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Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu nas Caldas percentagem de votos superior ao resultado nacional

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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Marcelo Rebelo de Sousa venceu as eleições presidenciais com 52% dos votos e ganhando em todos os distritos do país. O professor catedrático que os portugueses conhecem como comentador televisivo conseguiu vitória expressiva no distrito de Leiria com 61,07% dos votos.
Satisfação na sede do PSD, que foi inaugurada por Marcelo Rebelo de Sousa em 1998

No concelho das Caldas da Rainha, obteve 58,34% dos votos com uma abstenção de 51,43% e em Óbidos conseguiu 55,33%, onde 50,36% dos eleitores não votaram.

Em segundo lugar nas Caldas ficou Sampaio da Nóvoa com um resultado de 19,90% e em Óbidos também ficou em segundo com 22,09%.

Marisa Matias foi uma das surpresas destas presidenciais, com um resultado de 9,65% nas Caldas da Rainha, ultrapassando Maria de Belém, que obteve 3,22% (698 votos).Paulo Morais ficou em quinto, com 2,96% e Vitorino Silva em sexto, com 2,74% ultrapassando Edgar Silva, que obteve 1,77%. Henrique Neto ficou-se nos 0,94%, Cândido Ferreira em 0,33% e em último Jorge Sequeira com 0,16%.

PSD não ficou surpreendido com vitória de Marcelo

O JORNAL DAS CALDAS passou pelas sedes dos partidos nas Caldas da Rainha na noite das eleições.

A sala da sede do PSD estava tranquila. A vitória de Marcelo Rebelo de Sousa na primeira volta não surpreendeu os militantes que estavam lá presentes.

O presidente da Assembleia Municipal, Luís Ribeiro, que foi seu diretor concelhio, disse ao JORNAL DAS CALDAS que “não foi surpresa” quando ouviu as projeções que davam a vitória ao professor. Para este responsável, a campanha de Marcelo Rebelo de Sousa foi “esclarecedora, calma e serena relativamente às funções do Presidente da República ”, ao contrário dos outros candidatos que “se limitaram a criticar o professor e falar de coisas que não são da competência presidencial”.

O presidente da Câmara, Tinta Ferreira, disse que os resultados no concelho foram “muito agradáveis” porque o candidato que apoiaram “conseguiu um valor superior ao resultado nacional e superior ao resultado obtido pelo professor Cavaco Silva, que também apoiámos nas eleições anteriores”. Para Tinta Ferreira, era “percetível” o número de votos nas Caldas “pela receção que tivemos aqui ao candidato eleito, que efetivamente foi recebido com muito entusiasmo pelos caldenses, que acreditaram nas suas propostas e convictos de que será um ótimo Presidente da República”.

Salientou ainda que “nas 12 freguesias do concelho, Marcelo Rebelo de Sousa tem mais de 50% em todas elas e ganhou em todas as mesas”. Destacou igualmente “o bom resultado da candidata Marisa Matias e com alguma surpresa, Vitorino Silva que foi para além daquilo que era esperado”.

O vereador caldense Hugo Oliveira, diretor distrital da campanha de Marcelo Rebelo de Sousa, não estava presente, tendo ido para Leiria.

Satisfação na sede do CDS

O ambiente na sede do CDS/PP era de satisfação. As primeiras projeções animaram o vereadorRuiGonçalves, doCDS-PP, porque se confirmou aquilo que desejavam que “é a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa, que era o único candidato que não era manifestamente da esquerda”. “Parece-nos que era incomparavelmente o candidato mais bem preparado para ser Presidente da República”, sublinhou Rui Gonçalves, acrescentando que “não foram poucas as vezes que ele criticou fortemente o governo interior e isso demonstra a distância que tem relativamente aos partidos e é sinal que será o presidente de todos, ao contrário de Sampaio da Nóvoa, que claramente se manifestou sempre um defensor da esquerda”.

Segundo RuiGonçalves, houve nestas eleições uma leitura clara que a esquerda perdeu “claramente”. “O BE conseguiu manter mais ou menos os votos que teve nas legislativas e o PCP sofreu umahecatombe, o que demonstra a insatisfação do eleitorado pelo fato do Partido Comunista estar a apoiar este governo de António Costa”. Para o vereador do CDS, “o PS é o grande derrotado“ destas eleições.

Desânimo na sede do PCP

As primeira projeções desanimaram Vítor Fernandes,da Comissão Política Concelhia do PCP dasCaldas da Rainha, porque não cumpriam o principal objetivo, que era obrigar à realização de uma segunda volta eleitoral. Os números apontavam para uma grande derrota, que se confirmou como sendo pior do que nas últimas eleições presidenciais, com a agravante de ser ultrapassado por Marisa Matias.

Neste concelho Edgar Silva obteve 1,77% dos votos, ou seja, 383 eleitores das Caldas votaram no candidato apoiado pelo PCP. “É evidente que não estamos satisfeitos”, sublinhou Vítor Fernandes, acrescentando que fizeram tudo o que estava ao seu alcance para divulgar a “nossa candidatura”.

“O Edgar Silva fez uma excelente campanha, andou por todo o país e fez um bom trabalho de divulgação da nossa proposta de defesa da Constituição e de um presidente interventivo”, apontou. Acusou a comunicação social de favorecer alguns dos candidatos e que Edgar Silva não teve a divulgação “merecida”.

José Carlos Fariadiz que a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa foi “levada completamente ao colo pela comunicação social até ao ponto de deixar de ser reportagem e ser propaganda política e a candidatura de Edgar Silva foi silenciada, marginalizada e atacada”.

Vítor Fernandes diz que não estava à espera do resultado de Marisa Matias, mesmo aqui nas Caldas, onde ficou em terceiro lugar com 9, 56%.

Uma surpresa nas Caldas foi Vitorino Silva ficar à frente de Edgar Silva, com 2,74%, o que para o elemento do PCP foi “um voto de protesto por parte da população que nada tem a ver com a política, porque não é o “Tino de Rans” que vai resolver os problemas do país”.

Esperança até ao fim dos apoiantes de Sampaio da Nóvoa

Na sede da Associação Recreio Clube estavam os apoiantes de Sampaio da Nóvoa. A esperança na segunda volta animou o seu mandatário local, António Curado,que preferiu ver as primeiras projeções no canal 1 (RTP) que eram aquelas que lhe interessaram mais, porque “davam aquela margem de esperança dos 49% aos 54% e fixámo-nos nesse resultado de haver uma segunda volta, que era aquilo que nos entusiasmaria”.

Mas com o passar do tempo e com mais resultados apurados, tornou-se evidente que tudo ficaria resolvido na primeira volta. No entanto, disse que está satisfeito com a campanha, com “muita intervenção cívica”. “Foi uma candidatura independente com muitas dificuldades, sem a estrutura de Lisboa a apoiar”, disse António Curado, sublinhando que foi “uma vitória conseguir juntar pessoas de setores diferentes e criar uma dinâmica que conseguiu mais de um milhão de votos a nível nacional”.

Como mandatário concelhio de Sampaio da Nóvoa, ficou satisfeito com os resultados no concelho das Caldas.

O JORNAL DAS CALDAS falou com Sara Velez, presidente do PS das Caldas, que disse que quando soube os resultados sentiu alguma “desilusão”. “Os resultados no concelho das Caldas seguem uma tendência muito semelhante à nacional”, disse a dirigente do PS.

Sara Velez, que apoiou Sampaio da Nóvoa, sublinhou que as candidaturas presidenciais são de “cidadania e os cidadãos acabam por seguir as suas identificações”. “É uma candidatura dentro do espaço ideológico onde me situo que é o espaço da esquerda e da liberdade”, adiantou, sustentando que o PS não sai dividido com estas eleições.

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