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Relatório sobre fogo que matou família

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Detectores de incêndio estavam desactivados A Câmara Municipal das Caldas da Rainha já abriu um inquérito para averiguar como foi possível o prédio onde na madrugada do passado dia 7 se verificou um incêndio que matou três moradores e provocou ferimentos em sete pessoas ter quartos em vez de escritórios, que seria a função para […]
Relatório sobre fogo que matou família

Detectores de incêndio estavam desactivados A Câmara Municipal das Caldas da Rainha já abriu um inquérito para averiguar como foi possível o prédio onde na madrugada do passado dia 7 se verificou um incêndio que matou três moradores e provocou ferimentos em sete pessoas ter quartos em vez de escritórios, que seria a função para o qual teve licença de construção. Segundo fonte camarária, o prédio onde se verificou o incêndio teve licença para ampliação de um piso destinado a escritórios. Contudo, nunca foi requerida vistoria nem passada licença de utilização. Autarcas querem que seja ordenado um rigoroso inquérito para o apuramento de responsabilidades e que os serviços municipais de acção social averiguam as necessidades das famílias desalojadas. O relatório do comandante dos bombeiros sobre o fogo revela que os detectores de incêndio não funcionaram por estarem desactivados, divulgou o vereador Manuel Isaac, adiantando que em reunião de Câmara foram prestadas explicações aos autarcas sobre o cenário encontrado. José António, comandante dos bombeiros, que exerce também as funções de delegado da Protecção Civil, acompanhado de um arquitecto, esteve a analisar os destroços e os restantes quartos, e foi à reunião do executivo camarário prestar esclarecimentos. Segundo o vereador Manuel Isaac, “o sistema de alarme de incêndios não funcionou porque as pessoas que lá moravam o desligaram. Provavelmente alguém que fumava e fazia o alarme disparar, acabou por o desligar”. O JORNAL DAS CALDAS apurou junto de um amigo do proprietário que os equipamentos terão sofrido uma modificação para se tornarem menos sensíveis, porque estariam constantemente a ser activados à mínima detecção de fumo, como um cigarro ou até o vapor provocado pelo banho. Mas não acredita que o dono os tenha desligado. De acordo com o comandante dos bombeiros, “todos os quartos estavam munidos de detector de incêndio. Se tivesse funcionado teria dado o alerta à população à volta, com o disparo de uma sirene”. O vereador Manuel Isaac revelou que as explicações dadas oralmente pelo responsável dos bombeiros dão também a conhecer que “existia uma clarabóia, uma janela com o vidro no topo, que com a aflição foi partida, o que serviu de chaminé e acelerou a propagação do fumo”. “Potenciou o incêndio, as pessoas aflitas pensaram que partindo a janela que sobreviviam com mais facilidade, mas acabou por ser o contrário”, explicou José António. Ainda segundo Manuel Isaac, o relatório oral do comandante dos bombeiros revela que “uma das pessoas morreu com a mão na maçaneta da porta do quarto, de onde tentava fugir”. O relatório escrito foi enviado à Câmara Municipal, que ia apurar se o podia tornar público ou se haveria conflito de interesses com as investigações policiais. Entretanto, de acordo com o vereador Tinta Ferreira, a Câmara abriu um inquérito para eventual processo contra-ordenacional e decidiu comunicar a utilização do imóvel para alojamentos à ASAE. “O proprietário errou claramente porque o edifício não estava em condições de ser utilizado para nada, porque apenas foi emitida licença de obra e não de utilização, nem para escritórios ou outra função, por isso devia estar fechado”, manifestou. O proprietário do imóvel na Travessa da Piedade, que tinha seguro, ainda não foi ouvido na autarquia, apesar de já ter falado com o presidente da Câmara. António José Pinto Monteiro Duarte, de 54 anos, encontra-se combalido e em repouso em casa, depois de ter ficado ferido na mão direita, quando tentava pegar num extintor de incêndio para apagar o fogo. “Como mora próximo, na altura do incêndio, ao ser avisado por telefone por uma das moradoras, chegou rapidamente ao local, primeiro até que os bombeiros e andou porta a porta a tentar alertar e socorrer os moradores. Ao tocar num extintor de incêndio que estava em brasa ficou com a mão queimada”, relatou um amigo. Uma amiga de Monteiro Duarte descreve-o como uma pessoa “aberta a ajudar quem necessita e por isso é que tinha estes quartos a baixos preços para quem tem menores posses económicas”. A amiga contou que “aparecem na casa dele algumas pessoas a chorar por não terem muito dinheiro para alugar um quarto e outras até ele deixa pagar mais tarde do que estava previsto”. Monteiro Duarte está em recuperação em casa, onde, contactado pelo JORNAL DAS CALDAS, disse não prestar declarações. O proprietário acolhe uma das moradoras que também ficou ferida. Ana Paula Lameira de Sousa, de 34 anos, brasileira, que possui um salão de cabeleireiro na cidade, apresenta fracturas nos pés, depois de ter saltado do prédio em chamas para outro em frente, a três metros de distância. Os outros feridos que receberam tratamento hospitalar – Heitor Dias Procopio de Souza, 22 anos, Mary Hellene Gomes Souza, de 25 anos, e Manoel Messias Correia, de 27 anos, todos brasileiros – estão alojados em casa de amigos e familiares, assim como Diana Kabanchuck, de 32 anos, ucraniana que provocou o incêndio ao deixar cair uma vela acesa, e outra compatriota, Lloba, que foram assistidas no local e recusaram transporte ao hospital. Ucraniana em liberdade A mulher que ocupava o quarto onde terá começado o fogo ficou em liberdade, depois de ter sido ouvida em tribunal. Ficou com termo de identidade e residência. Diana Kabanchuk, ucraniana, de 32 anos, que ficou com marcas de queimaduras na face e com o cabelo queimado, entrou acompanhada por agentes da Judiciária, mas saiu sozinha. Contou que estava na cama a ver um filme na televisão e tinha uma vela acesa. “Gosto de velas, mais nada, não era para poupar electricidade. Estava a descansar e meio a dormir e o incêndio começou quando a vela caiu sem querer. Como havia plástico e esponja as chamas apareceram num instante”, descreveu. “Eu moro ali sozinha e chamei a vizinha de quarto, ao mesmo tempo que comecei a mandar água para o fogo. Não nos lembrámos dos extintores. Chamámos as pessoas e elas saíram dos quartos”, relatou, considerando que “foi tudo muito rápido e só os bombeiros é que se atrasaram um bocado”. A ucraniana, que disse estar “há pouco tempo” no nosso país, é casada com um português e encontra-se em situação legal no território nacional. Questionada sobre as condições de habitabilidade do imóvel, que funcionava como uma espécie de pensão, mas que era pequeno demais para os cerca de quinze ocupantes e estava ilegal por não ter licença de utilização, Diana Kabanchuk manifestou achar que a casa “tinha condições”, encurtando a conversa: “Estou livre e um dia falamos”. Funerais Foram a enterrar na passada quinta-feira os corpos das três vítimas mortais: João Francisco Mafra Monteiro, de 51 anos, Maria Sameiro Pires Costa, de 41, e João Dinis Costa Monteiro, de 19 anos. O funeral realizou-se no Olho Marinho, Óbidos, de onde é natural João Francisco. Francisco Mafra, irmão de João Monteiro, uma das vítimas mortais, foi quem tratou da organização dos funerais, tendo conseguido contactar com os pais da companheira do irmão, que se deslocaram de França para Portugal. O familiar reconheceu não ter um contacto próximo com o irmão, mas revelou que o casal “tinha uma filha que lhes foi retirada pela Segurança Social por eles não terem condições de vida”. “A minha sobrinha tem 17 anos e está num colégio interno em Leiria. Fui buscá-la para o funeral”, divulgou. Luís Manuel era patrão de João Monteiro há 18 anos numa estufa das Caldas da Rainha. “Era uma pessoa certinha. Chegava sempre cedo ao trabalho. No dia da tragédia estranhei não ter aparecido. Só mais tarde soube o que tinha acontecido”, relatou. “Ele fazia a parte dos tratamentos e tinha acabado de tirar um curso de aplicação de fito-fármacos. Ele dizia que gostava de trabalhar aqui. Éramos como uma família para ele”, declarou Luís Manuel, que reconheceu a principal “preocupação” de João Monteiro: “Os filhos. Era por eles que orientava o seu trabalho”. Francisco Gomes (texto) Carlos Barroso (fotos)

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