Q

Previsão do tempo

12° C
  • Saturday 11° C
  • Sunday 9° C
  • Monday 10° C
12° C
  • Saturday 11° C
  • Sunday 9° C
  • Monday 10° C
13° C
  • Saturday 11° C
  • Sunday 9° C
  • Monday 10° C
Denuncia bastonário da Ordem

Falta de enfermeiros nos lares de 3ª idade faz entupir urgências dos hospitais

Francisco Gomes (texto) Carina Duarte (fotos)

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
A principal causa do entupimento das urgências dos hospitais é a inexistência de enfermeiros na maioria dos três mil lares de terceira idade em Portugal e que podiam prestar cuidados de saúde primários que evitariam a deslocação massiva dos idosos às unidades hospitalares, afirmou na passada segunda-feira o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, após uma visita ao hospital das Caldas da Rainha, onde constatou “o caos instalado com macas nos corredores”.
O administrador do hospital das Caldas guiou o bastonário da Ordem dos Enfermeiros na visita às urgências

“Muitos lares não têm enfermeiros, enquanto os idosos precisam de cuidados e andam a tomar medicação sem saberem o que é e depois acabam por adoecer e recorrer às urgências dos hospitais”, disse aquele responsável, sustentando que, “muitas vezes, as mortes acontecem, não por responsabilidade dos hospitais, mas sim porque [os doentes] não tiveram os cuidados necessários a montante”.

A grande maioria dos doentes que o bastonário da Ordem dos Enfermeiros encontrou nas macas nas urgências do hospital das Caldas da Rainha tinha mais de 70 anos, o que o levou a exigir que “o Ministério da Saúde e o Ministério da Solidariedade Social têm de se entender no que respeita aos lares de terceira idade”.

O bastonário disse também que “não basta alargar o funcionamento dos centros de saúde”, defendendo que deve ser feito investimento nas equipas de cuidados integrados, que “são enfermeiros dos centros de saúde que vão ao domicílio e que não existem em número suficiente”.

De acordo com Germano Couto, o Hospital das Caldas da Rainha tem atualmente “um défice de 70 enfermeiros”, para cumprir os rácios de qualidade dos vários serviços e, só no serviço de urgência, a carência é de “sete enfermeiros”.

Número de enfermeiros satisfaz administração

A administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) recorre ao Guia de Recomendações para o Cálculo da Dotação de Enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde para sustentar que são necessários 530 enfermeiros para garantir os cuidados de saúde prestados aos utentes do Oeste e o CHO manteve os 534 enfermeiros que tinha em 2013, ou seja, “adicionalmente, 4 enfermeiros”.

“O Serviço de Urgência da Unidade de Caldas da Rainha tem 50 enfermeiros, sendo que o número de enfermeiros necessários, conforme as fórmulas recomendadas, é de 46 profissionais”, vinca.

Em 2013, dos 238 enfermeiros afetos à Unidade de Caldas da Rainha, 57 eram prestadores de serviços contratados através de empresa de prestação de serviços ou em regime de contrato a termo certo. Em 2015, são apenas sete os enfermeiros contratados através de empresa de prestação de serviços, dos quais apenas dois não aceitaram o novo vínculo contratual proposto pela empresa adjudicatária, na sequência de concurso para a contratação destes serviços para o ano de 2015. No global, o CHO integrou no mapa de pessoal, 98 enfermeiros durante o ano de 2014.

“No concurso para 2015, o CHO manteve o valor/hora pago aos enfermeiros, de forma a permitir que o valor/hora pago pela empresa aos prestadores de serviço se mantenha. Por cada hora de trabalho de enfermagem o CHO paga a quantia de 10,35€ à empresa de prestação de serviços, não dependendo deste centro hospitalar a definição do valor/hora acordado entre a empresa adjudicatária e o prestador de serviços”, esclarece a administração, que aponta que se encontra a decorrer um concurso para a integração no mapa de pessoal de 18 enfermeiros, que se pretende que esteja terminado até ao final do corrente mês. “A contratação destes 18 enfermeiros para o mapa de pessoal do CHO foi a autorizada pela tutela, não ficando nenhuma vaga por preencher do seu mapa de pessoa”, sublinha.

Picos de afluência pontuais

A afluência de utentes ao Serviço de Urgência do CHO “tem decorrido dentro da normalidade, com picos de afluência pontuais, tendo em conta a presente época do ano, facto que se repete um pouco por todo o país”, refere a administração.

Por forma a melhorar as condições de atendimento e permanência dos utentes no Serviço de Urgência, o CHO discrimina que tem vindo, desde novembro do ano passado, a implementar um conjunto de medidas: o aumento de 10 camas de internamento na Unidade de Peniche e realocação de até mais 18 camas para apoio à Urgência noutros serviços de internamento do CHO, nas unidades de Caldas da Rainha e Torres Vedras; a agilização do processo de transferência de utentes do Serviço de Urgência e de gestão de altas; o reforço de macas no Serviço de Urgência do CHO, com aquisição de mais seis macas, para além das oito que já tinham sido adquiridas em julho de 2014; as reuniões de trabalho com os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), de modo a melhorar a articulação dos cuidados primários com os cuidados hospitalares; as reuniões com as corporações de bombeiros, para avaliar e procurar antecipar a resposta a eventuais picos de afluxo à Urgência, das quais resultaram propostas de alteração dos procedimentos administrativos na admissão do doente e devolução da respetiva maca.

“A afluência ao Serviço de Urgência depende muito da disponibilidade de acesso dos utentes aos cuidados de saúde primários, sendo por isso relevante que a população entenda que a melhor forma de evitar tempos de espera longos na Urgência é dirigir-se, em primeiro lugar, aos Centros de Saúde ou contactar a Linha de Saúde 24, de modo a evitar uma sobrecarga da urgência hospitalar, reservando este Serviço para os utentes que necessitam de cuidados de saúde emergentes e diferenciados”, manifesta a administração.

Requalificação do Serviço de Urgência

A proposta de ampliação e requalificação do espaço físico do Serviço de Urgência da Unidade de Caldas da Rainha recebeu “luz verde” do ministro da saúde. O projeto contempla a ampliação das áreas de atendimento na Urgência, o aumento da área do Serviço de Observação e a separação física da urgência pediátrica e da urgência geral, que irão permitir melhorar o circuito do utente dentro da Urgência.

Este projeto está orçado em 1,3 milhões de euros (a que acresce o valor do IVA), e será posto em prática após a atribuição do financiamento necessário. “Não é possível, nesta fase, indicar a data de início da obra”, afirma a administração.

Petição sem sentido

Uma petição lançada na Internet para o não encerramento dos serviços de maternidade, psiquiatria e pediatria no hospital das Caldas da Rainha é considerada despropositada pela administração do CHO, que informa que os serviços “não estão nem nunca estiveram em risco de encerramento”.

“Embora tenha vindo a ser equacionada a possível suspensão temporária da atividade assistencial do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do CHO, na sequência do pedido de exoneração da administração pública da coordenadora e única médica da especialidade a exercer funções a tempo inteiro no Centro Hospitalar, o Serviço encontra-se a funcionar, provisoriamente, com um médico psiquiatra que exerce funções no CHO a meio tempo, e que está a dar resposta ao atendimento dos utentes que já vinham a ser seguidos pelo Serviço” descreve.

“É do interesse do CHO continuar a prestar cuidados de proximidade aos utentes na área da Psiquiatria e Saúde Mental, motivo pelo qual o Conselho de Administração do CHO tem solicitado, junto da tutela, a abertura de vagas para assistente hospitalar de Psiquiatria. As vagas têm vindo a ser abertas, ano após ano, sendo que nenhum dos médicos oponentes aos concursos optou por preencher, efetivamente, as mesmas. Assim sendo, havendo psiquiatras interessados em concorrer, a falta destes profissionais ficará ultrapassada, podendo o Serviço em questão retomar a atividade. Como é natural, não depende do CHO a existência efetiva de candidaturas para médicos desta especialidade”, manifesta.

Neste momento a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e o CHO encontram-se a trabalhar na procura de uma solução que permita dar resposta imediata às necessidades dos utentes seguidos pelo Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental.

“Por estas razões, foi com grande surpresa e admiração que o CHO teve conhecimento da petição pública lançada na internet por um cidadão anónimo, que alerta a “população em geral do distrito e concelho das Caldas da Rainha” para o alegado encerramento dos serviços de Obstetrícia, Psiquiatria e Pediatria da Unidade de Caldas da Rainha. Assim, não pode o Conselho de Administração do CHO deixar de lamentar este ato infundado, que causa alarmismo na população sem motivo para tal, uma vez que não está nem nunca esteve previsto o encerramento de qualquer serviço no CHO”, refere.

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Últimas

Artigos Relacionados

Suspeitos de pesca ilegal fogem à GNR

O Subdestacamento de Controlo Costeiro da Nazaré da GNR apreendeu seis quilos de meixão naquele concelho, no passado dia 24, no âmbito de uma ação de fiscalização levada a cabo com o objetivo de combater a captura ilegal de enguia europeia, vulgarmente conhecida...

meixao 1

Infantis de Óbidos em bom plano

A equipa de infantis do clube Óbidos Criativa competiu, no passado dia 21 na XXX Taça Vale do Tejo, nas piscinas municipais de Alcobaça. Mara Cotrim, Leonor Martins, Leonor Silva, Justin Borges, Tiago Correia e Pedro Capinha foram os jovens que nadaram com as cores...

infantis 2

Óbidos Cycling Team quer ser referência em sub-23

Nasceu a Óbidos Cycling Team sob a égide do Município de Óbidos, concretizando o sonho do diretor e manager da equipa, Micael Isidoro, ex-ciclista profissional licenciado em treino desportivo com especialização na área do ciclismo, pós-graduação e mestrado em alto...

cycling