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Conversa sobre livros, capas e editoras

Mariana Martinho

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Na cafetaria do parque caldense, o Pópulos, decorreu no passado sábado à noite uma “conversa bem animada” sobre livros e a literatura em geral, com os autores Ana Cristina Pinto, Judite Carreira, Madalena Barreto Condado, Luís Ferreira, Rui Calisto e Paulo Caiado, que também responderam às questões do público esclarecendo as curiosidades que cercam as histórias dos seus livros, num evento moderado pelo chefe de redação do JORNAL DAS CALDAS, Francisco Gomes.
Francisco Gomes, Ana Cristina Pinto, Luís Ferreira, Madalena Barreto Condado, Rui Calisto, Judite Carreira e Paulo Caiado

Num ambiente informal e de convívio, Ana Cristina Pinto, natural do Cadaval e residente nas Caldas da Rainha, autora do livro “A Guardiã – O Livro de Jade do Céu”, lançado em maio deste ano, falou sobre o seu livro, sendo “um romance onde exploro temas como a vida para além da morte, a reencarnação e a imortalidade da alma. Contudo, a ciência, que tem um papel determinante na busca por provas (se elas existirem) destas realidades também não foi esquecida”.

“É através da ciência que se abordam as possibilidades que circulam à volta do nascimento da matéria, do Universo, da Terra. Este livro não é apenas para místicos, esotéricos, espiritualistas”, referiu, sendo um romance onde existe um amor entre uma mulher e dois arcanjos se sobrepõe ao preconceito, aos dogmas, ao medo e sobretudo ao peso das descobertas.

A autora também revelou que esta tertúlia surgiu com o “objetivo de divulgar os autores e independentemente de sermos alguns autores de primeira viagem, nada diminui o valor das obras. Todos temos histórias para contar e todos queremos chamar a atenção do público”. Destacou também a situação da literatura em Portugal, em que as livrarias/editoras estão cheias de livros de autores estrangeiros e simplesmente “esquecem-se dos autores portugueses, o que é uma pena”.

“Nós temos nesta mesa autores muito bons, com histórias que valem a pena e que são um marco na literatura portuguesa”, salientou Cristina Pinto, acrescentando que as pessoas só compram aquilo que ”lhes aparece a frente dos olhos, sem procurar alternativas”.

Madalena Barreto Condado, autora da obra “Yggrasil, Profecia do Sangue”, também marcou presença na tertúlia, referindo que “escrever ficção e ser mulher em Portugal, não é algo bem aceite”. Acerca da obra “Yggrasil, Profecia do Sangue”, a autora disse que consiste num romance entre Portugal e Dublin, em que a personagem principal é uma jovem chamada Maria, que tem a possibilidade de ir estudar para o estrangeiro e escolhe ir para a Irlanda. Em Dublin, acaba por conhecer os MacCumhaill, onde se apaixona pelo filho mais velho. “Dividida entre o seu dever e o amor que sente pelo herdeiro do clã, irá descobrir que deve seguir o seu coração”, sublinhou Madalena Condado.

A obra relata uma história de amor, de imortalidade e de mistérios, em que “magia é uma certeza”. Assim sendo, a autora aproveitou a ocasião para alertar para a situação, que apesar de escrever ficção no género fantástico, este não é um dos géneros “mais apreciados pelas pessoas em Portugal”. Como tal, hoje em dia Madalena Condado afirma que “vendo mais para o Brasil do que em Portugal, o que é uma pena. Já lancei o livro há cinco meses e cá não noto grandes evoluções nas vendas”.

Para a autora do livro “Palavras Ousadas de Ju”, este é um mundo novo que começou por ser “um desabafo numa página no facebook, após um desgosto amoroso”.

Judite Carreira explora a força dos sentimentos, vividos à flor da pele, sem medos nem tabus. Foca-se no amor, na saudade, na traição, na amizade e no sexo, em versos ilustrados com fotografias sugestivas.

A obra contém, segundo Judite Carreira, “palavras e imagens ousadas” que ainda não são aceites pela sociedade. “As pessoas não aceitam e não aderem facilmente a este tipo de literatura, sendo uma pena pois gostava que aderissem mais”, adiantou.

“Entre o silêncio das pedras” foi outra das obras que marcou presença na tertúlia. Luís Ferreira, autor da obra, explicou que este foi o seu primeiro romance, que fala sobre “o lendário caminho de Santiago, que nos transmite uma lição de vida, uma mensagem de fé e um incitamento à descoberta do melhor que há em nós”. Após esta obra, no próximo sábado vai lançar “O diário do Xavier Lopes”, sendo um livro de autoajuda com 110 reflexões que ajudam a “desvendar o nosso interior“.

Luís Ferreira nasceu no Barreiro a 8 de maio de 1970. Atualmente vive em Alcochete. Publica em diversos sites ligados à escrita e às artes. Possui diversas obras editadas, assim como participou com a sua escrita em mais de vinte antologias.

Rui Calisto, ator e encenador com ligações familiares à região das Caldas da Rainha, onde teve uma livraria-editora, falou sobre o seu romance, intitulado “Espero por ti em Luanda”, que nos apresenta “um retrato impressivo e vivo dos últimos tempos da sociedade colonial e do vazio de poder que sucedeu ao derrube do Estado Novo”. Também alertou durante a conversa que a literatura em Portugal está um “caos”, pois “enquanto pensarmos no livro apenas como objeto de satisfação, vai continuar a perder o interesse. Mas se conseguimos ver o livro como cultura e arte, vamos conseguir transportá-lo para vários lugares”. Ainda lamentou o facto de as “pessoas perderem o hábito de ir às livrarias e de comprarem apenas livros por serem anunciados nos media, nomeadamente de personalidades”.

“Gosto muito de escrever, pois escrever para mim é como ler. É uma distração semelhante”, sublinhou Paulo Caiado, outro dos autores que marcou presença, na conversa. Segundo o autor do livro “Um mundo meu”, a obra é um romance (ficção) baseado em histórias verdadeiras. “Tentei tirar pedaços de verdade das minhas vivências e da vida e relacionamentos de outras pessoas”, apontou.

Paulo Caiado lembrou que o livro surgiu por sugestão de um responsável da Marcador Editora, que conheceu os textos que editava com regularidade na página do facebook. Disse-lhe que se ele escrevesse um romance da mesma forma como escreveu aqueles textos, com os mesmos afetos e a mesma envolvência, publicar-lhe-ia um romance. “Ele disse-me que havia poucos homens a escrever sobre os assuntos que eu escrevo e queria uma obra com a perspetiva masculina”, explicou o autor, que abraçou o projeto com muito empenho. Este livro passa-se durante o verão de 2011, e fala de quatro amigos e quatro amigas e da amizade pura que se desenvolve entre eles. São de certa forma o estereótipo das relações dos homens da minha idade”, apontou o autor.

O caldense diz que não desenvolveu muito as personagens femininas, a pedido da editora, que lhe pediu para desenrolar mais o universo das figuras masculinas. Dependendo do êxito, o autor gostava de escrever um segundo livro, dando continuação à história com o objetivo “de saber o que se passou com as mulheres de “Um Momento Meu”. O livro “toca as pessoas, o que é gratificante”, manifestou.

“Todos nós temos histórias para contar e colocamos grande parte de nós nelas e isso sim é literatura, colocarmos uma parte de nós no papel através da escrita”, esclareceu.

Para o autor, o mundo editorial está “muito atrasado em relação aos outros mercados de consumo”. “As editoras consideram que uma boa distribuição chega, mas como é evidente não chega, tem que ser feito mais”, sublinhou.

Mariana Martinho

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