Q

Previsão do tempo

20° C
  • Saturday 20° C
  • Sunday 23° C
  • Monday 21° C
20° C
  • Saturday 21° C
  • Sunday 23° C
  • Monday 22° C
20° C
  • Saturday 22° C
  • Sunday 24° C
  • Monday 23° C

Cartas e pensamentos de uma mulher com cancro da mama em livro

Francisco Gomes

EXCLUSIVO

ASSINE JÁ
O relato de como uma mulher com cancro da mama ultrapassou o problema oncológico, num verdadeiro hino à vida, está retratado no livro de Liesbeth Vermoesen, uma empresária ligada ao setor do turismo natural da Bélgica mas há várias décadas a viver em Salir do Porto, nas Caldas da Rainha.
Liesbeth Vermoesen, autora do livro, e Célia Antunes, fundadora do Projeto Olha-Te

“462 gramas [o peso da mama removida] – cartas e pensamentos de uma mulher com cancro da mama” é o título do livro, lançado no passado dia 2 no espaço do Projeto Olha-Te no Vivaci Caldas. O Olha-te visa o bem-estar de doentes oncológicos e respetivos companheiros de luta, num convite para olhar para si próprio através de atividades expressivas e lúdicas. Foi através do Projeto que Liesbeth editou o livro, numa primeira fase com 150 exemplares, à venda por doze euros.

No mesmo dia em que foi apresentado, o Olha-Te recebia a notícia da perda de um dos seus membros, Élia Parreira, vítima de cancro. Mas o livro acaba por mostrar que perante esta doença a derrota não é o único resultado.

Célia Antunes, fundadora do Projeto Olha-te, escreve no prefácio que “encontramos nestas páginas um diário de um ano e meio, um tempo que parecia não passar”. Durante este tempo, Liesbeth “escreveu a amigos, familiares e textos para si própria, com a intenção de lhe serem aliviados os pensamentos e sentimentos que a atormentavam”.

No seu entender, esta é “uma forma se de perceber o que se passa dentro de uma pessoa com cancro”, sendo por isso “um livro que pode ajudar uma pessoa que esteja a passar ou que passou por um problema oncológico”.

“O pensamento positivo, o cuidar do corpo e da mente. Sentir as pequenas vitórias, o fim de cada etapa. É como chegar à meta depois de um grande esforço. A alegria que se sente é incomparável”, relata Célia Antunes, que também superou um problema oncológico.

“Descobrimos neste livro uma maneira de ser positiva, mesmo no momento em que a feminilidade foi posta em causa e que a morte esteve tão perto”, acrescenta.

Liesbeth encontrou uma série de entraves para começar os tratamentos e isso modificou o cenário da doença. Como se estivesse a ter um pesadelo entro de outro pesadelo. Para além da doença, sofreu pela angústia do atraso dos tratamentos, o que levou a que o tumor se desenvolvesse e acabou por ser sido mastectomizada.

A autora do livro tem 52 anos. Há dois foi-lhe diagnosticado cancro da mama. “Havia um monstro, que dormia pacífico enrolado. Não fazia mal nenhum. Até que foi picado. Acordou e explodiu de raiva. E cuspiu o seu fogo por todo o lado. É o meu sentimento tonto do que a biopsia provocou ao meu tumor. Não devia ter permitido terem acordado o monstro”, recorda.

“Algo que teria sido de fácil resolução no estádio prematuro, infelizmente perdeu-se demasiado tempo para começar o tratamento. Antes da biopsia não sentia nada. A biopsia provocou uma equimose. A partir daí o tumor cresceu”, relata Liesbeth.

Depois de inúmeros tratamentos, sessões, deslocações e reclamações, o cenário evoluiu para uma operação para remover a mama esquerda e os gânglios linfáticos da axila esquerda. “A minha mama pesava 462 gramas. O aspeto visual não é assim tão mau. O pior é a sensação. No lugar daquela mama macia, agora é duro como osso”, descreve Liesbeth.

Mas depois da tempestade, a bonança. “Já não estou doente e já posso aproveitar a minha vida. O meu cabelo cresce devagarinho e já tenho novamente sobrancelhas e pestanas curtas. Consigo ler. A comida e a bebida sabem-me bem. Recuperei a força nas minhas pernas”, relata no livro, na altura em que ainda sofria alguns efeitos secundários da quimioterapia.

“Foi muito difícil, mas passou! E espero que tenha passado para sempre. Recebi muita ajuda e apoio e fico feliz por agora poder ajudar e apoiar outros”, afirma a empresária, que explora o alojamento local “Casa das Figueiras”, em Salir do Porto, e promove caminhadas na região.

A obra teve também uma apresentação na Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, numa iniciativa do Rotary Clube das Caldas.

Francisco Gomes

(0)
Comentários
.

0 Comentários

Deixe um comentário

Artigos Relacionados

Papagaios gigantes coloriram o céu na Foz do Arelho

O passado fim-de-semana foi de grande animação na Foz do Arelho, com diversos eventos a terem lugar, no âmbito do 2º Festival da Lagoa. No domingo, os papagaios tomaram conta do céu.

primeira

Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e Bloco de Partos continuam fechados ao fim de semana

A Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e Bloco de Partos no hospital das Caldas da Rainha, na Unidade Local de Saúde (ULS) do Oeste, vão continuar a não receber utentes entre as manhãs de sexta-feira e de segunda-feira e quem necessitar de assistência médica deverá dirigir-se ao Hospital de Santarém, pertencente à ULS da Lezíria.

urgencia

“Mural dos afetos” dá as boas-vindas a quem chega à cidade

A imagem de uma mãe abraçada à filha embeleza a fachada de um edifício na Rua General Amílcar Mota, na entrada sul da cidade. Trata-se de um mural de arte urbana, da autoria de Daniel Eime, que identifica Caldas da Rainha como uma cidade que há uma dezena de anos faz parte do Movimento Cidade dos Afetos.

afetos