.

É um livro prático – relata até o ex-diretor do Serviço de Anestesiologia do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, José Manuel Caseiro, que na sua despedida de funções fez do título desta obra a sua mensagem para o futuro dos que iriam continuar no serviço.

Este estudo sobre a eficiência contemplou 39 hospitais, 22 dos quais foram transformados em SA, e os restantes 17 são do Setor Público Administrativo.

Há uma análise da atividade de internamento, de consultas, das urgências e do hospital de dia.

Os gráficos publicados mostram os consumos e gastos com pessoal e gastos totais por doente saído, por consulta externa, por urgência, por área de atividade clínica e por região.

Os resultados de eficiência e conclusões poderão ler no livro.

Mas fica esta ideia, deixada pela autora, para reflexão: “A inovação e a dinâmica da organização hospitalar, continuam a ser vistas como elementos facilitadores de maior eficiência, mas é a orientação do financiamento o grande potenciador desse objetivo. Em suma, o conceito eficiência é um objetivo crucial para a sustentabilidade do setor da saúde, só conseguido com a inovação e evolução dos modelos de financiamento”.

Para o desenvolvimento de novas políticas públicas de saúde é defendida a valorização do interesse público, a aposta no longo prazo, e não nos interesses de curto prazo, a medição da eficiência e adoção de uma metodologia que permita conhecer os gastos por doentes, por trajetória de doença, as soluções alternativas de como evitar os desperdícios, a prestação de contas transparentes e percetíveis por todos públicos, e, finalmente, a integração dos vários níveis de cuidados de saúde, para conhecer e acompanhar os resultados em saúde associados.

Professor Adriano Moreira

“Multa de Bruxelas anda à volta de duas décimas”

Depois da apresentação do livro por Francisco Gomes, Adriano Moreira mobilizou a atenção das dezenas de pessoas presentes mostrando orgulho em participar nesta iniciativa. Destacou a evolução da vida universitária um período importante, no século XIX, que era a “autonomia das disciplinas, completamente incomunicantes”.

Considera o livro de Ana Paula Harfouche uma grande contribuição e “um grande orgulho para a escola onde ela obteve o seu doutoramento”.

Lembrou que o Estado português tem uma grande “tradição de preocupação com a saúde, e teve um grande instrumento de intervenção, que foi o instituto de Medicina Tropical”. “A maior parte da população ignora que esse instituto conseguiu o domínio da lepra. Conseguiu dominar a doença do sono. Mas foi um instrumento que fomos deixando esquecer na nossa gestão atual”, apontou Adriano Moreira.

O Professor Catedrático falou na crise, do Estado Social, revelando que apesar do avanço inacreditável na investigação científica, e tecnológica, os analistas dizem que “os pobres morrem mais cedo porque não têm capacidade para receber os avanços da ciência, da técnica, da ética, da dedicação dos profissionais desta área”.

O Professor diz que é importante “meditar sobre a crise no Estado Social e pensar que tem antecedentes muito grandes, e que não são “apenas motivados pela Igreja Católica. Também tem contribuições do marxismo, nas divisões internas que teve”.

Chamou a atenção para uma questão que considera ser das mais problemáticas, porque “estamos a ser objeto de exame de Bruxelas, para saber se vamos ou não ser punidos com uma multa, que anda à volta de duas décimas”.

“Finalmente, que Inglaterra resolveu sair da Europa”, sublinhou, Adriano Moreira questionando sobre os recursos para “colmatar a saída dos ingleses”.

Marlene Sousa

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