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Refugiados em destaque nas VI Jornadas Técnicas da Santa Casa da Misericórdia das Caldas

Marlene Sousa
8 de Março, 2016
“O processo de recolocação dos refugiados vai começar a ser mais rápido e as organizações vão ser chamadas a atuar e a trabalhar de uma forma muito mais urgente”, disse Mónica Frechaut, do Conselho Português para os Refugiados. Esta responsável, que foi uma das oradoras convidadas das VI Jornadas Técnicas da Santa Casa Misericórdia das Caldas da Rainha, que decorreram nos dias 2, 3 e 4 de março, no Inatel na Foz do Arelho, recordou que em setembro do ano passado houve um movimento muito grande em termos de organizações mas depois houve um interregno que de alguma forma foi desmobilizando as pessoas. Agora com a chegada prevista nas próximas semanas de maiores grupos de refugiados, Mónica Frechaut espera que “as pessoas, instituições e associações voltem a organizar-se e a dinamizar-se localmente”.
A vereadora Maria da Conceição, Mónica Frechaut, do Conselho Português dos Refugiados, e José Henriques, mestre em Economia Social e Solidária

Quanto ao número de refugiados que vêm para a região Oeste, esta responsável diz que não sabe mas que em dezembro de 2015 houve uma família que foi acolhida em Alfeizerão. A ideia que quis transmitir é que “são mais de cinco mil pessoas que estão previstas vir para Portugal” e que “quais todas as regiões de alguma forma vão ser zonas de acolhimento, umas com mais pessoas e outras com menos, mas vão ter um papel a desempenhar neste desafio que o Governo português tem estado a lançar”.

Dos que já vieram a representante do Conselho Português para os Refugiados diz que têm tido projetos de integração “muito bem consolidados”. Deu o exemplo de um homem que “era profissional de uma arte marcial e que já está num clube a treinar e está realmente muito bem integrado”.

Margarida Lalanda, diretora técnica do gabinete de recursos e inovação social da Santa Casa da Misericórdia das Caldas, disse que já lhe foi lançado o desafio de alguma forma a instituição apoiar alguns refugiados. “Já foram feitas reuniões com a Câmara, que é a grande moderadora do acolhimento de refugiados nas Caldas e não só a Santa Casa como outras instituições da rede social estão disponíveis para acolher os refugiados e começamos já a pensar em termos de estratégias e locais para a recolocação dessas pessoas”. A Misericórdia das Caldas com o contrato local de desenvolvimento social que integra a horta social, cantina social e loja social, e tem “várias soluções que podem facilitar este acolhimento dos refugiados”, explicou, acrescentando que em termos de “acolhimento residencial haverão outras soluções não só da parte da Misericórdia como de outras instituições”.

Na sexta-feira as Jornadas Técnicas da Santa Casa da Misericórdia centraram-se no tema das organizações sociais. O painel moderado pela vereadora Maria da Conceição iniciou com a intervenção de José Henriques, que falou da Economia Social. Referiu algumas das fragilidades que estão a atingir a Europa, como os refugiados, terrorismo, tensão político-militar, alterações climatéricas, desemprego, nova pobreza e envelhecimento. Salientou a importância da economia socialno combate à pobreza e para o desenvolvimento local. Defendeu uma reflexão sobre o conceito de “Integração Económica”, no contexto da crise actual e do papel da Economia Social e Solidária, tendo como referência a ação contra a pobreza como um dos objetivos prioritários das sociedades contemporâneas.

Nas Jornadas Técnicas foram ainda discutidos vários temas ligados à Santa Casa da Misericórdia. “Lidamos com crianças e jovens em risco e com o pré-escolar e quisemos dedicar um dia ao tema da infância, e como trabalhamos com a população mais idosa, daí um dia dedicado aos seniores”, relatou Margarida Lalanda.

O tema das organizações sociais foi escolhido porque, segundo esta responsável, é “cada vez mais importante motivar e sensibilizar as organizações sociais a saírem fora da caixa e a praticarem a economia social, porque a sociedade contemporânea precisa de outras coisas que dantes não precisava”.

Margarida Lalanda fez um balanço positivo da Jornadas, onde estiveram 214 pessoas, distribuídas pelos três dias. “Os participantes estão a gostar dos painéis, dos oradores, dos workshops que temos proposto e têm considerado a iniciativa uma mais-valia”, apontou a diretora técnica da Misericórdia das Caldas, revelando que já estão a pensar nos temas para o próximo ano. “O que a Misericórdia precisa é consolidar o trabalho feito e crescer no futuro”, adiantou, fazendo notar que dão “resposta a 295 pessoas e indiretamente a 3000 pessoas”.

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