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Sessão solene do 25 de Abril nas Caldas marcado por palavras de desilusão

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As Juntas de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo e de Santo Onofre proporcionaram à comunidade das Caldas da Rainha comemorar o dia 25 de Abril, numa cerimónia que ficou marcada por discursos direccionados para a crise e para o repensar dos direitos conquistados neste dia histórico para o país. A sessão solene decorreu no […]
Sessão solene do 25 de Abril nas Caldas marcado por palavras de desilusão

As Juntas de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo e de Santo Onofre proporcionaram à comunidade das Caldas da Rainha comemorar o dia 25 de Abril, numa cerimónia que ficou marcada por discursos direccionados para a crise e para o repensar dos direitos conquistados neste dia histórico para o país. A sessão solene decorreu no Salão Nobre da sede da Junta de Nossa Senhora do Pópulo e foi o presidente da Assembleia de Freguesia, António Marques, a vincar primeiro que os 35 anos de democracia “são comemorados nas Caldas pelas iniciativas das Juntas”. “Há 23 anos a Junta de Nossa Senhora do Pópulo sozinha e há 12 em conjunto com a Freguesia de Santo Onofre”, anotou. Para este acto foi convidado o coronel Rocha Neves, um militar que esteve ligado ao 16 de Março nas Caldas e que reside na freguesia que acolheu este momento. “Mais do que as ideologias ou do que o sistema político, é no grito e afirmação da liberdade que o 25 de Abril se afirma”, começou por dizer, sustentando que “grande parte da juventude está alheada do 25 de Abril. Tem algumas referências escolares e pouco mais. Talvez não seja exagero dizer que o alheamento dos jovens é partilhado por parte da população portuguesa”. O militar justifica que “o tempo não poderá reduzir o feito da liberdade e da democracia a um dia feriado a ser gozado na Primavera. É preciso formar consciências, adaptar a linguagem aos tempos que correm e a reposicionar Abril como uma causa, sobretudo para os jovens”. Rocha Neves frisou ainda que “comemorar é reviver, mas é também afirmar a vontade de intervir no futuro. É não permitir o apagar das memórias, seja do antes, do durante, do depois, porque esquecer o passado é perder as referências e negar a própria identidade, mas não aceito esquecer. É que por muitos anos que passem continuo a sentir uma enorme emoção e legítimo orgulho ao recordar o acto libertador protagonizado, pese embora diversas vicissitudes posteriormente vividas”, disse. Da parte dos partidos, coube a Manuel Isaac em representação a falar primeiro e a oferecer um discurso improvisado, mas cheio de sentimento e com algumas reflexões sobre a revolução dos cravos, 35 anos depois. “Quem fez o 25 de Abril deve de estar desiludido”, começou por afirmar, descrevendo que “somos atropelados por quem tem mais poder. Quem menos pode, menos tem”. Manuel Isaac afirmou que “neste país não há justiça, porque todos se desculpam. Há corrupção em Portugal e que essa existe nas obras públicas, porque são avaliadas num preço e depois custam milhões e somos nós a pagar”, denunciou. “Neste país tivemos um grande avanço na saúde e ganhámos educação, mas perdemos muitos valores porque neste país não há segurança. Qualquer dia não podemos passear o cão à rua”, disse. “Se continuarmos assim temos de fazer outro 25 de Abril”, adiantou. O também candidato à Câmara das Caldas pelo CDS-PP apelou a que “as pessoas sejam solidárias”, apesar de estar “magoado com o país actual, mergulhado numa crise económica, mas também de valores, que quando estes acabam questiono porque foi feito um 25 de Abril”. De seguida o representante da CDU, Luís Rodrigues, deputado da freguesia de Nossa Senhora do Pópulo centrou o seu discurso em defesa dos trabalhadores, dos seus direitos e contra o monopólio dos grandes grupos económicos. “O 25 de Abril não é, para nós, apenas uma data de comemoração, mas também mais um dia de luta pelo ideal de uma sociedade, que devolva o sonho aos que perderam o direito de sonhar”. O representante do PS, Luís Patacho, defendeu que “as gerações anteriores à revolução passem o testemunho às que se seguiram, para que tomemos o exemplo de que foram capazes de derrubar uma ditadura de quase 50 anos e devolver a liberdade aos portugueses”. O representante do PSD, João Reis, que também é elemento do executivo da Junta de Nossa Senhora do Pópulo, reportando-se a um ano eleitoral, lembrou que a 25 de Abril de 1974 se deu a voz ao povo, com a realização das primeiras eleições para a Assembleia Constituinte. “Houve uma taxa de participação de 91,7%. Eram tempos em que a sociedade estava sedenta de participação na vida do país, tempos em que os políticos eram vistos como tendo credibilidade e honestidade”, recordou, estimando que “para as eleições europeias haja uma abstenção na ordem dos 70%”. O político referiu ainda que “os nossos governantes não inspiram a confiança que deveriam”, dando vários exemplos sobre a justiça, administração interna, saúde, educação, obras públicas, finanças e outros sectores, onde considera serem a origem da “desigualdade social cada vez mais evidente, assim como os sinais da pobreza”. Como conclusão declarou que “a democracia não é apenas o regime da eleição e da alternativa do poder, mas também o regime da transparência e da responsabilidade”. Dada a palavra ao presidente da mesa da Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, Luís Ribeiro, apelou “à participação dos cidadãos” nas reuniões deste órgão. Por outro lado o também eleito pelo PSD apelou a que os políticos “governem em função do futuro e não hipotequem o país, pois de outra forma é criminoso não respeitar o 25 de Abril, o país e o povo”. O último a usar a palavra foi Fernando Costa, presidente da Câmara, que num discurso mais conciliador começou por desejar que esta cerimónia se repita na nova sede da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo. O autarca apontou ainda que o acontecimento do 16 de Março nas Caldas “deve ser mais revelado na vida municipal”. Fernando Costa afirmou que “não nos podemos arrepender do 25 de Abril. Devemos respeitar a democracia e melhorá-la”. Carlos Barroso

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