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Distrito Médico do Oeste considera que Centro Hospitalar do Oeste revela “evidente prejuízo assistencial”

Marlene Sousa

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“Por uma Ordem para os Médicos e pelos doentes”, é o lema da lista encabeçada por Pedro Coito, que se recandidatou e cumpre o 2º mandato à frente do Distrito Médico do Oeste da Ordem dos Médicos.Marlene Sousa
A tomada de posse dos órgãos do Distrito Médico do Oeste – triénio 2014-2016

A tomada de posse dos órgãos do Distrito Médico do Oeste – triénio 2014-2016, decorreu no dia 30 de janeiro, na sua sede, nas Caldas da Rainha, numa cerimónia presidida pelo Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva.

A sessão abriu com a atuação de alunos do Conservatório de Música de Caldas da Rainha, com vários temas musicais.

“Nós estamos a assistir a um dos maiores ataques à dignidade da classe médica à acessibilidade e aos direitos dos doentes a terem acesso a cuidados de saúde de qualidade e atempadamente e ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e à pequena medicina de proximidade”, disse, o bastonário da Ordem dos Médicos.

Referiu que ainda viu na comunicação social “a vontade de um dos maiores grupos privados da saúde, o grupo BES, querer crescer à custa das pequenas clínicas”. José Manuel Silva disse que é exatamente aquilo que a Ordem dos Médicos tem vindo a alertar e “inevitavelmente acontecerá por força da colaboração do Governo através de uma legislação impossível de cumprir pelos pequenos prestadores privados de saúde a nível dos licenciamentos e a nível das convenções”. O bastonário sublinhou que “corremos seriamente o risco de ter um SNS diminuído à sua expressão mínima e a saúde privada concentrada em dois ou três grandes prestadores eventualmente nacionais ou multinacionais e com uma saúde a duas velocidades e os médicos proletarizados entre os dois sistemas”.

Para José Manuel Silva, o médico tem de ser o último “garante da qualidade da saúde”, sublinhando que vê neste momento na saúde, “o medo entre os profissionais, que têm alguma dificuldade em se pronunciarem em defesa daquilo que é o direito do doente a ter acesso a cuidados de saúde de qualidade”.

“CHO vítima de uma fusão atabalhoada”

No seu discurso de apresentação, Pedro Coito mostrou-se disponível para colaborar com todos para o futuro da saúde no Oeste. “Não calaremos a nossa indignação perante a continuada desvalorização das nossas estruturas hospitalares locais, de que são exemplos claros e objetivos os Hospitais de Caldas, Peniche e Torres Vedras, todos com problemas acrescidos e vítimas de uma fusão atabalhoada e desmotivadora, e que só encontra defensores no arco do poder central e institucional”, disse o presidente do Distrito Médico do Oeste. Segundo este responsável, o Centro Hospitalar do Oeste (CHO) “não satisfaz os profissionais, não tem o apoio das autarquias e populações, e revela evidente prejuízo assistencial, apesar de algumas melhorias pontuais em equipamentos e recursos humanos”.

Pedro Coito disse que a Ordem dos Médicos compreende que são necessárias reformas, mas afirmou que têm que ter “uma missão clara, servir melhor e com mais eficiência”. “É absurdo fazê-lo por partes, ignorando o todo, quebrando as estruturas e orientando-as para outras finalidades, com desprezo por hábitos de trabalho comuns”, disse, acrescentando que “as lideranças não devem ser individuais, exigem trabalho em equipa e boas capacidades de comunicação que provoquem adesão por parte dos outros”.

Para este responsável há que saber “ouvir, passar algum tempo junto de médicos, enfermeiros e doentes, para se poder compreender a verdadeira génese dos problemas, criar empatia e respeito, revelar um verdadeiro espírito de liderança”.

Pedro Coito afirmou que sem a livre participativa aceitação e contributo da classe médica, “qualquer sonho está votado ao fracasso ou será dificilmente concretizável”. Considerou absurdo que “ninguém cuidou em ouvir os responsáveis das estruturas representativas dos profissionais, mormente a Ordem dos Médicos, que têm o dever de ter, e têm, opinião formada e informada”. “Assim não há reforma que possa vingar”, sublinhou.

O presidente do conselho distrital declarou que o Distrito Médico do Oeste continua a defender a “construção de um novo hospital no Oeste Norte, farto de promessas nunca cumpridas e sempre adiadas, geradoras de frustrações profissionais indeléveis e de carências assistenciais cada dia mais gritantes”.

“E o Hospital Termal, que é feito dele?”, questionou Pedro Coito, considerando que “um legado único e motor e alma desta cidade que viu nascer há mais de 500 anos, merecia outro empenhamento e tratamento”.

No que se refere à Medicina Geral e Familiar, pilar fundamental da pirâmide sanitária, este responsável revelou que também vive dias de grande preocupação, escassez de recursos e indefinição. “É preciso reforçar os cuidados de saúde primários, tornando-os no centro do sistema, com aumento da sua eficiência e custo-efetividade”, afirmou Pedro Coito, lamentando “o abrandamento do ritmo de abertura de novas USF””.

“Trata-se de uma reforma que apresenta ganhos em saúde para a população e maior satisfação dos profissionais, e que quanto mais se generalizar no País, mais contribuirá para uma melhor racionalização dos custos e para a redução do afluxo inapropriado dos doentes ao serviço de urgência”, adiantou.

Para Pedro Coito, no Oeste a confusão está instalada com a “referenciação dos doentes do norte da região, em que uns drenam para o Hospital das Caldas, outros para Alcobaça e outros ainda para Leiria. Centros de saúde que pertencem ao ACES Oeste Norte/ARS de Lisboa e Vale do Tejo e hospitais dependentes da ARS do Centro”.

Apesar de tudo, Pedro Coito disse que continuarão a colaborar e participar numa “reforma da saúde distrital, em que, em diálogo franco e aberto, se potenciem recursos, concentrem competências e experiências, com aumento da eficácia e efetividade dos serviços prestados, com a compreensão e empenhamento de todos e não contra tudo e contra todos”.

Para este responsável, deve ser uma prioridade e preocupação permanente, “reconhecer a qualidade do exercício profissional, bem como das condições de trabalho e de acolhimento dos doentes, como foco crítico e sistemático, valorizando o mérito de forma significativa e penalizando igualmente aqueles que não cumprem com o que lhes é exigível”.

Aos colegas que cessaram funções, Pedro Coito deixou uma palavra de apreço e aos que foram empossados pela 1ª ou 2ª vez, “os votos de excelente e proveitoso trabalho em equipa”.

O Distrito Médico do Oeste da Ordem dos Médicos continuará a promover sessões debate de temas com importantes e transversais e com convidados de reconhecido mérito.

A sessão anual de boas vindas aos novos internos terá lugar na sede da Ordem, no dia 27 de fevereiro.

Órgãos Distrito Médico do Oeste

Mesa Assembleia Geral

Presidente – Manuel Seixas

Vice Presidente – Isabel Ramos

1º Secretário – Rosário Monteiro

2º Secretário – Rui Garcia

Membros Consultivos – Ana Pipa, Joana Louro. Nuno Santa Clara

Conselho Distrital

Presidente – Pedro Coito

Vogais – António Curado, Cristina Teotónio, David Rodrigues, Helena Almeida

Delegado – Rafael Gomes

Mandatário – Alves Dias

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