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Nudismo ainda é prática tímida nas praias do Oeste

Francisco Gomes

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Embora não sendo uma praia naturista oficial, o que não existe na região Oeste, a praia da Gralha, próximo de São Martinho do Porto, protegida por uma encosta de cerca de trinta metros, é procurada ocasionalmente por quem pratica nudismo, tolerado pelos banhistas, que aproveitam o extenso areal para se protegerem de eventuais mirones.
Há quem assuma a nudez na praia como algo natural/foto Carlos Barroso

Isabel Simões, 33 anos, professora, já fazia “topless”, mas só começou por se despir toda na praia depois de incentivada pelo companheiro, oito anos mais velho, administrativo numa empresa das Caldas da Rainha, que costumava fazer nudismo na praia da Gralha.

“Sempre tive vontade de experimentar mas, tal como algumas minhas amigas, tinha vergonha e por isso só acompanhada do meu namorado é que me sinto capaz de o fazer porque dessa forma me sinto mais protegida”, conta.

Mas a exposição um dia colocou-a numa situação “algo constrangedora”. “Encontrei os pais de um aluno na praia e fingi que não os conhecia. Eles estavam à beira-mar de fato de banho e eu não. Tive de esperar que se afastassem para sair da água”, recorda.

Com menos problemas de se expor nu na praia está Gentil Louro, de 55 anos, das Caldas da Rainha, bancário em serviço em Coimbra. “Quem quer faz, quem não quer não atrapalha”, é a sua filosofia. “Já venho à praia da Gralha há mais de trinta anos e aqui ninguém fica chocado porque sabe que pode encontrar alguém nu, apesar da maior parte dos banhistas não se despir totalmente”, afirma.

Na ocasião em que falou com o JORNAL DAS CALDAS estava de calções e a esposa fazia “topless” deitada na toalha. “Não tenho problemas em tirar os calções e ir assim para a água”, assegura, indicando que quem costuma ver a fazer nudismo tem entre 35 e 55 anos. “Os mais jovens não fazem”, relata.

Joaquim Branco, de 51 anos, também pratica nudismo “ocasionalmente, quando me apetece”. Residente na região de São Martinho do Porto, o banhista afirma que, quando o faz, “não tenho preocupação em olhar à volta para ver se está alguém”. A companheira faz “topless” enquanto lê um livro e não se mostra interessada em falar sobre o tema. Joaquim Branco reconhece que “o nudismo é para se fazer em sossego e não para dar nas vistas”. “Só assim faz sentido”, sustenta.

Na região outras praias estão referenciadas como sendo abertas a nudismo tolerado, mas não exclusivo. É o caso da praia do Norte, na Nazaré, onde existe “nudismo ocasional”. Na praia do Salgado, entre a Nazaré e São Martinho do Porto, também se veem alguns banhistas sem roupa.

A praia do Rei Cortiço, em Óbidos, a Praia d’El Rei, entre Óbidos e Peniche, a praia da Almagreira, em Peniche, ou a praia de Valmitão, perto da Lourinhã, são algumas em que o nudismo não é censurado.

Em qualquer uma delas há sempre a possibilidade de “mirones” esporádicos junto à vegetação ou dunas.

O tema ainda é tabu para muita gente, esbarrando em resistências ou, no mínimo, no desinteresse de instituições e leis. Os empresários portugueses também ainda não revelaram apetência pelo setor.

É claro que a prática é muitas vezes olhada como hábito excêntrico e há mesmo quem julgue que há motivações escondidas para quem gosta de andar nu todo o dia, como se se tratasse de uma anormalidade, amoralidade ou perversão. Mas os naturistas estão convencidos de que são a educação e as convenções sociais que ensinam a vergonha da nudez própria e alheia, criando-se assim impedimentos a uma atitude de naturalidade perante o corpo.

Contudo, há uma diferença entre nudistas e naturistas, sendo que o naturismo é uma filosofia de vida e o nudismo é uma mera prática balnear.

No país existem sete praias oficiais onde se pratica naturismo – Bela Vista, em Almada, e Meco, em Sesimbra, Praia do Salto e Alteirinhos, no Alentejo, Adegas, Ilha Deserta e Ilha de Tavira, na costa algarvia.

Francisco Gomes

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