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Transferido para Abrantes após recusa de três hospitais

Família quer saber causa da morte de doente operado nas Caldas

Francisco Gomes

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A família de um doente de 60 anos que faleceu na sequência de operação à vesícula e vias biliares quer saber o que motivou a infeção após a intervenção cirúrgica que veio a originar o desfecho fatal dez dias depois. Antes de morrer, o homem viu o seu internamento recusado em três hospitais com cuidados intensivos.
A viúva de João Brochado pede que seja revelada a verdade

João Brochado foi operado no hospital das Caldas da Rainha no dia 12 de fevereiro, para retirar uma prótese que tinha na vesícula. No segundo dia após a intervenção, o estado de saúde agravou-se e conforme a situação o exigia foi decidida a sua transferência para uma unidade de cuidados intensivos adequada para casos deste género.

Começou então um “filme” de sucessivos telefonemas do hospital das Caldas da Rainha para outras unidades especializadas, no sentido de procederem à imediata transferência do doente, atenta a gravidade do seu estado clínico. “Tinha tensão muito baixa e febre alta, e precisava de equipamento de suporte por dificuldade respiratória que o hospital das Caldas não tinha”, revelou Cláudia Sofia, filha da vítima.

Iniciados os contactos por volta das 16h00, com recusas atrás de recusas, por falta de vagas, cerca de 30 minutos depois foi no hospital de Abrantes, a cerca de 110 quilómetros e a setenta minutos de distância, para onde o doente foi transferido por volta das 17h00, após ser recusado nos hospitais de Santa Maria, Loures e Leiria, que a família ficou a saber que “tinha havido uma infeção generalizada” e que João Brochado “apresentava uma fístula, uma ferida” na área intervencionada, segundo Cláudia Sofia.

“A intervenção e o pós-operatório imediato decorreram normalmente”, assegurou Isabel Carvalho, diretora clínica do Centro Hospitalar do Oeste, do qual faz parte a unidade das Caldas da Rainha. “A sépsis é uma complicação que pode surgir em qualquer tipo de doente”, sublinhou, desconhecendo a razão porque o doente morreu. “Saiu daqui dois dias depois de ser operado e ainda viveu mais de uma semana. Dados clínicos concretos não vou dar porque estão em investigação”, sustentou.

A responsável médica garantiu que o tempo que se demorou a encontrar uma unidade de cuidados intensivos que recebesse o doente não teve influência, já que “está de acordo com os circuitos habitualmente realizados e necessários à transferência segura dos doentes”, já que “foram gastos cerca de trinta minutos em contactos telefónicos” e na altura o paciente “não estava entre a vida e a morte”.

“O processo de transferência até foi rápido, porque às vezes há situações em que há mais dificuldades em encontrar vaga em cuidados intensivos, porque este doente precisava de uma vigilância próxima e monitorização apertada em termos de recursos humanos e técnicos, mas compreende-se que as unidades possam estar cheias. Se conseguirmos um dia vir a ter cuidados intensivos era uma maravilha, mas não é essencial para que o Centro Hospitalar Oeste continue a prestar os cuidados que faz”, adiantou.

Em Abrantes foi submetido a nova intervenção cirúrgica e submetido a coma induzido. Contudo, viria a falecer no dia 24.

A família mostra-se indignada. Mais do que contestar a falta de meios no hospital das Caldas, nomeadamente de uma unidade de cuidados intensivos, ou até questionar as dificuldades encontradas para a transferência de João Brochado, os familiares querem saber se algo de errado se passou durante a cirurgia nas Caldas da Rainha.

“Queremos saber qual era o diagnóstico, que complicações surgiram e qual é a causa da morte”, manifestou Cláudia Sofia, que dirige perguntas à direção clínica: “O porquê da cirurgia, o que realmente foi feito e falhou onde?”.

“Nunca conseguimos falar com o médico que o operou, apenas nos disseram que a operação tinha corrido bem”, adiantou. Estranha também circular a informação que o pai tinha um tumor, quando os exames anteriores não o detetaram.

Pedro Coito, o cirurgião que operou, não falou à imprensa dos pormenores do caso, mas na qualidade de presidente do conselho distrital do Oeste da Ordem dos Médicos confirmou as dificuldades em conseguir transferência de doentes à primeira tentativa e defendeu a necessidade de uma Unidade de Cuidados Intensivos nas Caldas da Rainha para acompanhar a urgência médico-cirúrgica.

Para esclarecimento de todo o processo relacionado com o internamento e tratamento do doente, foi aberto um processo de inquérito interno no hospital das Caldas, devendo o mesmo acontecer em Abrantes. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde também anunciou abrir um processo de investigação.

Eduarda Nogueira, viúva de João Brochado, pede que lhe seja transmitida a verdade: “Deem a cara, se erraram digam, sejam sinceros, não se encubram, digam que não correu bem e que houve complicações, não inventem nem façam desculpas”.

Entre as várias reações públicas, destaque para o anterior presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, que lançou farpas ao ministro da Saúde: “Não precisa de esperar pelo inquérito para saber porque morreu o meu amigo Brochado. Veja a minha intervenção no congresso do PSD sobre a sua política, nomeadamente sobre os Hospitais das Caldas, onde a degradação dos serviços é alarmante. Tem aí a resposta! Os responsáveis? Não precisa que os aponte!”

João Brochado, natural de Lourenço Marques, Moçambique, vivia nas Caldas da Rainha e era designer na empresa Castelhano & Ferreira SA, em Leiria. Apesar de sua idade, frequentava o 1º ano de Mestrado de Design Gráfico na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha. Foi sepultado no dia 25, no cemitério de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha, vestido com traje universitário.

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