Q

Previsão do tempo

15° C
  • Thursday 20° C
  • Friday 19° C
  • Saturday 19° C
15° C
  • Thursday 21° C
  • Friday 19° C
  • Saturday 20° C
15° C
  • Thursday 22° C
  • Friday 20° C
  • Saturday 20° C

Encontro nacional nas Caldas da Rainha de associações de combatentes no ultramar

Francisco Gomes
11 de Fevereiro, 2016
Associações de antigos combatentes no ultramar estimam que existam 110 mil veteranos de guerra portugueses que sofrem de stress pós-traumático e que haja 1700 a viver nas ruas sem-abrigo ou em condições muito precárias. Estes números foram revelados durante um encontro nacional realizado nas Caldas da Rainha por sete associações, que dizem representar 670 mil combatentes e haver abertura para acolher os militares que mais recentemente estiveram na Bósnia, Iraque e Afeganistão.
Participantes no encontro nacional nas Caldas da Rainha

A reunião, que teve lugar no Caldas Internacional Hotel no passado dia 30, serviu para “saber o que cada associação conhece de problemas de saúde e de integração social dos antigos combatentes, havendo situações muito dramáticas de traumas de guerra que impediram a integração na sociedade, e graves problemas familiares”, manifestou Joaquim Coelho, do Movimento Cívico dos Antigos Combatentes, com sede em Vila Nova de Gaia.

De acordo com este responsável, “a maior parte não é acompanhada e os poucos mecanismos e apoios do Estado – que tem apenas a Associação de Deficientes das Forças Armadas que só trata de deficientes físicos -, e observações nos centros de saúde, levam a ser encaminhados para psiquiatras, mas não atinge sequer um terço do que é necessário”.

As associações pretendem que seja realizado um rastreio nacional “para saber quem tem deficiências psicológicas graves”, defendendo que seja dado um “complemento de remuneração, porque são pessoas sem trabalho estável e com pensões mínimas”.

Em relação aos sem-abrigo, Joaquim Coelho indicou que um levantamento efetuado em diversas cidades do país revelou a existência de “1700 ex-combatentes a viverem amargurados nas ruas, de onde não querem sair por terem vergonha”.

“Temos um projeto para aproveitar aquartelamentos militares que estejam vazios e instalações desocupadas para acolher estas pessoas, que terão de fazer a sua própria faxina e as camas”, anunciou o responsável do Movimento Cívico dos Antigos Combatentes.

Outra preocupação tem a ver com os corpos de cerca de 900 militares que morreram nas colónias portuguesas. “As campas em Angola e Moçambique estão abandonadas e em risco de serem vandalizadas. É cada vez mais difícil encontrar as ossadas. Temos um levantamento que diz que em 60 cemitérios em Angola e em especial no cemitério novo em Luanda existem mais de 600 campas destruídas, e em Moçambique, nomeadamente em Maputo e no norte do país, 300 campas em dois cemitérios, onde as ossadas são vendidas como troféus”, descreveu Joaquim Coelho, que quer que sejam tomadas medidas rápidas para resgatar os restos mortais dos combatentes que ficaram em África e trasladados para Portugal em vez de apenas se exumar as campas abandonadas no interior do território e trazê-las para as cidades, pois “tem havido abandono dos cemitérios e destruição dos mármores das campas em Angola, e tráfico de ossadas em Moçambique”.

“Devíamos trazer toda a gente para Portugal e a grande maioria das juntas de freguesia não se importa de ter um talhão para as ossadas dos naturais dessas terras, mesmo que as famílias não as queiram, porque hoje em dia essas famílias estão desestruturadas. Se não houver uma ação urgente, daqui a pouco não haverá nada para resgatar”, referiu.

Um dos grandes objetivos da atividade do Movimento Cívico dos Antigos Combatentes é “dignificar os vivos e resgatar os mortos”, que é acompanhado nesta missão pela Associação dos Veteranos Combatentes do Oeste (Lourinhã), Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra (Braga), Associação Nacional de Combatentes do Ultramar (Tondela), Associação Social e Cultural dos Vilacondenses Ex-Combatentes do Ultramar (Vila do Conde), e Núcleos da Liga dos Combatentes das Caldas da Rainha e de Leiria, tendo já recolhido o apoio da Associação Nacional de Sargentos e da Associação de Apoio aos Ex-combatentes Vítimas do Stress de Guerra.

Neste encontro nacional foi constituída uma comissão de defesa e acompanhamento do estatuto dos combatentes, que em breve será entregue na Assembleia da República.

Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Últimas

Artigos Relacionados

Pizza Hut abre na entrada sul da cidade

Abriu nesta terça-feira o 99º Pizza Hut em Portugal e o primeiro nas Caldas da Rainha, criando 25 postos de trabalho neste restaurante especializado em pizzas e massas cujo estabelecimento original surgiu nos Estados Unidos da América.

pizza hut1

Caldas venceu dérbi do Oeste

À sexta jornada, o Caldas Sport Clube impôs a primeira derrota ao Torreense, líder da Série B da Liga 3, com 13 pontos, vencendo no passado domingo, por 2-0. Somou o seu terceiro triunfo na competição, registando agora 10 pontos.

caldas1 1