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Hospital das Caldas melhora atendimento no Serviço de Urgência

Francisco Gomes

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O Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica do Centro Hospitalar do Oeste Norte (CHON), localizado no Hospital das Caldas da Rainha, foi alvo de um conjunto de obras que visa melhorar o atendimento aos utentes. Com esta intervenção foram, entre outras melhorias, criados dois novos gabinetes de triagem e de atendimento médico, aumentando de forma significativa a capacidade de resposta da Urgência.
Triagem no hospital das Caldas com novas salas/foto Carlos Barroso

Foi possível duplicar a capacidade de atendimento para triagem (desenvolvida por enfermeiros com formação específica para o sistema de Triagem de Manchester), passando de um para dois gabinetes. Este segundo gabinete destina-se à realização de triagem nos períodos em que se verifique maior afluência de doentes, diminuindo-se o tempo de espera para a realização da triagem inicial.

Os doentes chegam ao hospital a pé, de maca ou de cadeira de rodas. Inscrevem-se ou são inscritos para serem chamados para a triagem de prioridades.

Desde 2005 que a triagem de Manchester está implementada no Hospital das Caldas e é feita com base na queixa do doente, consoante a gravidade, sendo atribuídas cores diferenciadoras: Azul (menos grave), verde, amarelo, laranja e vermelho (passa diretamente para o atendimento).

Os doentes “azul” ou “verde” aguardam à saída do gabinete de triagem pela chamada. A intervenção realizada permitiu a melhoria das condições físicas da sala de espera para os utentes a quem é atribuída, pela triagem, a cor amarela e laranja. Será assim possível assegurar uma maior vigilância, bem como a prestação imediata de alguns cuidados de enfermagem. Foi realizada uma intervenção no WC da sala de espera, adaptando-o a pessoas com problemas de mobilidade e melhorando as condições para os restantes utentes.

Quanto aos novos gabinetes de triagem, dão outras condições. “Na anterior sala o espaço era muito reduzido e a maca não entrava totalmente. Se houvesse necessidade de um segundo posto era no corredor, ainda em condições menos cómodas, com falta de privacidade do doente”, recordou a médica Margarida Brito e Melo, responsável pela Urgência.

Nos primeiros cinco meses deste ano houve em média “150 doentes atendidos por dia”, revelou Júlio Branco, enfermeiro chefe. “Há menos pessoas a vir às Urgências mas há mais situações graves”, indicou, desconhecendo se há relação com o aumento das taxas moderadoras ou se tem a ver com uma maior consciencialização da necessidade de um adequado recurso aos serviços para não os sobrecarregar, embora admita que esses fatores, em conjunto, possam ter pesado no número registado. Apesar disso, houve um reforço de enfermagem no período entre as 8h e as 20h, o que permite uma maior vigilância dos doentes triados.

Foi igualmente criado um novo gabinete de atendimento médico, passando de três para quatro, aumentando-se a rapidez no atendimento dos utentes. Os dados disponíveis apontam para a tendência de diminuição de tempos de espera para atendimento médico.

A realização destas obras permitiu ainda melhorar a área para prestação de cuidados, ampliando-se a zona de atendimento ambulatório da Urgência (onde é possível iniciar algumas terapêuticas) e melhorando a acessibilidade dos doentes transportados em maca ou em cadeira de rodas.

Em média na urgência estão dois ortopedistas, três clínicos gerais até às 24h (a partir daí são dois), três cirurgiões (um só faz 12 horas), três internistas (um só 12h). Das 8h às 20h são onze médicos, das 20h até às 24h saem um internista e um cirurgião, e a partir das 24h sai um médico de clínica geral.

“Está sempre no mínimo exigido. Não é o desejável nem recomendado pela Ordem e colégios de especialidades, mas é o possível”, reconheceu Margarida Brito e Melo.

Segundo o presidente do CHON, foi lançado concurso para 21 novos médicos em várias especialidades.

Com a execução das referidas obras, que significaram um investimento de 27 mil euros, é possível disponibilizar aos utentes e aos profissionais de saúde melhores condições de atendimento e de trabalho. O Conselho de Administração do CHON considera que com a realização destas obras “será possível melhorar a qualidade e a rapidez do atendimento dos doentes que recorrem à urgência, em particular daqueles que apresentam situações clínicas mais graves”.

TAC aguarda obras

A entrada em funcionamento do equipamento de TAC (tomografia axial computadorizada) aguarda aprovação do Ministério da Saúde para a realização das obras de adaptação do espaço onde será instalado e que custarão 240 mil euros.

“Depois da escolha do equipamento é que foi possível fazer o projeto de obras. Em fevereiro, quando íamos abrir o concurso para obras, saiu um despacho que obriga a que qualquer obra acima dos cem mil euros tenha de ter aprovação do Ministério da Saúde”, divulgou o presidente do CHON.

“O TAC é necessário para tornar este hospital autónomo na área da imagiologia”, frisou.

Presidente do CHON nega falta de material

“Até ao momento não houve nem prevemos no futuro próximo qualquer falta de material cirúrgico. Não significa que pontualmente, por motivos vários, haja atraso na entrega, por rutura de stock das empresas fornecedoras ou atraso de encomenda da nossa parte, mas não por falta de verba para comprar o material”, assegurou Carlos Sá.

O administrador reagia assim quando confrontado com a queixa de uma idosa de 85 anos, internada na enfermaria de ortopedia, que já estaria há quinze dias à espera de ser intervencionada a um braço partido, e cujos familiares alegam não ter sido operada por “falta de material cirúrgico”.

“Não temos de ter no hospital todos os consumíveis ou tamanhos necessários, e nesses casos é perfeitamente razoável termos de pedir às empresas fornecedoras”, sublinhou.

Gestão do Parque

O presidente do CHON solicitou à administração regional de saúde a gestão da Mata e do Parque por parte da autarquia, tal como esta se havia disponibilizado.

Carlos Sá disse estar ciente da importância do património, mas cujos encargos podem “colocar o risco de não se ter dinheiro para tratar dos doentes”. Por isso, defendeu que a competência da gestão deve ser transferida para a Câmara, que “manterá o nível de qualidade e poderá até melhorar”.

Francisco Gomes

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