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EDITORIAL

PARA ONDE CAMINHA PORTUGAL?

Jaime Costa

EXCLUSIVO

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Impostos e mais impostos são as palavras de ordem apresentadas pelo primeiro-ministro e, também, pelo ministro das finanças, sempre que se dirigem aos portugueses.

Agora, o agravamento fortíssimo da austeridade inclui, no seu pacote, para além dos acréscimos do IRS e do IMI, o aumento da Taxa Social Única (TSU) em 7% para todos os trabalhadores, passando as empresas a beneficiar de um corte nos descontos para a segurança social de 5,75%.

Com estes anúncios, o governo conseguiu a proeza de virar contra si os mais variados setores da vida portuguesa: empresários, trabalhadores, pensionistas, sindicatos, economistas, analistas políticos e destacadas personalidades oriundas de várias sensibilidades.

Adriano Moreira, professor catedrático, antigo ministro de Salazar e ex-lider do CDS à entrada para um jantar de homenagem afirmou que “ a pressão tributária tem limites”.

Para Bagão Félix, ex-ministro do CDS “ estamos perante uma indecência fiscal”.

O líder da juventude social democrata disse que “prefiro cortar no estado a cortar nas pessoas” e adiantou “só três grandes empresas cotadas em bolsa encaixam 50 milhões de euros por ano com a baixa da TSU”.

Já Marcelo Rebelo de Sousa, referindo-se aos novos impostos, afirmou que o governo “ para o mexilhão foi concreto mas para as fortunas foi vago” e foi mais longe ao dizer “ quando ouvi a declaração de Passos Coelho, fiquei gélido”.

As centenas de declarações de indignação de importantes figuras públicas, com origens ideológicas diferentes, demonstram bem o desgoverno, a arrogância e a insensibilidade dos governantes.

Até para a histórica Manuela Ferreira Leite (PSD) “ se continuarmos com estas medidas, em 2014 o país está destruído” e adianta “ só por teimosia se pode insistir nessas medidas” referindo mesmo “ parece que se quer ficar igual à Grécia de propósito”.

Mário Soares mostra-se indignado e acrescenta ” o PS só pode chumbar o orçamento”.

Para Abebe Selassie, chefe da missão do FMI “ simplesmente reduzir salários ( em Portugal ) não vai resultar”.

No meio de todo este coro de protestos o PM durante a sua entrevista dada à RTP, na passada quinta-feira, pouco explicou e as suas respostas em nada convenceram a maioria dos portugueses, levando às ruas das principais cidades do país, milhares de indignados, no passado sábado.

E das duas uma – ou o governo cede em algumas medidas, em especial na TSU, ou o país poderá ficar ingovernável o que seria péssimo para todos.

Talvez com menos arrogância e teimosia Portugal possa encontrar, com serenidade, uma saída para a crise.

ASSIM É QUE NÃO VAMOS LÁ!

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