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Catarina Martins recolhe assinaturas nas Caldas para desvincular Portugal do Tratado Orçamental

Francisco Gomes

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A porta-voz nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, deslocou-se no passado sábado às Caldas da Rainha para divulgar uma petição contra a austeridade, pela desvinculação de Portugal do Tratado Orçamental da União Europeia. Concentrando-se na Praça da Fruta, onde abordou os transeuntes e recolheu assinaturas, acompanhada por dirigentes locais do partido, teve antes um encontro com a Comissão de Utentes "Juntos pelo Nosso Hospital". “Na saúde se vê bem no concreto o que é a austeridade e as pessoas não terem resposta, com a falta de médicos, a falta de camas, a falta de especialidades. Tivemos nas Caldas esta situação completamente inacreditável da obstetrícia ter fechado durante três dias no Natal, portanto, temos uma degradação dos cuidados da saúde muito acentuada, cortando no que é essencial às pessoas mas a dívida pública continua a crescer”, referiu Catarina Martins.
Porta-voz nacional do Bloco de Esquerda na Praça da Fruta

“Temos estado a fazer por todo o país uma campanha sobre o que representa a austeridade, qual é a alternativa, como podemos sair da austeridade, e ao mesmo tempo temos andado pelo país a falar com as pessoas para lutarem pela dignidade social para quem quer cá viver”, adiantou.

Catarina Martins argumentou que a petição para desvincular o país do Tratado Orçamental se justifica porque “é um instrumento para impor uma austeridade perpétua”. “Não foi referendado em Portugal. Propusemos, mas PSD, PS e CDS negaram. Ao contrário dos outros países da Europa, os portugueses nunca foram chamados pronunciarem-se”, frisou.

“O Tratado Orçamental impõe que a cada ano que passa é preciso cortar no orçamento do Estado 6,8 milhões de euros, que é igual a tudo o que gastamos em toda a educação durante um ano. Portugal pode sair livremente deste Tratado e temos de poder escolher o que queremos fazer no nosso país, não pode estar tudo escrito sem terem ouvido a nossa opinião. Este Tratado nunca teve sentido e foi inventado para ser um instrumento institucional que substituiu os memorandos da Troika, e que impõe metas impossíveis de dívida, com cortes brutais nos orçamentos de Estado. Ficamos sujeitos à imposição das políticas macroeconómicas da Comissão europeia, que pode dizer para precarizar mais o trabalho ou privatizar mais, fazendo uma chantagem permanente sobre os povos”, comentou a porta-voz nacional do Bloco de Esquerda.

A dirigente assegurou que “é possível estar no Euro sem estar no Tratado”. O objetivo, nesta fase, é “discutir o futuro coletivo de Portugal”, e a recolha de assinaturas “obriga a esse debate”. “Já ultrapassámos o limite mínimo de cinco mil para ser discutida a petição na Assembleia da República, mas até ao fim de março vamos estar nas ruas a ouvir as pessoas sobre o país e sobre o Bloco”, indicou.

A bloquista não tem dúvida sobre o reflexo imediato da desvinculação de Portuga do Tratado Orçamental: “É termos possibilidade de escolha, senão, independentemente do Governo que ganhar as eleições, a política será a mesma”.

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