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Escola de Desenho das Caldas da Rainha/Escola Rainha D. Leonor

Comemorações dos 130 anos vão continuar

Marlene Sousa

EXCLUSIVO

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João Serra, Rui Lopes e Mário Tavares foram os oradores do segundo colóquio sobre Rafael Bordalo Pinheiro que teve como objetivo divulgar não só a obra mas também a vida do artista. Esta iniciativa, que teve lugar a 30 de janeiro, no auditório da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, decorreu no âmbito das comemorações dos 130 anos da Escola de Desenho das Caldas da Rainha/Escola Rainha D. Leonor.
João Serra

A diretora do agrupamento, Maria do Céu Santos, fez um balanço positivo dos dois colóquios, “cada um com as suas características. Um focado na vida e obra de Bordalo Pinheiro e o outro, mais sobre o ensino”. Apesar do frio e chuva, a responsável estava satisfeita com a adesão do público.

As comemorações vão continuar com um concurso em março que propõe que se façam trabalhos em várias vertentes desde texto, dança, ou desenho nas escolas da região sobre Bordalo Pinheiro. Pretende-se ainda lançar um livro com testemunhos de quem frequentou esta escola e com contos de documentos antigos designado “ Eu faço parte desta história”.

Para fechar em grande, em junho, a direção da escola irá realizar uma festa destinada a toda a população.

Como foi recebida nas Caldas a Fábrica de Faianças?

De que modo foi recebida nas Caldas da Rainha a instalação de uma empresa de cerâmica com as características da Fábrica de Faianças nas Caldas da Rainha? Esta foi a questão que o historiador e professor na ESAD.CR, João Serra, se propôs a analisar. Falou sobre o relato de grande intensidade que José Queirós (1907) deixou sobre as reações do meio à presença de Bordalo Pinheiro. “Bordalo não se cansa, trabalha sempre, passam-se os dias os meses, os anos, a mesma labuta e sempre a mesma coragem! Pouco a pouco os produtos vão aparecendo e à maneira que se tornam notáveis, vão surgindo as dificuldades! Bordalo tinha que pagar o tributo que a mesquinhez e azeda inveja jamais perdoou aos que provam de antemão, pelo talento e pelo trabalho, poderem chegar à culminante glória! Então tece-se a intriga, provocam-se descontentamentos entre os operários, greves, uma fornada que um mal intencionado deseja fazer perder, e porquê? Porque Bordalo fazia mais do que estava feito e, no fim de contas, era um intruso! Daqui os prejuízos, e, dos prejuízos, os sacrifícios. Bordalo Pinheiro não queimou a mobília, como Bernardo Palissy para aquecer o forno das experiências, mas fez mais: queimou a própria vida”.

Segundo João Serra, a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha tinha três setores produtivos: materiais de construção, louça artística e decorativa e louça utilitária. Visava produzir objetos da mais fina faiança estampadas com gravuras originais para usos ordinários e objetos da mais fina faiança coloridos, podendo neste género fazerem-se objetos de luxo e ornamentais com pinturas originais. Produzia ainda louça ordinária para os usos das classes menos abastadas, louça igual à que atualmente se fabrica nas Caldas, grandes placas coloridas para revestimento de paredes, pequenas placas de faiança mais fina para marchetar, guarnecer móveis e vários objetos de grossa faiança como peanhas, mísulas, colunas, vasos, entre outros.

O investigador caldense analisou os estatutos da Fábrica que datam de 1883 e deu a conhecer a cronologia de factos importantes relacionados com a produção de cerâmica nas Caldas, como a abertura da loja da Fábrica na Avenida da Liberdade, em Lisboa, que contou com a presença da família real.

No final da sua intervenção, João Serra disse que a vinda de Bordalo para as Caldas provocou uma deslocação do interesse das elites compradoras da produção de Manuel Mafra, entre outros produtores.

Reformas educativas

“Reformas Educativas no último quartel do século XIX, início do século XX” foi o tema da intervenção de Rui Lopes, que deu a conhecer o “ambiente cultural/educativo que se traduziu em produção legislativa que suportou o aparecimento de instituições como esta”.

O orador abordou o conceito de reforma educativa “pelo evidenciar da tendência, sempre presente na educação em Portugal, da necessidade de reforma o que tem provocado uma situação paradoxal de reforma permanente”.

Abordou a dinâmica da escola moderna nas suas componentes essenciais, referenciando a “cultura da escola” como elemento estruturante da realidade educativa.

Salientou ainda a criação desta escola em 1885 como “o momento de génese de uma cultura escolar que chega aos nossos dias”. Rui Lopes também abordou as reformas educativas que rodearam essa época como “forma de explicação para a formação e compreensão da matriz histórico-educativa da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro”.

No final da sua intervenção evocou os principais debates político-educativos de então, tentando demonstrar que “são debates de sempre e que ainda hoje estão entre nós”.

Razão e evolução de um projeto com 130 anos

“Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro – 1884 – 2014 Razão e Evolução de um projeto com 130 anos”, foi o tema da intervenção de Mário Tavares.

“No mesmo ano – 1884 – em que Bordalo chegou às Caldas, foi criada a Escola de Desenho Industrial Rainha D. Leonor. Abriu em 7 de janeiro de 1885, com 54 alunos”, revelou o investigador, que apresentou os estudos e motivações que estiveram na base da criação desta escola.

Mostrou a imagem do local (hipotético) onde funcionou a Escola Rainha D. Leonor, que tem azulejos bordalianos no corredor de entrada no edifício.

Segundo o investigador, em agosto de 1887, Emídio Júlio Navarro, ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria do governo progressista, presidido por José Luciano de Castro, elevou a Escola de Desenho, a Escola Industrial, mantendo a mesma designação de Rainha D. Leonor.

Posteriormente, o governo de então “assinou com a Fábrica de Faianças um protocolo, pelo que esta ficava responsabilizada pela educação prática e profissional de um certo número de alunos da Escola Industrial, num montante de 5 contos de réis anuais, durante 15 anos. O acordo vigorava a partir de 1887/1888”. “Dava-se, assim, início no nosso País a uma inovadora experiência de ensino teórico-prático”, relatou Mário Tavares.

Segundo informação dada pelo orador, “em 1918 a Escola Industrial foi despromovida, passando a ser Escola de Artes e Ofícios, surgindo, no ano seguinte a Aula de Comércio – retomando a determinação pombalina de ter-se uma habilitação apropriada para o desempenho de determinadas funções”.

“Em 1924, pela integração das duas Escolas, foi criada a Escola Industrial e Comercial Rafael Bordalo Pinheiro, ministrando 3 cursos: Modelador Cerâmico; Curso de Costura e Bordados (grandemente responsável pela preservação da tradição do Bordado das Caldas), e o Curso Comercial”, referiu o orador. O seu primeiro diretor foi o escultor Eduardo Gonçalves Neves. Seguiram-se Cunha Vaz, Agostinho de Sousa, A. Morais do Vale (escultor e ceramista), Leonel de Sotto Mayor e o escultor Eduardo Loureiro.

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O 2º lugar foi para Martim Marques, da Escola Secundária Rafael Bordalo, no domínio da guitarra.
A 3ª classificação foi para a dupla Marie e Anne, também da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, com cântico e guitarra.

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