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Livro “Segredos da Maçonaria Portuguesa” em conferência do JORNAL DAS CALDAS

Francisco Gomes

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O autor do livro “Segredos da Maçonaria Portuguesa”, António José Vilela, participou na passada sexta-feira na conferência sobre o tema promovida pelo JORNAL DAS CALDAS na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste (EHTO), nas Caldas da Rainha. A maçonaria tem sido um campo da sua investigação ao longo de mais de dez anos e nesta obra editada pela Esfera dos Livros, com dez mil exemplares publicados, contam-se as histórias dos pedidos de favores maçónicos a Paulo Portas e os convites do Grande Oriente Lusitano (GOL) e a Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal (GLLP/GLRP) a Pedro Passos Coelho e António José Seguro, a revolta maçónica contra o gestor António Mexia, a iniciação de Isaltino Morais, a festa maçónica com o cantor-imitador Fernando Pereira, o episódio do mestre maçon que mudou de sexo e todos os pormenores da sessão em que Nuno Vasconcellos, presidente da administração da Ongoing, foi eleito venerável da Loja Mozart.
Evento na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste/foto Marlene Sousa

O jornalista conta outros episódios que ilustram que as redes de contactos e os jogos de favores não se esgotam no meio político. Exemplo disso são os contactos entre Silva Carvalho, ex-agente dos serviços de informação da República, e Nuno Vasconcellos – um caso que mereceu cobertura nos jornais.

A 5ª conferência do JORNAL DAS CALDAS começou com um “welcome drink” oferecido pela EHTO e preparado pelos formandos dos cursos de pastelaria e restauração, o que levou o diretor do estabelecimento, Daniel Pinto, a comentar que “serviu para colocar os nossos alunos em prática”, revelando que “é com muito prazer que a EHTO recebe a iniciativa do JORNAL DAS CALDAS”.

Em representação do Município caldense, o vereador Hugo Oliveira afirmou que “é sempre com muito agrado ver o JORNAL DAS CALDAS fazer conferências deste género e a Câmara tem gosto em estar presente”.

“É uma matéria que eu tinha alguma dificuldade em falar, por desconhecimento, mas sempre tive curiosidade em saber o que é isto de sociedades secretas e pergunto: o livro trata de ficção, realidade concreta ou aumentada?”, interrogou o autarca, indicando que “nas Caldas há tradição nesta matéria e até houve uma pessoa que me disse que existem alguns símbolos maçónicos no teto da farmácia Freitas”.

António Salvador, em nome do JORNAL DAS CALDAS, apresentou o autor – que tem 44 anos e é grande repórter da revista Sábado, licenciado e doutorando em Comunicação Social, mestre em Ciência Política, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade Técnica de Lisboa, e escreveu os livros “Viver e Morrer em Nome das FP25 de Abril” (2005), “Segredos e Corrupção, o Negócio das Armas em Portugal” (2009), e “Salazar e a Conspiração do Opus Dei” (2011).

Sobre a maçonaria, António Salvador considerou ser “um tema polémico e que suscita curiosidade”, confessando que “pesquisei para me inteirar e não sei se é secreta porque encontrei tanta informação sobre o assunto que a palavra secretismo é dificil de encaixar, mas é assim que o comum cidadão olha para este tema, com algum segredo, mistério, um quase sub-mundo que está na nossa sociedade”.

Estava lançado o mote para a conversa, com moderação de António Salvador e do chefe de redação do JORNAL DAS CALDAS, Francisco Gomes, não sem antes do autor ser confrontado com um desabafo seu no Facebook, onde escreveu que “anda um gajo a investigar durante anos e vem um livro com receitas de bacalhau e leva-nos o primeiro lugar do top”.

“Foi um desabafo apenas. Tive a perceção que o tema cativava os leitores mas também não contava que o meu livro chegasse ao primeiro lugar. Parti para este livro com um intuito. Há dois tipos de livros sobre a maçonaria – sobre a sua história e as coisas boas que fez pelo Mundo e em Portugal, escritos por gente que teve uma relação com a maçonaria e por alguma razão saiu – e eu quis fazer um livro diferente, porque eu não sou, nem nunca fui convidado para ser, mas quis revelar algumas das histórias que se passam dentro das lojas maçónicas”, afirmou António José Vilela.

“O que eu quis foi tentar perceber ao longo dos anos um conjunto de coisas que estão dentro da maçonaria e que as pessoas que não estão desconhecem. Quando se fala que a maçonaria não tem segredos porque se vai à net e conseguem encontrar 50 mil coisas sobre a maçonaria, é preciso dizer que não é uma organização secreta mas tem segredos”, referiu.

“Eu não tenho nada contra os maçons mas o viver em segredo leva as pessoas a terem um ódio à maçonaria. Como não há abertura da maçonaria para a sociedade, leva a que haja a tentativa de encontrar na maçonaria um bode expiatório”, sustentou.

“Há pessoas que questionam se é um poder perverso e obscuro. Constato isso. Se calhar a maçonaria devia fazer alguma coisa. Mas, neste momento, a maçonaria até adotou a regra de que só o grão-mestre é que fala e há até há maçons que se queixam de delito de opinião, por serem suspensos por terem falado”, sublinhou António José Vilela.

António Salvador aproveitou para divulgar que na sequência de um suplemento sobre a maçonaria publicado em 2012 pelo JORNAL DAS CALDAS, o entrevistado nessa altura, o caldense José Carlos Nogueira, soberano grande comendador, foi “penalizado por ter falado”.

“No mundo anglo-saxónico em geral ser maçon é algo de fantástico e assumido publicamente, e no mundo da América do Sul temos grandes figuras e quando olhamos para a sociedade portuguesa vemos a tentação de esconder, porquê esta dualidade?”, questionou António Salvador.

“Não sei exatamente qual é o problema nem tenho uma explicação para isso”, respondeu o autor, para quem “o que é e para o que serve a maçonaria é uma resposta que deve ser dada pelos maçons”. “A maçonaria quer ter influência”, vincou.

O jornalista assegurou que o livro “não é ficção e está assente em documentos que consegui das duas principais maçonarias”, admitindo que teve como reações acusarem-no de “pertencer ao GOL e querer destruir a GLLP/GLRP e vice-versa”.

“Há maçons que não ficarão muito contentes com as histórias contadas e divulgação de nomes, mas a maçonaria tem muitos mais segredos e falta no livro muitas mais coisas”, apontou.

Ainda assim, António José Vilela rejeita ter cometido algum “pecado mortal” ao escancarar os portões do secreto universo da irmandade, pondo a descoberto os rituais dos maçons, as guerras internas pela conquista de poder no topo da hierarquia – o lugar de grão-mestre, e as teias invisíveis de influência que se tecem no interior dos templos e se estendem aos mais diversos setores da sociedade.

“Não sofri pressões de maçons”, revelou António José Vilela, quando confrontado sobre se foi assediado na altura da elaboração do livro e após a publicação.

Durante a conferência foi aberto um período de perguntas do público, com destaque para questões sobre a envolvência da maçonaria na Igreja, se o objetivo do livro não era apenas vender e se a maçonaria não era uma agenda de empregos. O autor retorquiu que sabia pouco sobre as relações da Igreja e da Maçonaria, e por isso não escreveu nada sobre o assunto, e garantiu também que o seu intuito com a publicação não foi ganhar dinheiro com as vendas. “Com os números do desemprego em Portugal nem a maçonaria nos safa”, gracejou. “Há perceção de algumas pessoas que vão para a maçonaria de que pode funcionar como uma proteção, mas não sei se é uma realidade que aconteça”, disse, mais a sério.

Esta iniciativa do JORNAL DAS CALDAS contou com o apoio da Mais Oeste Rádio (que transmitirá em diferido a conferência), da Makewise – Novas Tecnologias (que garantiu a transmissão vídeo para os vários sites do Grupo do JORNAL DAS CALDAS), e do jornal Diário de Leiria.

Francisco Gomes

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