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Tradição “Cantar e Pintar os Reis”

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Na noite de 5 para 6 de janeiro, a tradição torna a cumprir-se nas aldeias do Avenal e do Pereiro (Vilar, Cadaval), voltando-se a “Cantar e Pintar os Reis”. Como habitualmente, muitos visitantes de dentro e fora do concelho juntam-se à população local para participar numa celebração de origens ancestrais. Em mais uma noite de […]
Tradição “Cantar e Pintar os Reis”

Na noite de 5 para 6 de janeiro, a tradição torna a cumprir-se nas aldeias do Avenal e do Pereiro (Vilar, Cadaval), voltando-se a “Cantar e Pintar os Reis”. Como habitualmente, muitos visitantes de dentro e fora do concelho juntam-se à população local para participar numa celebração de origens ancestrais. Em mais uma noite de “Cantar e Pintar dos Reis”, os tradicionais versos alusivos ao novo ano e aos proprietários das casas percorridas voltarão a ecoar pelas ruas das duas vizinhas aldeias, tal como manda a tradição, com maior ou menor improviso e muitas vezes cantados ao desafio, mas sempre com humor e boa disposição. Numa noite em que o tempo não convida a sair de casa, os muitos participantes que anualmente aderem à celebração poderão, como sempre, reconfortar-se com as paragens para desfrute das merendas oferecidas pelos moradores visados por quadras e pinturas. Para além dos tradicionais cânticos, voltar-se-ão a inscrever em paredes e muros das casas da aldeia os símbolos tradicionais, que poucos saberão deslindar com exatidão, mas que representam, grosso modo, votos de bom ano e de prosperidade aos respetivos habitantes. Avenal: memória que não se pode perder Alzira Cordeiro foi uma das primeiras mulheres a cantar os reis no Avenal. Segundo conta, trata-se de “uma tradição muito antiga na aldeia, embora fossem só os homens que participassem, cantando às raparigas novas e aos donos das casas. Quando eu era miúda, as meninas e as senhoras não iam para a rua, só os homens”. Devido à muita população que havia e à dimensão do Avenal, “demorava-se muito tempo a dar a volta à aldeia e houve um ano ou dois em que os homens pararam. E foi então que as senhoras se empenharam para continuar com a tradição”, explica Alzira, sendo que “agora quase que são as mulheres a puxar pelos homens”. Por não fazerem “feriado” no dia 6, não realizam o almoço no Dia de Reis, refeição que a coletividade local deverá promover ou no dia seguinte (sábado) ou no fim de semana subsequente. Também porque no dia seguinte se trabalha, tenta-se fazer o percurso mais cedo (cerca das 20h30) e mais rapidamente, não parando muito tempo nas casas que abrem as portas. E até os típicos pincéis e latas de tinta deram lugar, nos últimos anos, aos sprays e moldes com os tradicionais símbolos, para facilitar a tarefa. Segundo Alzira Cordeiro, trata-se, apesar de tudo, de uma tradição que não se pode perder por constituir património imaterial concelhio. “Reza a lenda que os antigos monges desciam do alto das neves (serra de Montejunto) ao povoado, para cantar às portas os votos de boas festas e no dia seguinte iam recolher as ofertas”, relata a cantadeira. “No outro dia, pegavam em cestos, passavam pelo lugar e era-lhes oferecido cebolas, alhos, batatas, carne, chouriço, vinho ou dinheiro, e depois fazia-se o almoço dos reis. E aí, sim, eles já pediam colaboração das senhoras ou raparigas para irem ajudar a cozinhar”, acrescenta. Pereiro: celebração de forte dimensão De acordo com Gonçalo Bernardino, cantador dos reis no Pereiro, a festa vai decorrer nos moldes habituais, começando com um jantar, pelas 20 horas, seguido de um cortejo, por volta das 22h, com os tradicionais cantares e pinturas, cortejo esse que decorrerá pela noite dentro, só terminando de madrugada. Como explica, “ao longo do cortejo, as pessoas abrem as suas portas, mas depois, à meia-noite, uma hora, chegamos ao largo principal, e temos uma ceia com frango assado, chouriço, vinho, e ali todos os anos há cantares ao desafio, por homens e mulheres. A ceia é promovida pela coletividade mas é quase tudo oferecido através de pedidos que a gente faz localmente”. No dia 6, haverá o tradicional almoço dos reis na associação local, servindo também este dia para recobro da noite anterior. “A gente diz, por brincadeira, que é feriado no Pereiro. Mesmo as pessoas empregadas, quando podem, metem o dia de férias para participar na festa”, refere o “reiseiro”. Para Gonçalo Bernardino esta é uma festa que agrada a muita gente, e uma tradição que, apesar de sempre se ter mantido, ganhou maior fulgor nas últimas décadas, recebendo visitantes de diversos concelhos limítrofes. “Está num ponto que não pode voltar para trás, pois já tem uma dimensão muito forte”, realça. “Hoje não somos só nós que cantamos, já há muitas pessoas de fora que já estão enquadradas nos cânticos e já lançam as suas quadras”, conclui.

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