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“Príncipe Perfeito, Rei Pelicano, Coruja e Falcão”

Apresentação de livro de Carlos Querido encheu o CCC

Mariana Martinho

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“Maior do que o seu reino e do que o seu tempo, o rei D. João, décimo terceiro de Portugal, segundo de seu nome, parece não caber na morte e irrompe temível da sepultura provisória, quatro anos depois de descer ao abismo das sombras e do esquecimento, sem vestígios do tempo que consome a memória dos vivos e a carne dos defuntos. Se é humano apodrecer oculta e lentamente, não pode deixar de ser milagre o regresso do túmulo sem a corrupção da carne”. Este é um dos excertos iniciais da recente obra “Príncipe Perfeito, Rei Pelicano, Coruja e Falcão” do caldense Carlos Querido, que foi apresentada no passado dia 10, no CCC, em Caldas da Rainha. O livro foi apresentado pelo presidente do Tribunal de Contas, Oliveira Martins, num ambiente informal e de convívio. O autor, que vive em Salir de Matos, divide-se entre a vida profissional e a paixão pela história, tendo já no currículo dois pequenos volumes “Salir d'Outrora” - a “Praça da Fruta” e ainda a “Redenção das Águas”. O evento foi um grande sucesso. A afluência de mais de duas centenas de pessoas à sessão é a prova da admiração que os caldenses têm pelo autor. À família e entidades juntou-se um ainda maior número de amigos de Carlos Querido que quiseram apoiá-lo neste dia.
A sessão contou com apresentação do professor Oliveira Martins e restantes entidades

Foi ao som da música com Francisco Almeida Dinis que Carlos Querido começou por agradecer aos presentes e à editora, referindo que “com a Arranha-céus tenho aprendido que o livro é um trabalho de equipa, em que autor é apenas mais um elemento”.

Carlos Querido disse que este livro, ao contrário da “Redenção das Águas”, não relata nenhuma história de amor. O narrador João d’Óbidos apaixona-se por Maria Fernandes, que é filha do Prior da Igreja de São Pedro de Óbidos, que acaba por cometer um homicídio fugindo para Lisboa, onde fica ao serviço do Príncipe Perfeito, integrando a sua guarda pretoriana.

“A forma como o narrador, João d’Óbidos, entra na história, é muito curiosa, parece ficção”, pois a diferença é que a realidade não tem de fazer sentido, sendo por vezes “mais rica e surpreendente do que qualquer ficção”.

De acordo com Carlos Querido, o narrador testemunha a “vida breve e muito intensa” de D. João II, quando no Mosteiro de Nossa Senhora da Misericórdia, na ilha da Berlenga, o narrador “vai desfiando memórias do tempo para responder as questões que ambos tinham sobre a morte do rei.

“Terá sido o rei envenenado? Estaria a rainha envolvida na sua morte?”, são algumas das questões que o autor coloca. Após quatro anos da morte de D. João II, o “corpo está intacto”, como tal, procura-se no envenenamento uma explicação para o não apodrecimento do corpo. “Essa explicação é procurada no livro”, sublinhou o autor, pois o narrador vive atormentado com a suspeita do envolvimento da rainha na morte solitária e precoce do soberano, na única batalha perdida por ele, a sua sucessão.

Guilherme d´Oliveira Martins começou por falar da forma como iria apresentar a obra. “Gostei tanto do livro, que o tive de ler três vezes para decantar as coisas, de forma a vos criar o suspense necessário para o lerem”, adiantou. Segundo o professor, a obra está construída de “modo que as várias personagens se encontram, dialogam e entrelaçam de uma forma extremamente interessante”. Ainda foca na afirmação do poder do rei.

“Sou semelhante ao pelicano no deserto, sou como a coruja entre as ruinas”, sendo um dos excertos do livro usado pelo professor durante a apresentação, para explicar o significado do título e ainda para demonstrar como o rei serve o povo e simultaneamente protege-o das ameaças.

Assim sendo, para Oliveira Martins, o autor tem um discurso explicativo visível através da “construção cuidadosa” como refere os argumentos e os riscos que rodeiam o próprio rei. Também sublinhou o momento da aclamação do rei e a forma “feliz como o autor usa a batalha de Toro, numa guerra perdida”.

O professor também sublinhou que quem escreve assim “domina a palavra, pois nos dá conta de um momento em que tudo parece sussurrar”. Como tal, esse é o momento inicial, onde o autor desenvolve a morte inesperada do rei e nos “dá conta que passados quatro anos da sua morte o corpo está incorrupto”.

O editor João Paulo Cotrim referiu que este livro, para além da informação que traz sobre o rei D. João II, também contém “uma coisa única, um aspeto essencial do trabalho literário do Carlos Querido, que é a galeria de personagens secundárias”. Pois é através do “olhar delas que se vai definindo aquela que aparentemente é a personagem principal”. Segundo o editor, “esta mestria é particularmente rara e só por isso se justificaria a edição do livro”.

Isabel Castanheira, antiga livreira, disse que entre outros interesses, “ambos partilhamos o amor pelos livros, que consideramos uma parte de nós”.

O livro como hoje “o reconhecemos é relativamente recente”, pois a “arte de fazer livros utilizando carateres móveis“, surge em Portugal no reinado do Príncipe a que chamaram “perfeito” e que foi imortalizado por Fernando Pessoa, num período de profundas alterações políticas e culturais”. No entanto, anteriormente já tinham havido tentativas, até que por iniciativa dos judeus, que instalaram a primeira oficina gráfica em 1487.

A obra está à venda pelo preço de 17,00€.

Mariana Martinho

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