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Descobriu que sabia pintar aos 69 anos

Marlene Sousa
4 de Agosto, 2015
Exposição de pintura de Manuel Cação no Condomínio Residencial do Montepio
– Marjô Hageman e Manuel Cação

A exposição de pintura de Manuel Cação foi inaugurada na passada quarta-feira na sala de exposições no Condomínio Residencial do Montepio nas Caldas da Rainha.

Engenheiro técnico, nascido em 1944 em Matosinhos, Manuel Cação começou a pintar em 2013 quando se mudou para o Condomínio Residencial do Montepio. A animadora, Marjô Hageman, que promove várias atividades diárias naquele espaço, incentivou-o na pintura e em dois anos já tem mais de 40 obras. Gosta muito de pintar paisagens, nomeadamente de Matosinhos e do Porto, locais que conhece muito bem, uma vez que viveu no norte.

Tirou o curso de Engenheiro Técnico e aos 53 anos formou-se em Engenharia Metalúrgica e ainda teve “tempo e disposição” para obter a licenciatura em engenharia e gestão industrial.

Manuel Cação sofre de Parkinson, mas não é a doença que o impede de pintar. Nunca pensou que tinha aptidão para a arte. “Só me dediquei à pintura, nos últimos anos, em que raramente perdia uma exposição de pintura na Câmara Municipal ou dos alunos da Escola Superior de Arte e Design de Matosinhos”, disse o autor da exposição.

“Quando vim para esta casa é que comecei a pintar alguns desenhos que a nossa animadora me dava”, sublinhou, revelando que é a ela que deve “este salutar vício de pintar”.

Para alimentar a pintura, cujo material é dispendioso, recorre às caixas de papelão das fraldas para os idosos, reutilizando-as.

Continua a sentir-se um principiante, pois não teve qualquer formação em desenho. Quanto muito diz que será um “autodidata de pintura”. “Vou pintando porque gosto, mas principalmente para me autocontrolar e mostrar a mim mesmo que embora a minha doença, Parkinson, me afete os movimentos, enquanto eu puder só a morte me vencerá”, comentou.

Manuel Cação aproveita todos os momentos em que se sente melhor da doença para pintar. Muitas vezes desenha à noite até madrugada. “Quando estou a pintar esqueço todos os problemas”, sublinhou o artista.

Simultaneamente, tenta incentivar os colegas do condomínio a fazerem “algo de útil para si ou para a comunidade”. “É que quando uma pessoa realiza qualquer atividade, ajuda a minimizar os seus problemas, principalmente os originados pela doença, tão vulgar na terceira idade”, apontou.

O pintor foi presidente de Junta de Freguesia e membro da Assembleia Municipal pelo PS de Matosinhos. Também esteve ligado ao desporto e à cultura onde foi dirigente da associação recreativa Aurora da Liberdade em Matosinhos.

No Condomínio Residencial do Montepio nas Caldas da Rainha há atividades diárias promovidas pela animadora, como jogos tradicionais, ginástica, pintura, trabalhos manuais ou jogos de memória.

Para os dias festivos também fazem trabalhos manuais para a decoração das salas comuns do condomínio assistido. Iniciaram ainda passeios exteriores com os utentes.

Foi com muito orgulho que Marjô Hageman apresentou a exposição de Manuel Cação. “É de louvar o seu trabalho porque mesmo com a doença ele não desistiu”, disse a animadora. Adora trabalhar com os seniores e o que a motiva é saber que pode “contribuir um bocadinho para melhorar a qualidade de vida deles”. “Conseguir tirá-los da monotonia, da apatia e despertar o interesse deles por alguma coisa, acho que é a melhor coisa que podemos fazer por eles”, explicou, Marjô Hageman.

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