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Jaime Feijão entrevista emigrantes na Mais Oeste Rádio

“Sinto-me muito feliz e realizado nos Estados Unidos” – Nuno Filipe

Carolina Neves
5 de Agosto, 2015
Terça-feira, às 10h30, 14h50 e 18h15, é altura de conhecer o testemunho dos portugueses fora de portas, na Mais Oeste Rádio, em entrevistas conduzidas por Jaime Feijão. São conversas que revelam como é a vida de quem está fora do seu país, como se sentem acolhidos nos países onde trabalham e como veem Portugal à distância.
O caldense trabalha na NASA

Ontem, o convidado foi Nuno Filipe, engenheiro aeroespacial, que vive nos Estados Unidos da América e trabalha na NASA (National Aeronautics and Space Administration – Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço), onde de momento é engenheiro de navegação e controlo nos departamentos da NASA.

Nascido em Caldas da Rainha, Nuno Filipe estudou na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro. Depois de completar o ensino secundário seguiu para o Instituto Superior Técnico em Lisboa, onde ingressou no curso de Engenharia Aeroespacial. “Lá fiz aviónica, que é basicamente a parte eletrónica de aviões e de satélites. Sempre tive o desejo de experimentar o que seria trabalhar numa grande organização europeia ou internacional ligada ao espaço, isso levou-me a sair do país. A primeira vez que saí do país foi para fazer um mestrado na Holanda, na Delft University of Technology. A razão porque decidi ir para essa universidade, em particular, é porque tem uma ligação muito forte com a agência espacial europeia, fica a cerca de uma hora desta universidade, portanto, pareceu-me ser o sítio certo para continuar os meus estudos”, contou.

Saiu de Portugal em 2006, e após terminar o seu mestrado, em 2008, conseguiu entrar na agência espacial europeia, onde começou a fazer o mesmo trabalho que faz hoje em dia – controlo de sistemas espaciais. Ficou até 2010 na agência espacial europeia. Nessa altura sentiu que o mestrado não era suficiente e queria adquirir mais conhecimentos do que tinha. Isso levou-o a candidatar-se a um doutoramento nos Estados Unidos da América. “Tive a sorte de receber uma bolsa fantástica, de uma instituição americana, com uma boa relação com Portugal, que se chama Fulbright, que basicamente permitiu estudar de graça nos primeiros três anos de doutoramento e foi o que me deu a hipótese de vir para os Estados Unidos. Vim para aqui em 2010 e até dezembro do ano passado estive a fazer o meu doutoramento, também em controlo de satélites”, relatou.

Terminou o seu doutoramento, sendo este considerado um dos dez melhores dentro da universidade. Após muito procurar emprego numa área em que se sentisse contente, teve a “sorte de receber uma oferta da NASA, mais propriamente do laboratório de propulsão de jato, que fica em Los Angeles, na Califórnia, de onde eu estou a falar neste momento, para fazer aquilo para que sempre estudei e que sempre quis fazer, que é controlo de satélites”, acrescentou.

Com grande orgulho em trabalhar na NASA, referiu que opera num grupo com vinte pessoas, cuja maioria nasceu fora dos Estados Unidos, e que para além de estar rodeado de pessoas que têm muitos anos de experiência, alguns ainda participaram em “missões fantásticas” como a Voyager, e trabalharam nas últimas sondas que aterraram em Marte.

O único ponto negativo na vida de Nuno é o de não ser residente permanente dos Estados Unidos, pois isso cria algumas complicações em termos laborais. “Neste momento tenho só um visto temporário de trabalho nos EUA e isso restringe bastante aquilo que eu posso fazer ainda. A maior parte das pessoas não se apercebe disto, praticamente todos os componentes e sistemas aeroespaciais estão abrangidos por uma lei americana que restringe o acesso a estes sistemas e a esta informação por pessoas estrangeiras, ou a sua venda a outros países ou a pessoas não americanas. A única maneira de não estar afetado por estas leis é eu ser um residente permanente dos Estados Unidos ou ter uma licença especial do departamento de estado dos Estados Unidos para poder trabalhar ou ter acesso a estes sistemas”, explicou.

Vê-se como um português forçado a sair de Portugal para fazer aquilo que gosta, visto que se o pudesse fazer em Portugal, acha que era onde estaria. Sente-se muito realizado profissionalmente, o que não significa que não tenha sido uma vida dura, sendo que teve de fazer muitos sacrifícios, não estando em festas familiares nem junto dos seus amigos. Apesar de tudo, sente-se “muito feliz e realizado”, afirmou.

Sempre com saudade do seu país, referiu que uma das coisas mais especiais que sente é o momento em que aterra em Lisboa e ouve português a toda a volta e sente “aquele cheiro do café português”.

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